sábado, 5 de junho de 2010
Mario....que Mario?

Tricolores,
Não sei se estão todos a par de uma das tantas frases do Adionson (antigo parceiro e neo-repórter aqui do grupo) sobre a vocação tricolor para todas as vitórias: "O Fluminense nunca perde: ganha, empata ou é roubado". Mesmo consideradas as generosas doses de paixão e parcialidade da declaração, as rodadas iniciais do atual Campeonato Brasileiro têm dado repetidas demonstrações da tese do meu controvertido amigo.
No domingo passado, após a brilhante virada em Belo Horizonte, João Paulo e eu nosdemoramos a comentar as conveniências de uma arbitragem isenta, a enumerar os "erros" e as "infelicidades" de árbitros e assistentes, notórios e reincidentes, e acabamos por chegar um pouco atrasados à reunião do nosso grupo tricolor.
Encontramos o ambiente em total animação. A conversa dos amigos oscilava entre a escolha do repertório (a cargo do Angenor), aspectos da decoração, a conveniência de incluir algum discurso ou saudação (o Stanislaw considerava uma chatice) etc. Tratava-se claramente da organização de uma festa, mas não percebíamos porque ou para quem, quando o Antonio Carlos explicou: "Hoje é dia 30 de maio, é o aniversário de oito anos da chegada do Mario!". Em sua santa ingenuidade, o João Paulo deixou escapar a pergunta descuidada: "Mario... que Mario?". "O Mario da Amélia", esclareceu com educação o próprio Antonio Carlos.
De fato, vejam que distração, em 2002, aqui chegava o Mario Lago: advogado, compositor, escritor, poeta, teatrólogo, radialista, ator e, evidentemente, torcedor do Fluminense. Se me permitem, vou resumir o que os amigos comentaram sobre este grande tricolor.
Mario nasceu em 1911, filho único de um maestro e neto de músicos. Por influência do avô materno, começou a frequentar os chopes da Lapa , onde conheceu a vida cultural da época. Talvez por isso, tenha abandonado o projeto de se tornar pianista clássico, em troca da música popular e da vida boêmia. "A Lapa foi o chão de todos os meus passos. Na busca de caminhos e no encontro de atalhos... Conheci-a em muitas relidades e em diversos tempos", declarou certa vez. Mário foi sempre um amante das letras e começou sua vida artistica na poesia, com o primeiro poema publicado aos 15 anos. Chegou a se graduar em Direito, mas a música o levou para o ambiente do teatro.
Como radialista trabalhou em várias emissoras e foi responsável por muitos programas e novelas. Suas composições - como a marcha carnavalesca "Aurora" e os sambas "Fracasso", "Ai, que saudades da Amélia" e "Atire a primeira pedra" – consolidaram uma imensa popularidade. Em 1964, foi um dos primeiros nomes da lista de perseguidos pela ditadura militar, sendo cassado e afastado de suas funções na Rádio Nacional. Na televisão, começou na TV Rio, com o programa "Câmera-Um". Em 1966, foi contratado pela TV Globo, onde atuou em dezenas de novelas. Participou de vários filmes e publicou cinco livros. Gilberto Gil lhe dedicou a música "O mar e o lago" e a escola de samba Acadêmicos de Santa Cruz o homenageou no carnaval de 2001.
Aos 90 anos de idade, na última entrevista ao Jornal do Brasil, Mário Lago revelou estar escrevendo uma autobiografia, e se mostrava confiante em atingir a marca centenária. "Fiz um acordo com o tempo", explicou, "nem ele me persegue, nem eu fujo dele. Um dia a gente se encontra". De modo traiçoeiro, um enfisema pulmonar intrometeu-se neste pacto, promovendo o encontro indesejado e interrompendo sua brilhante e produtiva trajetória. Mario Lago foi a perfeita tradução do que significa a expressão "elite tricolor": boêmio e trabalhador, gentil e combativo, sedutor e ético, elegante e com forte identidade popular. Quando chegou o momento da derradeira viagem, familiares, amigos e incontáveis fãs acorreram ao Teatro João Caetano para se despedir e cantar seus grandes sucessos, acompanhados pela Velha Guarda da Mangueira. Autoridades, partidos políticos e movimentos sociais apresentaram diferentes pavilhões em sua homenagem. Com maior destaque entre todos, Mario Lago partiu envolto na gloriosa bandeira do Fluminense Football Club.
Comentários:
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Pela imensidão desta alma tricolor eterna, sugiro se somar todas as águas do mundo para definir este apaixonado pelo Fluzão: "Mar - rio - lago"!
Pescou? rs
Saudações Tricolores do Céu e da Terra!
Douglas
Pescou? rs
Saudações Tricolores do Céu e da Terra!
Douglas
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