segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Nas Ondas do Rádio

Tricolores,

Aqueles que nos dão a honra de acompanhar as conversas e recordações do meu grupo de tricolores desencarnados, já terão se habituado às extravagâncias do Adionson. Seu comparecimento a nossas reuniões é irregular, mas a presença do amigo é garantia de opiniões inusitadas, boas gargalhadas e eventuais confusões. Contribui para esse efeito, um de seus princípios de vida: "Se não puder ajudar, atrapalhe: o importante é participar".

Há algum tempo, Adionson se autoconferiu a condição de repórter, de modo que quando tratamos de algum aspecto relacionado à imprensa, ele se sente na obrigação de opinar e nos esclarecer sobre os "colegas". Creio já ter mencionado o nome do Isaac Amar, jornalista da década de 1930, a quem Adionson considera o seu "tipo inesquecível". Além da inegável competência profissional, Isaac não se intimidava com a eventual escassez de fatos relevantes. Se a realidade não tinha muita imaginação, ele tinha de sobra, e a utilizava para divertir seus leitores, em especial os tricolores.

O grande ídolo do Adionson é Oduvaldo Cozzi, "o maior locutor esportivo do rádio brasileiro, em todos os tempos". Cozzi construiu sua fama liderando grandes jornadas esportivas, entre as décadas de 1940 e 60. Foi o primeiro diretor artístico da Radio Nacional, trabalhou nas Rádios Mayrink Veiga, Guanabara e Continental, e chegou a atuar na TV Tupi. Oduvaldo Cozzi era considerado um locutor lírico, pela maneira criativa e as variadas metáforas com que descrevia os lances de uma partida de futebol. Tinha pronúncia impecável, um rico vocabulário e absoluto rigor com o uso do nosso idioma, a ponto de corrigir seus repórteres de campo, no ar: "Olha a concordância, rapaz!". Respeitado e querido, seu nome batizou o viaduto localizado na chegada do Maracanã, para quem vem da Zona Sul do Rio de Janeiro.

Desculpem, se me perco em divagações e não trato logo do assunto de nossa última reunião. Como de hábito, ao falarmos de transmissões esportivas, o Adionson se propôs a nos contar uma história ocorrida com um outro famoso radialista tricolor: Arnaldo Augusto do Amaral Filho. De imediato, o Angenor se lembrou dele: "Esse cara gravou uma música minha, 'Fita os meus olhos', em 1933". De fato, Arnaldo Amaral iniciou no rádio como cantor, tendo defendido vários sucessos dos principais compositores da época. No entanto, em 1946, resolveu se tornar locutor e produtor de programas da Rádio Clube.

É justamente dessa época, o caso que o Adionson nos contou. Arnaldo Amaral comandava com grande sucesso o programa "Pescador de Estrelas", onde foram revelados Jamelão, Ângela Maria, Dóris Monteiro, Altamiro Carrilho, Alaíde Costa e tantos outros. Apaixonado por futebol e pelo nosso tricolor, resolveu também se dedicar à locução esportiva. Não houve qualquer dificuldade, pois Arnaldo tinha uma voz poderosa e, a essa altura, era um experiente profissional de rádio.

Ocorre que o ano era 1946, Gentil Cardoso chegara ao Fluminense clamando por Ademir Menezes e prometendo, em troca, o cobiçadíssimo título carioca. De fato, esse foi um dos campeonatos mais emocionantes de toda a história pois, ao término dos dois turnos, quatro equipes estavam rigorosamente empatadas e foi necessário um quadrangular para definir o supercampeão. Na partida final, contra o Botafogo, lá estava Arnaldo Amaral a narrar brilhantemente os lances decisivos. Quem o ouvisse, jamais desconfiaria de sua paixão pelo Fluminense. Até que Ademir aproveitou a distração de um zagueiro botafoguense e marcou o gol do título. Adionson contou que Arnaldo Amaral se despediu da neutralidade forçada e trovejou ao microfone da Rádio Clube: GOOOOOOOOOOL... NOSSO!

Comentários:
Olha quando li sua cronica percebi que a escola do Rádio que eu conheci se originou dessa que você descreveu. Bons tempos do Radio esportivo e do Rádio entretenimento,acho que minha geração pegou o final dessa era,quando Jorge Curi,Waldir Amaral,Doalcei Bueno de Camargo,Orlando Baptista,Afonso Soares ,Fernandodo Carlos,Rui Porto,Alberto Rodrigues("o comentarista que vai direto ao assunto");e tantos outros que eram excelentes, mas que ou os conheci pouco,ou quando os conheci ainda era muito novo e não prestei atenção,só os conhecendo mais tarde,quando algum lance ou comentário era relembrado em um rádio memória.
Hoje não escuto mais Rádio esportivo, pois a mediocridade impera,provavelmente porque é uma mídia em fase de declínio, e por isso não atrai mais a eleite de jornalistase sim uma "quarta divisão de profissinais"(o Radio,mesmo com esse medíocres não vai morrer,porque a alma daqueles que o construiram no passado sempre trará uma esperança).
Mas como perder tempo com Felipe Cardoso e tantos outros que só criam violência e discórdia na atualidade?
Rafael
 

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