sexta-feira, 25 de junho de 2010
Um Intelectual Tricolor
Tricolores,
Durante os encontros mais recentes do meu grupo, volta e meia alguém se refere ao Antonio, o italianinho da Sardenha que, pelo falatório e por nossas cores, nos confundiu com patrícios seus. O Adionson, por exemplo, tem especial predileção pela tese de que "todo homem é um intelectual" e, modestamente, costuma citar o seu próprio caso. Até o momento, não angariou adesões. Impressionou a todos a rápida compreensão do Antonio de que a causa tricolor se deva expressar em um vasto projeto cultural, com visibilidade e capacidade de influência nos espaços estratégicos da sociedade, sobretudo valorizando o nosso incomparável patrimônio histórico.
A esse respeito, Antonio Carlos comentou que, com um ano de atraso, o Teatro Municipal do Rio de Janeiro acaba de inaugurar uma grande reforma comemorativa do seu centenário. "Pois ninguém, nem o nosso clube, se lembrou de homenagear o ilustre tricolor que escreveu a primeira peça encenada naquele teatro". Diante da curiosidade sobre esse grande nome, ele nos informou, exaltado: "Coelho Neto!". Acreditem, a reação coletiva foi de aplauso. A simples menção desse nome, por sua biografia e sua obra, esclarece o que é o Fluminense e o significado de ser tricolor.
Henrique Maximiano Coelho Neto nasceu em 1864, no interior do Maranhão, e veio para o Rio de Janeiro com a família aos seis anos de idade. Seu espírito irrequieto e a curiosidade intelectual o conduziram ao jornalismo e à vida literária. Em 1890, casou-se com D. Gabi, com quem teve sete filhos. Para manter a família, escrevia cerca de dez horas por dia, em uma rotina que acabou por lhe prejudicar a saúde. Em 1900, doente, viu-se obrigado a vender em leilão os seus móveis, livros, cristais etc. Em 1905, a família alugou uma casa na Rua do Roso, no. 79, esquina com Pinheiro Machado, bem em frente ao Fluminense F.C., tornando-se um apaixonado tricolor. Após sua morte, essa rua passou a se chamar Coelho Neto.
Destemido capoeirista, Coelho Neto encaminhou os filhos para a prática esportiva em nosso clube: Georges e Paulo atuaram no atletismo, Violeta na natação, Emmanuel (o Mano, prematuramente falecido) foi craque no futebol e João, o Preguinho, o maior atleta de toda a História do Fluminense, se destacando na prática de nove modalidades esportivas. A esse respeito, com humildade e bom humor, Coelho Neto dizia: "Já publiquei mais de cem livros, mas sou reconhecido na rua como o pai do Preguinho". Como escritor, seu estilo era criativo e precioso, com o uso frequente de termos raros. Foi convidado por Machado de Assis para ser um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras, da qual viria a ser o nono presidente e pela qual foi indicado ao Premio Nobel de Literatura.
Coelho Neto era cortejado pelos principais jornais do país e, em duas ocasiões, o voto popular o elegeu o "Príncipe dos Prosadores Brasileiros". Em 1899, no Maranhão, recebeu uma homenagem inédita: os estudantes desatrelaram os cavalos de sua charrete e o puxaram até seu destino. No entanto, em torno do início da década de 1920, o autor e sua obra passaram a enfrentar ataques injustos e raivosos. Em princípio, de Lima Barreto, o "homem do povo" e, mais tarde, após o sucesso do movimento modernista de São Paulo, a necessidade de combater nossas melhores tradições o tornou o homem mais atacado do Brasil.
Meu amigo Antonio Carlos fica indignado com as críticas a Coelho Neto: "Maranhense do interior, filho de um português e uma índia, trabalhador dedicado, frequentemente às voltas com dificuldades financeiras, defensor apaixonado da libertação dos escravos, da República, do voto feminino e da preservação da natureza, criador da expressão 'Cidade Maravilhosa', capoeirista, primeiro escritor brasileiro a admitir o futebol em seus textos como atividade saudável e educativa, ele era acusado de ser elitista, arrogante e alienado quando, na verdade, era apenas brilhante".
Coelho Neto não se conformou com a arte pela arte. Soube se valer da palavra escrita ou falada para denunciar e combater, mas também para educar, elogiar e construir. Em 28 de novembro de 1934, esse intelectual tricolor, comprometido com as causas populares e com o progresso, partiu para o outro lado do mistério da vida, onde nos encontramos meus amigos e eu.
J.T de Carvalho escreve todas as sextas
Durante os encontros mais recentes do meu grupo, volta e meia alguém se refere ao Antonio, o italianinho da Sardenha que, pelo falatório e por nossas cores, nos confundiu com patrícios seus. O Adionson, por exemplo, tem especial predileção pela tese de que "todo homem é um intelectual" e, modestamente, costuma citar o seu próprio caso. Até o momento, não angariou adesões. Impressionou a todos a rápida compreensão do Antonio de que a causa tricolor se deva expressar em um vasto projeto cultural, com visibilidade e capacidade de influência nos espaços estratégicos da sociedade, sobretudo valorizando o nosso incomparável patrimônio histórico.
A esse respeito, Antonio Carlos comentou que, com um ano de atraso, o Teatro Municipal do Rio de Janeiro acaba de inaugurar uma grande reforma comemorativa do seu centenário. "Pois ninguém, nem o nosso clube, se lembrou de homenagear o ilustre tricolor que escreveu a primeira peça encenada naquele teatro". Diante da curiosidade sobre esse grande nome, ele nos informou, exaltado: "Coelho Neto!". Acreditem, a reação coletiva foi de aplauso. A simples menção desse nome, por sua biografia e sua obra, esclarece o que é o Fluminense e o significado de ser tricolor.
Henrique Maximiano Coelho Neto nasceu em 1864, no interior do Maranhão, e veio para o Rio de Janeiro com a família aos seis anos de idade. Seu espírito irrequieto e a curiosidade intelectual o conduziram ao jornalismo e à vida literária. Em 1890, casou-se com D. Gabi, com quem teve sete filhos. Para manter a família, escrevia cerca de dez horas por dia, em uma rotina que acabou por lhe prejudicar a saúde. Em 1900, doente, viu-se obrigado a vender em leilão os seus móveis, livros, cristais etc. Em 1905, a família alugou uma casa na Rua do Roso, no. 79, esquina com Pinheiro Machado, bem em frente ao Fluminense F.C., tornando-se um apaixonado tricolor. Após sua morte, essa rua passou a se chamar Coelho Neto.
Destemido capoeirista, Coelho Neto encaminhou os filhos para a prática esportiva em nosso clube: Georges e Paulo atuaram no atletismo, Violeta na natação, Emmanuel (o Mano, prematuramente falecido) foi craque no futebol e João, o Preguinho, o maior atleta de toda a História do Fluminense, se destacando na prática de nove modalidades esportivas. A esse respeito, com humildade e bom humor, Coelho Neto dizia: "Já publiquei mais de cem livros, mas sou reconhecido na rua como o pai do Preguinho". Como escritor, seu estilo era criativo e precioso, com o uso frequente de termos raros. Foi convidado por Machado de Assis para ser um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras, da qual viria a ser o nono presidente e pela qual foi indicado ao Premio Nobel de Literatura.
Coelho Neto era cortejado pelos principais jornais do país e, em duas ocasiões, o voto popular o elegeu o "Príncipe dos Prosadores Brasileiros". Em 1899, no Maranhão, recebeu uma homenagem inédita: os estudantes desatrelaram os cavalos de sua charrete e o puxaram até seu destino. No entanto, em torno do início da década de 1920, o autor e sua obra passaram a enfrentar ataques injustos e raivosos. Em princípio, de Lima Barreto, o "homem do povo" e, mais tarde, após o sucesso do movimento modernista de São Paulo, a necessidade de combater nossas melhores tradições o tornou o homem mais atacado do Brasil.
Meu amigo Antonio Carlos fica indignado com as críticas a Coelho Neto: "Maranhense do interior, filho de um português e uma índia, trabalhador dedicado, frequentemente às voltas com dificuldades financeiras, defensor apaixonado da libertação dos escravos, da República, do voto feminino e da preservação da natureza, criador da expressão 'Cidade Maravilhosa', capoeirista, primeiro escritor brasileiro a admitir o futebol em seus textos como atividade saudável e educativa, ele era acusado de ser elitista, arrogante e alienado quando, na verdade, era apenas brilhante".
Coelho Neto não se conformou com a arte pela arte. Soube se valer da palavra escrita ou falada para denunciar e combater, mas também para educar, elogiar e construir. Em 28 de novembro de 1934, esse intelectual tricolor, comprometido com as causas populares e com o progresso, partiu para o outro lado do mistério da vida, onde nos encontramos meus amigos e eu.
J.T de Carvalho escreve todas as sextas
Comentários:
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ESTE "É" O PAI DO PREGUINHO? CONHECIA OS DOIS, MAS NÃO SABIA DO PARENTESCO.
"SAUDAÇÕES TRICOLORES DO CÉU E DA TERRA!"
DOUGLAS
"SAUDAÇÕES TRICOLORES DO CÉU E DA TERRA!"
DOUGLAS
Douglas, ele é o pai do Preguinho e também do Paulo, nosso grande historiador.
Coelho Neto, escrevia sobre o futebol e sobre o Fluminense, compôs um hino para o clube e, quando achava que o juiz estava de má fé, invadia o campo brandindo seu guarda chuva.
Saudações Tricolores do Céu e da Terra.
Coelho Neto, escrevia sobre o futebol e sobre o Fluminense, compôs um hino para o clube e, quando achava que o juiz estava de má fé, invadia o campo brandindo seu guarda chuva.
Saudações Tricolores do Céu e da Terra.
Aqui no Maranhão, existe uma cidade chamada Coelho Netto em homenagem ao mesmo, citado no texto. Grande tricolor e maranhense, assim como eu... Com uma infancia parecida.
Ocupou a segunda cadeira na academia de letras brasileira!
Ocupou a segunda cadeira na academia de letras brasileira!
Lucas, obrigado por seu comentário.
Na verdade, a grafia correta é como você fez, com dois "tt", Coelho Netto.
Aqui no Rio, esse grande maranhense deu nome a uma estação de trem, onde existe uma estátua, obra do escultor português Pinto do Couto.
Muito pouco, não é? Nosso clube deveria zelar mais pela memória dos tricolores ilustres.
Saudações Tricolores.
Na verdade, a grafia correta é como você fez, com dois "tt", Coelho Netto.
Aqui no Rio, esse grande maranhense deu nome a uma estação de trem, onde existe uma estátua, obra do escultor português Pinto do Couto.
Muito pouco, não é? Nosso clube deveria zelar mais pela memória dos tricolores ilustres.
Saudações Tricolores.
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