terça-feira, 30 de março de 2010
Quem é Adionson?
Tricolores,
Na semana passada, no relato de uma conversa com meus amigos, mencionei o nome do Adionson. Penso valer a pena ocupar um pouco do nosso espaço para apresentar este desconcertante tricolor. Antes de tudo, cabe esclarecer que uma denominação tão pouco usual não se originou de improviso ou da costumeira combinação entre os nomes dos progenitores. Ainda grávida, sua mãe assistiu à primeira fita falada da história do cinema, o "Cantor de Jazz", estrelada pelo ator Al Johnson. Ainda durante a sessão, teve a inspiração instantânea: seu filho se chamaria Adionson. Nota-se que esse meu amigo trouxe do útero uma predestinação para a criatividade desconcertante, dote que até hoje exercita das maneiras mais imprevistas e se traduz, por exemplo, nas suas frases de efeito. A série é inumerável mas, à propósito da paixão tricolor, cito aquela que traduz sua convicção sobre a permanente vocação de nosso clube para as grandes vitórias:"O Fluminense nunca perde: ganha, empata ou é roubado".
Para não me estender em demasia, vou contar o episódio final de sua existência, aquele que antecedeu sua chegada aqui ao grupo. Adionson nunca teve hábitos compatíveis com as melhores recomendações da boa saúde: alimentação irregular, vida sedentária, uma íntima e assumida convivência com bebidas alcóolicas - "Minha vida é um litro aberto",confessava – e acabou por desenvolver um grave problema nas coronárias. Apesar da permanente escassez de dinheiro, sua simpatia e a sem-cerimônia para as solicitações mais absurdas, levou-o a ser tratado pelo Dr. Raul Carlos - um excelente cardiologista tricolor - que acionando cortesias e contribuições dos amigos, permitiu a Adionson ser operado no local mais conveniente da época: os Estados Unidos. O procedimento foi bem sucedido mas, após o retorno ao Brasil, meu amigo não seguiu qualquer uma das orientações médicas, o que levou ao agravamento do caso. Poucos anos depois, impôs-se a necessidade do retorno hospital americano, mas agora com menores chances de sucesso.
Vamos ao que interessa. Quando da primeira visita, Adionson notou que à frente da imponente construção perfilavam-se vários pavilhões nacionais e reparou que, após sua chegada, lá estava também a bandeira do Brasil. Seu médico o esclareceu tratar-se de uma gentileza da instituição, além de uma forma de demonstrar a amplitude internacional do seu prestígio: sempre que um novo paciente era admitido, a direção fazia hastear a bandeira do seu país. Para esta segunda visita, possivelmente a última, Adionson veio bem preparado. Valendo-se da constrangida tradução do Dr. Raul, ele explicou aos americanos ser o prefeito de um pequeno município do interior do Brasil. Com certeza, na modesta biografia de sua cidade, o fato de maior destaque seria a sua presença naquela magnífica instituição. Como não trazia ilusões de ainda voltar a fazer algo por seus conterrâneos, seu último desejo era prestar-lhes uma homenagem: trouxera na bagagem a bandeira de sua cidade e pedia que a hasteassem ao lado das demais.
Apesar do ineditismo da solicitação, sua simplicidade e a forma emocionada como fora feita garantiram o imediato atendimento. O destino seguiu seu curso inexorável e Adionson teve menos de uma semana em terras estrangeiras antes de vir juntar-se a nós. No entanto, em seus últimos momentos de lucidez, pode apreciar pela janela, tremulando orgulhosamente ao lado dos mais variados e importantes pavilhões nacionais, a gloriosa bandeira do Fluminense Football Club.
J.T de Carvalho escreve às terças e sextas.
Na semana passada, no relato de uma conversa com meus amigos, mencionei o nome do Adionson. Penso valer a pena ocupar um pouco do nosso espaço para apresentar este desconcertante tricolor. Antes de tudo, cabe esclarecer que uma denominação tão pouco usual não se originou de improviso ou da costumeira combinação entre os nomes dos progenitores. Ainda grávida, sua mãe assistiu à primeira fita falada da história do cinema, o "Cantor de Jazz", estrelada pelo ator Al Johnson. Ainda durante a sessão, teve a inspiração instantânea: seu filho se chamaria Adionson. Nota-se que esse meu amigo trouxe do útero uma predestinação para a criatividade desconcertante, dote que até hoje exercita das maneiras mais imprevistas e se traduz, por exemplo, nas suas frases de efeito. A série é inumerável mas, à propósito da paixão tricolor, cito aquela que traduz sua convicção sobre a permanente vocação de nosso clube para as grandes vitórias:"O Fluminense nunca perde: ganha, empata ou é roubado".
Para não me estender em demasia, vou contar o episódio final de sua existência, aquele que antecedeu sua chegada aqui ao grupo. Adionson nunca teve hábitos compatíveis com as melhores recomendações da boa saúde: alimentação irregular, vida sedentária, uma íntima e assumida convivência com bebidas alcóolicas - "Minha vida é um litro aberto",confessava – e acabou por desenvolver um grave problema nas coronárias. Apesar da permanente escassez de dinheiro, sua simpatia e a sem-cerimônia para as solicitações mais absurdas, levou-o a ser tratado pelo Dr. Raul Carlos - um excelente cardiologista tricolor - que acionando cortesias e contribuições dos amigos, permitiu a Adionson ser operado no local mais conveniente da época: os Estados Unidos. O procedimento foi bem sucedido mas, após o retorno ao Brasil, meu amigo não seguiu qualquer uma das orientações médicas, o que levou ao agravamento do caso. Poucos anos depois, impôs-se a necessidade do retorno hospital americano, mas agora com menores chances de sucesso.
Vamos ao que interessa. Quando da primeira visita, Adionson notou que à frente da imponente construção perfilavam-se vários pavilhões nacionais e reparou que, após sua chegada, lá estava também a bandeira do Brasil. Seu médico o esclareceu tratar-se de uma gentileza da instituição, além de uma forma de demonstrar a amplitude internacional do seu prestígio: sempre que um novo paciente era admitido, a direção fazia hastear a bandeira do seu país. Para esta segunda visita, possivelmente a última, Adionson veio bem preparado. Valendo-se da constrangida tradução do Dr. Raul, ele explicou aos americanos ser o prefeito de um pequeno município do interior do Brasil. Com certeza, na modesta biografia de sua cidade, o fato de maior destaque seria a sua presença naquela magnífica instituição. Como não trazia ilusões de ainda voltar a fazer algo por seus conterrâneos, seu último desejo era prestar-lhes uma homenagem: trouxera na bagagem a bandeira de sua cidade e pedia que a hasteassem ao lado das demais.
Apesar do ineditismo da solicitação, sua simplicidade e a forma emocionada como fora feita garantiram o imediato atendimento. O destino seguiu seu curso inexorável e Adionson teve menos de uma semana em terras estrangeiras antes de vir juntar-se a nós. No entanto, em seus últimos momentos de lucidez, pode apreciar pela janela, tremulando orgulhosamente ao lado dos mais variados e importantes pavilhões nacionais, a gloriosa bandeira do Fluminense Football Club.
J.T de Carvalho escreve às terças e sextas.
sexta-feira, 26 de março de 2010
O Expresso, a Bicicleta e o Bonde
Tenho aqui um grupo de amigos com os quais compartilho prolongadissimas conversas que, literalmente, podem durar uma eternidade. Nossos temas são os mais diversos e inusitados, recorremos a fatos e argumentos situados nas mais diferentes épocas mas, por fim, com infalível regularidade, somos conduzidos à nossa paixão comum: o Fluminense. Esta semana, por exemplo, discutíamos a situação caótica dos transportes públicos no Rio de Janeiro e a impressionante decadência do metrô, quando Adionson, nosso personal frasista, resumiu o pensamento geral: “E assim, evoluímos do expresso para o bonde”. Prontamente, ocorreu uma curiosa associação de idéias que fez o Stanislaw nos indagar: “Lembram-se do Expresso da Vitória?”. Ora, às vésperas de um clássico com o Vasco da Gama, a recordação pareceu inteiramente inoportuna.
Explico. Em 1945, o Vasco organizou um poderoso time que se sagrou campeão e recebeu o apelido de Expresso da Vitória porque, segundo seus torcedores, atropelava os adversários. Na verdade, a peça mais decisiva desta equipe era o centroavante Ademir Menezes pois, no ano seguinte, quando ele esteve conosco, fomos nós os campeões e o Vasco se resignou a um quinto lugar. A partir de 1947, no entanto, não apenas Ademir retornou a São Januário, como o clube contratou jogadores em número suficiente para montar duas boas equipes: o Expresso e o Expressinho. Eis a razão dos protestos contra a inconveniente lembrança do Stanislaw, justamente a poucos dias de um novo confronto com o Vasco. Mas ele já tinha sua jogada preparada: “Esqueceram-se do Torneio Municipal de 48?”. Satisfeito com o sucesso da estratégia, passou a nos recordar as páginas iniciais de uma das maiores epopéias da História do Fluminense.
Em 1948, o Torneio Municipal (uma espécie de Taça Guanabara, no modelo original) era disputado em turno único, pelos mesmos clubes que, a seguir, jogariam o Campeonato Carioca. O fabuloso Expresso da Vitória exibia-se numa prolongada excursão pela América do Sul, colecionando vitórias e taças. Na avaliação do comando vascaíno, o Expressinho seria suficiente para vencer os adversários locais e, de fato, segundo a imprensa, iniciou o Torneio como franco favorito. Nem mesmo o fato do Fluminense chegar invicto à rodada final e, assim, habilitar-se a uma melhor de três com o Vasco foi suficiente para abalar as previsões unânimes. No primeiro jogo, em General Severiano, surpreendemos o Expressinho por 4 x 0. No segundo jogo, na Gávea, o time vascaíno nos venceu por 2 x 1.
No jogo decisivo, apesar da vitória anterior ter recolocado a disputa em sua “ordem natural”, o Vasco não quis correr o risco de perder o título e mandou a campo sua força máxima: o Expresso da Vitória. A partir deste ponto, Stanislaw aumentou a carga de emoção com que nos relatava suas recordações. O Fluminense venceu a partida por 1 x 0, com um belíssimo gol de bicicleta de Orlando, e tornou-se campeão! Nesta competição, Orlando recebeu o apelido que o acompanharia por toda a carreira. Após a vitória de 4 x 1 sobre o Bonsucesso (com três gols dele), em jogo realizado sob intenso temporal, o jornalista José Araújo escreveu em sua coluna que Orlando - por sua baixa estatura e porque, tal como a chuva, estava em todos os lugares do gramado - mais parecia um pingo d’água. No entanto, pela brilhante atuação, não podia ser considerado um pingo comum, mas um Pingo de Ouro.
Ocorre que o golaço de Orlando Pingo de Ouro fora marcado logo no início do jogo. O adversário tinha tempo e qualidade técnica suficientes para nos impor a virada no placar. De fato, até o apito final, o Vasco executou um ininterrupto bombardeio contra nossa meta sem, no entanto, obter sucesso. Os anos seguintes trouxeram lógica a este episódio, pois esclareceram que os deuses do futebol o haviam escolhido para inaugurar um dos mais belos capítulos da nossa História. Nas partidas iniciais do Torneio, nosso camisa 1 fora o Tarzan. Para este jogo, optamos por escalar um jovem e inexperiente goleiro, contratado ao Olaria, e que fora vice campeão do ano anterior no time de aspirantes. Tal como na clássica cena em que o Super Homem detém o avanço de uma locomotiva, Carlos José Castilho parou o poderoso Expresso da Vitória e iniciou a gloriosa trajetória que o consagraria como um dos maiores heróis da Mitologia Tricolor e, como tal, o conduziria à imortalidade.
Stanislaw lembra ainda, divertido, que a torcida vascaína deixou o estádio atônita, sem compreender como perdera um título que esperava ser ganho até por seu time reserva. Ainda por cima, a torcida tricolor ironizava o Expresso da Vitória recordando uma velha paródia carnavalesca: “Lá vai o bonde / de São Januário / levando mais um otário / pra ver o Vasco apanhar”.
J.T de Carvalho escrever às terças e sextas.
Explico. Em 1945, o Vasco organizou um poderoso time que se sagrou campeão e recebeu o apelido de Expresso da Vitória porque, segundo seus torcedores, atropelava os adversários. Na verdade, a peça mais decisiva desta equipe era o centroavante Ademir Menezes pois, no ano seguinte, quando ele esteve conosco, fomos nós os campeões e o Vasco se resignou a um quinto lugar. A partir de 1947, no entanto, não apenas Ademir retornou a São Januário, como o clube contratou jogadores em número suficiente para montar duas boas equipes: o Expresso e o Expressinho. Eis a razão dos protestos contra a inconveniente lembrança do Stanislaw, justamente a poucos dias de um novo confronto com o Vasco. Mas ele já tinha sua jogada preparada: “Esqueceram-se do Torneio Municipal de 48?”. Satisfeito com o sucesso da estratégia, passou a nos recordar as páginas iniciais de uma das maiores epopéias da História do Fluminense.
Em 1948, o Torneio Municipal (uma espécie de Taça Guanabara, no modelo original) era disputado em turno único, pelos mesmos clubes que, a seguir, jogariam o Campeonato Carioca. O fabuloso Expresso da Vitória exibia-se numa prolongada excursão pela América do Sul, colecionando vitórias e taças. Na avaliação do comando vascaíno, o Expressinho seria suficiente para vencer os adversários locais e, de fato, segundo a imprensa, iniciou o Torneio como franco favorito. Nem mesmo o fato do Fluminense chegar invicto à rodada final e, assim, habilitar-se a uma melhor de três com o Vasco foi suficiente para abalar as previsões unânimes. No primeiro jogo, em General Severiano, surpreendemos o Expressinho por 4 x 0. No segundo jogo, na Gávea, o time vascaíno nos venceu por 2 x 1.
No jogo decisivo, apesar da vitória anterior ter recolocado a disputa em sua “ordem natural”, o Vasco não quis correr o risco de perder o título e mandou a campo sua força máxima: o Expresso da Vitória. A partir deste ponto, Stanislaw aumentou a carga de emoção com que nos relatava suas recordações. O Fluminense venceu a partida por 1 x 0, com um belíssimo gol de bicicleta de Orlando, e tornou-se campeão! Nesta competição, Orlando recebeu o apelido que o acompanharia por toda a carreira. Após a vitória de 4 x 1 sobre o Bonsucesso (com três gols dele), em jogo realizado sob intenso temporal, o jornalista José Araújo escreveu em sua coluna que Orlando - por sua baixa estatura e porque, tal como a chuva, estava em todos os lugares do gramado - mais parecia um pingo d’água. No entanto, pela brilhante atuação, não podia ser considerado um pingo comum, mas um Pingo de Ouro.
Ocorre que o golaço de Orlando Pingo de Ouro fora marcado logo no início do jogo. O adversário tinha tempo e qualidade técnica suficientes para nos impor a virada no placar. De fato, até o apito final, o Vasco executou um ininterrupto bombardeio contra nossa meta sem, no entanto, obter sucesso. Os anos seguintes trouxeram lógica a este episódio, pois esclareceram que os deuses do futebol o haviam escolhido para inaugurar um dos mais belos capítulos da nossa História. Nas partidas iniciais do Torneio, nosso camisa 1 fora o Tarzan. Para este jogo, optamos por escalar um jovem e inexperiente goleiro, contratado ao Olaria, e que fora vice campeão do ano anterior no time de aspirantes. Tal como na clássica cena em que o Super Homem detém o avanço de uma locomotiva, Carlos José Castilho parou o poderoso Expresso da Vitória e iniciou a gloriosa trajetória que o consagraria como um dos maiores heróis da Mitologia Tricolor e, como tal, o conduziria à imortalidade.
Stanislaw lembra ainda, divertido, que a torcida vascaína deixou o estádio atônita, sem compreender como perdera um título que esperava ser ganho até por seu time reserva. Ainda por cima, a torcida tricolor ironizava o Expresso da Vitória recordando uma velha paródia carnavalesca: “Lá vai o bonde / de São Januário / levando mais um otário / pra ver o Vasco apanhar”.
J.T de Carvalho escrever às terças e sextas.
segunda-feira, 22 de março de 2010
Apresentação de J. T. de Carvalho para NETFLU
J. T. de Carvalho nasceu em Portugal, em 1902, cinco meses antes da fundação do Fluminense Football Club. Aos oito anos de idade chegou ao Brasil e, algum tempo depois, se tornou tricolor. Tomado por esta paixão, conta se ter incumbido "de uma missão, a um tempo desafiadora e prazerosa: conduzir todos os meus descendentes às fileiras de nossa torcida". Assim, fundou uma tradição familiar organizada em torno de um único conceito: "Acima de leis e mandamentos, uma ética soberana: sou tricolor!".
Após sua morte, em 1986, sentiu-se estimulado pela célebre convocação rodriguiana - "A morte não exime ninguém de seus deveres clubísticos -, passou a se reunir com ilustres tricolores também falecidos e a ditar uma síntese dessas conversas, às quais denominou Memórias Imortais. Em 2009, publicou uma coletânea destes textos, que traçam um amplo e variado roteiro das Glórias e dos Heróis que teceram a Mitologia Tricolor.
Sem a pretensão ou o rigor do trabalho de um historiador, J.T. de Carvalho defende a importância de divulgar tais memórias. Segundo ele, não se trata de abrir um "baú da saudade", dar busca a um emaranhado de velhas histórias e divulgá-las como objeto de distração ociosa: "a Mitologia Tricolor fornece a chave para que nos situemos na vasta herança de nosso clube, a partir da qual nos tornamos mais conscientes de nós mesmos e de nossa singular visão do mundo". Em apoio a sua tese, cita a insuspeita opinião de Mario Filho: "Certos exemplos, só o Fluminense poderia dar".
Por isso, jogadas antológicas, gols decisivos, ilustres e venerandas figuras povoam as páginas de suas Memórias Imortais mas, para além de personagens e enredos, seu verdadeiro tema é um só: o orgulho de ser tricolor.
J. T. de Carvalho nasceu em Portugal, em 1902, cinco meses antes da fundação do Fluminense Football Club. Aos oito anos de idade chegou ao Brasil e, algum tempo depois, se tornou tricolor. Tomado por esta paixão, conta se ter incumbido "de uma missão, a um tempo desafiadora e prazerosa: conduzir todos os meus descendentes às fileiras de nossa torcida". Assim, fundou uma tradição familiar organizada em torno de um único conceito: "Acima de leis e mandamentos, uma ética soberana: sou tricolor!".
Após sua morte, em 1986, sentiu-se estimulado pela célebre convocação rodriguiana - "A morte não exime ninguém de seus deveres clubísticos -, passou a se reunir com ilustres tricolores também falecidos e a ditar uma síntese dessas conversas, às quais denominou Memórias Imortais. Em 2009, publicou uma coletânea destes textos, que traçam um amplo e variado roteiro das Glórias e dos Heróis que teceram a Mitologia Tricolor.
Sem a pretensão ou o rigor do trabalho de um historiador, J.T. de Carvalho defende a importância de divulgar tais memórias. Segundo ele, não se trata de abrir um "baú da saudade", dar busca a um emaranhado de velhas histórias e divulgá-las como objeto de distração ociosa: "a Mitologia Tricolor fornece a chave para que nos situemos na vasta herança de nosso clube, a partir da qual nos tornamos mais conscientes de nós mesmos e de nossa singular visão do mundo". Em apoio a sua tese, cita a insuspeita opinião de Mario Filho: "Certos exemplos, só o Fluminense poderia dar".
Por isso, jogadas antológicas, gols decisivos, ilustres e venerandas figuras povoam as páginas de suas Memórias Imortais mas, para além de personagens e enredos, seu verdadeiro tema é um só: o orgulho de ser tricolor.
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