sexta-feira, 27 de agosto de 2010
Herói da Resistência
Tricolores,
Temos aqui no meu grupo um consenso absoluto e irreversível: um dos maiores patrimônios do Fluminense Football Club são a sua História e as suas tradições. Não reivindicamos para o clube o status de instituição esclerosada e insensível ao passar do tempo, mas acreditamos que, por mais que algumas opções se apresentem atraentes e vitoriosas no curto prazo, não podemos perder de vista nossa predestinação: ao Fluminense cabe ser o Fluminense.
Em 1902, fomos fundados por um grupo de jovens com excelentes intenções, mas que haveriam de passar por crises e momentos de incerteza para demonstrar seu verdadeiro caráter. Como sabem, com apenas nove anos de existência nosso clube foi confrontado por um famoso motim, que reuniu nove titulares do time campeão invicto. A decisão de não ceder à chantagem nos trouxe grande prejuízo imediato, mas foi fundamental para a construção da identidade do Fluminense. Nesse episódio, um nome se impôs: Oswaldo Gomes, o herói da resistência.
Na memorável tarde de 7 de julho de 1912, nosso capitão comandou uma das mais extraordinárias jornadas tricolores: o primeiro embate contra os amotinados e a vitória no primeiro Fla-Flu. Para quem julga o futebol uma tediosa sucessão de bicos e caneladas, trata-se de um episódio incompreensível, dada a imensa superioridade técnica do time campeão do ano anterior sobre os seus reservas. Mas, naquele jogo, comandado por Oswaldo Gomes, o Fluminense não conquistou mera vitória esportiva: impôs o triunfo dos seus princípios.
Em 1915, nosso capitão voltou a proporcionar outro espetáculo admirável, frente ao mesmo adversário. Ausente por vários jogos, afastado até dos treinamentos, Oswaldo foi chamado às pressas para substituir o centromédio titular que, subitamente, adoecera. Atuando fora de posição, nosso meia-direita não conseguiu deter o ataque rubro-negro que, apenas no primeiro tempo, marcou nada menos do que sete gols! No intervalo, ele se desculpou com os companheiros e assumiu a responsabilidade exclusiva pelo placar humilhante. Lembrou ao time que, "naquele momento, eles eram o Fluminense" e propôs um pacto de honra, em defesa da dignidade do clube. No segundo tempo, mais adaptado à nova posição (na qual, mais tarde, se sagraria tricampeão), Oswaldo Gomes protagonizou uma das tantas páginas épicas da Mitologia Tricolor. Resultado final da partida: 7 x 7.
Em 1919, o Campeonato Carioca foi marcado pela inauguração do primeiro estádio de futebol do continente americano: o Estádio das Laranjeiras. O Fluminense, bicampeão em 17 e 18, era o adversário a ser batido. Além de impedir nosso tricampeonato, os adversários queriam desfrutar o prazer de haver o Fluminense construido um palco inédito e magnífico para a festa alheia. No entanto, aos deuses do futebol, não passou despercebida a oportunidade de ser escrita mais uma página imortal da História Tricolor. Providenciaram para que, na reta final da competição, na penúltima rodada do segundo turno, houvesse um Fla-Flu, uma decisão antecipada do campeonato, pois apenas dois pontos separavam os dois times.
Os jogadores de ambos os clubes tinham a exata compreensão da importância daquele jogo, mas Oswaldo Gomes sentia o peso maior. Sua carreira estava próxima do fim e, talvez, essa fosse a última oportunidade de conduzir seus companheiros a uma conquista de título. Tinha a consciência limpa, sempre agira com humildade e dedicação, mas seu nome era inseparável da maior crise vivida pelo clube. E, mais uma vez, o destino lhe impunha o mesmo adversário, tão carregado de sentimentos e significados. Nosso time lutou bravamente, Marcos Carneiro de Mendonça fez uma sucessão de defesas que lhe garantiram um capítulo particular na Mitologia Tricolor e, ao final, veio a vitória e o título antecipado: Fluminense 4 x 0.
Oswaldo Gomes ainda disputou parte do campeonato seguinte e, finalmente, em setembro de 1921, se retirou dos gramados. Em 15 anos de carreira, se transformara no jogador mais vitorioso de toda a história do futebol brasileiro: tetracampeão carioca, em 1906-09; campeão invicto, sem nenhum ponto perdido, em 1911; tricampeão carioca, em 1917-19. Em 1922, foi eleito presidente da Confederação Brasileira de Desportos, coroando uma carreira única no futebol brasileiro.
Em 2012, esse clássico lendário completará 100 anos, mas Borgerth e Oswaldo jamais tiveram descanso. Toda vez que a uma ação desleal, movida pela vaidade e pelo interesse pessoal, se opuser uma reação movida pelo compromisso, pela honradez e a dedicação além do dever, lá estarão Borgerth e Oswaldo. Por isso, o Fla-Flu é eterno, porque simboliza o embate entre alguns elementos essenciais da existência e das relações humanas. A nós, cabe lembrar Oswaldo Gomes, ensinar seu nome e seus feitos às novas gerações. É dever de todo tricolor honrar esse herói da resistência!
Temos aqui no meu grupo um consenso absoluto e irreversível: um dos maiores patrimônios do Fluminense Football Club são a sua História e as suas tradições. Não reivindicamos para o clube o status de instituição esclerosada e insensível ao passar do tempo, mas acreditamos que, por mais que algumas opções se apresentem atraentes e vitoriosas no curto prazo, não podemos perder de vista nossa predestinação: ao Fluminense cabe ser o Fluminense.
Em 1902, fomos fundados por um grupo de jovens com excelentes intenções, mas que haveriam de passar por crises e momentos de incerteza para demonstrar seu verdadeiro caráter. Como sabem, com apenas nove anos de existência nosso clube foi confrontado por um famoso motim, que reuniu nove titulares do time campeão invicto. A decisão de não ceder à chantagem nos trouxe grande prejuízo imediato, mas foi fundamental para a construção da identidade do Fluminense. Nesse episódio, um nome se impôs: Oswaldo Gomes, o herói da resistência.
Na memorável tarde de 7 de julho de 1912, nosso capitão comandou uma das mais extraordinárias jornadas tricolores: o primeiro embate contra os amotinados e a vitória no primeiro Fla-Flu. Para quem julga o futebol uma tediosa sucessão de bicos e caneladas, trata-se de um episódio incompreensível, dada a imensa superioridade técnica do time campeão do ano anterior sobre os seus reservas. Mas, naquele jogo, comandado por Oswaldo Gomes, o Fluminense não conquistou mera vitória esportiva: impôs o triunfo dos seus princípios.
Em 1915, nosso capitão voltou a proporcionar outro espetáculo admirável, frente ao mesmo adversário. Ausente por vários jogos, afastado até dos treinamentos, Oswaldo foi chamado às pressas para substituir o centromédio titular que, subitamente, adoecera. Atuando fora de posição, nosso meia-direita não conseguiu deter o ataque rubro-negro que, apenas no primeiro tempo, marcou nada menos do que sete gols! No intervalo, ele se desculpou com os companheiros e assumiu a responsabilidade exclusiva pelo placar humilhante. Lembrou ao time que, "naquele momento, eles eram o Fluminense" e propôs um pacto de honra, em defesa da dignidade do clube. No segundo tempo, mais adaptado à nova posição (na qual, mais tarde, se sagraria tricampeão), Oswaldo Gomes protagonizou uma das tantas páginas épicas da Mitologia Tricolor. Resultado final da partida: 7 x 7.
Em 1919, o Campeonato Carioca foi marcado pela inauguração do primeiro estádio de futebol do continente americano: o Estádio das Laranjeiras. O Fluminense, bicampeão em 17 e 18, era o adversário a ser batido. Além de impedir nosso tricampeonato, os adversários queriam desfrutar o prazer de haver o Fluminense construido um palco inédito e magnífico para a festa alheia. No entanto, aos deuses do futebol, não passou despercebida a oportunidade de ser escrita mais uma página imortal da História Tricolor. Providenciaram para que, na reta final da competição, na penúltima rodada do segundo turno, houvesse um Fla-Flu, uma decisão antecipada do campeonato, pois apenas dois pontos separavam os dois times.
Os jogadores de ambos os clubes tinham a exata compreensão da importância daquele jogo, mas Oswaldo Gomes sentia o peso maior. Sua carreira estava próxima do fim e, talvez, essa fosse a última oportunidade de conduzir seus companheiros a uma conquista de título. Tinha a consciência limpa, sempre agira com humildade e dedicação, mas seu nome era inseparável da maior crise vivida pelo clube. E, mais uma vez, o destino lhe impunha o mesmo adversário, tão carregado de sentimentos e significados. Nosso time lutou bravamente, Marcos Carneiro de Mendonça fez uma sucessão de defesas que lhe garantiram um capítulo particular na Mitologia Tricolor e, ao final, veio a vitória e o título antecipado: Fluminense 4 x 0.
Oswaldo Gomes ainda disputou parte do campeonato seguinte e, finalmente, em setembro de 1921, se retirou dos gramados. Em 15 anos de carreira, se transformara no jogador mais vitorioso de toda a história do futebol brasileiro: tetracampeão carioca, em 1906-09; campeão invicto, sem nenhum ponto perdido, em 1911; tricampeão carioca, em 1917-19. Em 1922, foi eleito presidente da Confederação Brasileira de Desportos, coroando uma carreira única no futebol brasileiro.
Em 2012, esse clássico lendário completará 100 anos, mas Borgerth e Oswaldo jamais tiveram descanso. Toda vez que a uma ação desleal, movida pela vaidade e pelo interesse pessoal, se opuser uma reação movida pelo compromisso, pela honradez e a dedicação além do dever, lá estarão Borgerth e Oswaldo. Por isso, o Fla-Flu é eterno, porque simboliza o embate entre alguns elementos essenciais da existência e das relações humanas. A nós, cabe lembrar Oswaldo Gomes, ensinar seu nome e seus feitos às novas gerações. É dever de todo tricolor honrar esse herói da resistência!
Comentários:
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Meu caro Tricolor,
Nessa época em que vivemos, da sociedade do espetáculo, em plena soberania do marketing, as frases costumam ser vazias e traduzirem apenas a lógica de uma campanha.
Hoje em dia, raras sentenças são tão profundas e verdadeiras, amparadas por tantos e tão antigos fatos, como essa que você escolheu para presentear nosso blog: "Orgulho de ser Tricolor". E não é preciso dizer mais nada.
Escreva sempre.
Saudações Tricolores,
J.T.
Nessa época em que vivemos, da sociedade do espetáculo, em plena soberania do marketing, as frases costumam ser vazias e traduzirem apenas a lógica de uma campanha.
Hoje em dia, raras sentenças são tão profundas e verdadeiras, amparadas por tantos e tão antigos fatos, como essa que você escolheu para presentear nosso blog: "Orgulho de ser Tricolor". E não é preciso dizer mais nada.
Escreva sempre.
Saudações Tricolores,
J.T.
Bom domingo blogueiro
A respeito da distância entre nós e uma instituição esclerosada, gostaria de acrescentar, com a sua concordância, é claro, que estamos construindo sempre o presente de forma a, no futuro, nos orgulharmos do nosso passado.
Isso não é para todos. Espero que o seu texto seja para os torcedores menos avisados mais uma colaboração para o estilo de ser tricolor.
J. Cesar
A respeito da distância entre nós e uma instituição esclerosada, gostaria de acrescentar, com a sua concordância, é claro, que estamos construindo sempre o presente de forma a, no futuro, nos orgulharmos do nosso passado.
Isso não é para todos. Espero que o seu texto seja para os torcedores menos avisados mais uma colaboração para o estilo de ser tricolor.
J. Cesar
Julio Cesar, como sempre, você contribui para uma compreensão mais ampla do post.
Escreva sempre.
Saudações Tricolores,
J.T.
Escreva sempre.
Saudações Tricolores,
J.T.
Caro JT, leio sempre seu blog, que considero brilhante.
Procurei no www.fluzao.info este jogo de 1915, o 7x7, não o encontrei. Foi em outra data, trata-se de um jogo não registrado?
ST.
Procurei no www.fluzao.info este jogo de 1915, o 7x7, não o encontrei. Foi em outra data, trata-se de um jogo não registrado?
ST.
Prezado Marcel, só agora li seu comentário, por isso desculpe a demora em lhe responder.
Esses jogos do tempo do amadorismo, às vezes, têm um registro precário. Vou tentar localizar mais referências e lhe enviarei.
Escreva para o meu e-mail: memorias@jtdecarvalho.com para que eu possa lhe mandar o que achar.
J.T.
Esses jogos do tempo do amadorismo, às vezes, têm um registro precário. Vou tentar localizar mais referências e lhe enviarei.
Escreva para o meu e-mail: memorias@jtdecarvalho.com para que eu possa lhe mandar o que achar.
J.T.
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