sexta-feira, 2 de julho de 2010
O Homem dos Nove Instrumentos
Tricolores,
Para lhes poupar tempo e paciência fiz um relato bastante breve da recente conversa do meu grupo sobre um dos grandes intelectuais tricolores, Coelho Neto. As lembranças foram incontáveis: o hino composto para o nosso clube; sua invasão de campo, brandindo o inseparável guarda-chuva para impedir que fôssemos roubados em um Fla-Flu (provocando a primeira anulação de um jogo de Campeonato Carioca), e tantas outras histórias. Deixei para esse novo post as recordações sobre sua maior contribuição para o Fluminense e o esporte brasileiro: seu filho, João Coelho Neto, o Preguinho.
Nascido em 8 de fevereiro de 1905 - portanto, apenas dois anos, seis meses e dezessete dias depois do Fluminense -, ele foi admitido como sócio infantil, sob o número 20. Aos seis anos de idade, quando aprendia natação com seu irmão Emmanuel, o Mano, João foi por ele chamado de Prego. O apelido jamais o abandonou embora, ironicamente, tenha se tornado o mais perfeito atleta de todos os tempos a vestir o uniforme tricolor. Em resumo, praticou nove modalidades esportivas - futebol, basquete, natação, pólo aquático, remo, saltos ornamentais, atletismo, voleibol e hóquei sobre patins – sempre com excelente desempenho. Deu ao clube 387 medalhas, a maioria de ouro, e 55 títulos. Foi campeão carioca de voleibol em 1923; de atletismo em 1925 e basquete em 1924, 25, 26, 27 e 31 sendo, até hoje, nosso segundo maior cestinha, com 711 pontos.
Como jogador de futebol, Preguinho jamais atuou por outro clube ou aceitou qualquer tipo de remuneração, mesmo após a implantação do profissionalismo. Foi o primeiro capitão e o autor do primeiro gol de uma Seleção Brasileira em Copas do Mundo, no Uruguai, em 1930 - o gol de honra na derrota para a Iugoslávia por 2×1. Na partida seguinte, contra a Bolivia, marcou mais dois gols na vitória brasileira por 4 a 0. O Canal 100 fez um documentário sobre a derrota brasileira de 74 – Futebol Total - no qual ele dá um depoimento sobre sua participação naquela primeira Copa do Mundo.
Pelo Fluminense, Preguinho participou do tricampeonato de 1936, 37 e 38, e por cinco vezes foi o artilheiro tricolor (em 1928 e 32, também do Campeonato Carioca, com 16 e 21 gols, respectivamente), marcando um total de 184 gols, em 174 jogos.
Protagonizou vários episódios memoráveis, nos quais demonstrou garra, versatilidade e, sobretudo, seu imenso amor pelo Fluminense. Por exemplo, em 1925, após nadar a prova de 600m (hoje transformada em 800m livre), vestiu um roupão de banho e rumou de táxi para as Laranjeiras, bem a tempo de jogar contra o São Cristóvão e ganhar o Torneio Início.
Felizmente, o Fluminense soube lhe reconhecer os méritos: além do primeiro título de Grande Benemérito Atleta, conferido em 1952, João Coelho Netto tem um busto nas Laranjeiras e deu seu nome ao ginásio do clube. Em nossos dias, depois de tantas mudanças no mundo do futebol, Preguinho não pode mais representar um exemplo a ser seguido. Mas pode, perfeitamente, servir de parâmetro, sobretudo para os torcedores, quando ouvirmos declarações de amor ao clube ou quando tivermos a oportunidade de aclamar um verdadeiro Herói Tricolor.
Este post é baseado em um texto do livro "Memorias Imortais, Glórias e Heróis da Mitologia Tricolor", publicado por J.T. de Carvalho pela Editora Corifeu.
Para lhes poupar tempo e paciência fiz um relato bastante breve da recente conversa do meu grupo sobre um dos grandes intelectuais tricolores, Coelho Neto. As lembranças foram incontáveis: o hino composto para o nosso clube; sua invasão de campo, brandindo o inseparável guarda-chuva para impedir que fôssemos roubados em um Fla-Flu (provocando a primeira anulação de um jogo de Campeonato Carioca), e tantas outras histórias. Deixei para esse novo post as recordações sobre sua maior contribuição para o Fluminense e o esporte brasileiro: seu filho, João Coelho Neto, o Preguinho.
Nascido em 8 de fevereiro de 1905 - portanto, apenas dois anos, seis meses e dezessete dias depois do Fluminense -, ele foi admitido como sócio infantil, sob o número 20. Aos seis anos de idade, quando aprendia natação com seu irmão Emmanuel, o Mano, João foi por ele chamado de Prego. O apelido jamais o abandonou embora, ironicamente, tenha se tornado o mais perfeito atleta de todos os tempos a vestir o uniforme tricolor. Em resumo, praticou nove modalidades esportivas - futebol, basquete, natação, pólo aquático, remo, saltos ornamentais, atletismo, voleibol e hóquei sobre patins – sempre com excelente desempenho. Deu ao clube 387 medalhas, a maioria de ouro, e 55 títulos. Foi campeão carioca de voleibol em 1923; de atletismo em 1925 e basquete em 1924, 25, 26, 27 e 31 sendo, até hoje, nosso segundo maior cestinha, com 711 pontos.
Como jogador de futebol, Preguinho jamais atuou por outro clube ou aceitou qualquer tipo de remuneração, mesmo após a implantação do profissionalismo. Foi o primeiro capitão e o autor do primeiro gol de uma Seleção Brasileira em Copas do Mundo, no Uruguai, em 1930 - o gol de honra na derrota para a Iugoslávia por 2×1. Na partida seguinte, contra a Bolivia, marcou mais dois gols na vitória brasileira por 4 a 0. O Canal 100 fez um documentário sobre a derrota brasileira de 74 – Futebol Total - no qual ele dá um depoimento sobre sua participação naquela primeira Copa do Mundo.
Pelo Fluminense, Preguinho participou do tricampeonato de 1936, 37 e 38, e por cinco vezes foi o artilheiro tricolor (em 1928 e 32, também do Campeonato Carioca, com 16 e 21 gols, respectivamente), marcando um total de 184 gols, em 174 jogos.
Protagonizou vários episódios memoráveis, nos quais demonstrou garra, versatilidade e, sobretudo, seu imenso amor pelo Fluminense. Por exemplo, em 1925, após nadar a prova de 600m (hoje transformada em 800m livre), vestiu um roupão de banho e rumou de táxi para as Laranjeiras, bem a tempo de jogar contra o São Cristóvão e ganhar o Torneio Início.
Felizmente, o Fluminense soube lhe reconhecer os méritos: além do primeiro título de Grande Benemérito Atleta, conferido em 1952, João Coelho Netto tem um busto nas Laranjeiras e deu seu nome ao ginásio do clube. Em nossos dias, depois de tantas mudanças no mundo do futebol, Preguinho não pode mais representar um exemplo a ser seguido. Mas pode, perfeitamente, servir de parâmetro, sobretudo para os torcedores, quando ouvirmos declarações de amor ao clube ou quando tivermos a oportunidade de aclamar um verdadeiro Herói Tricolor.
Este post é baseado em um texto do livro "Memorias Imortais, Glórias e Heróis da Mitologia Tricolor", publicado por J.T. de Carvalho pela Editora Corifeu.
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