terça-feira, 18 de maio de 2010
Na ponta esquerda, Rui Barbosa
Tricolores,
Para os que ainda não estão familiarizados com o meu grupo, devo advertí-los da nossa inesgotável capacidade de discutir temas imprevisíveis, utilizar informações e argumentos pouco convencionais e, por fim, identificar sempre uma maneira de relacioná-los ao Fluminense. Ainda outro dia, falávamos da tensão em torno do programa nuclear do Irã, mas a conversa se deteve sobre a beleza de sua bandeira tricolor! Paciência, somos assim. Ontem, o Antonio Carlos se queixava de que nosso time tem jogado meio torto, de que só é ofensivo pela direita, o que nos trouxe à lembrança os ponteiros esquerdos que já vestiram nossa camisa. Falamos de Tato, Paulinho Carioca, Zezé, Paulo Cesar Caju, Mario Sérgio, Zé Roberto, Lula, Gilson Nunes, Escurinho e tantos outros. Os nomes começavam a escassear, quando o Stanislaw lembrou entusiasmado: "Rui Barbosa!". Perplexidade geral.
Reconhecidamente, o baiano Rui foi uma das maiores inteligências da história do nosso país. Nascido em 1849, consta que aos cinco anos de idade já tinha seu talento admirado pelos professores. Aos onze anos, o mestre ginasiano mandou chamar seu pai para informar que nada mais lhe tinha a ensinar. Concluído o curso, ainda sem idade para entrar na faculdade, passou o ano estudando alemão. Antonio Carlos nos contou que no auge da campanha abolicionista, José do Patrocínio escreveu: "Deus acendeu um vulcão na cabeça de Rui Barbosa” e, proclamada a República, D. Pedro II teria constatado: "Nas trevas que caíram sobre o Brasil, a única luz que alumia é o talento de Rui Barbosa”. Rui foi membro fundador da Academia Brasileira de Letras, e recebeu de Joaquim Nabuco a seguinte definição: "Rui Barbosa, a mais poderosa máquina cerebral do nosso país". Em 1907, ao representar o Brasil na Conferência de Haia, na Holanda, recebeu a consagração mundial e se tornou a "Águia de Haia".
Apesar destas e de inúmeras outras qualificações, não consta que o baiano jogasse ou sequer apreciasse futebol. Em 1916, quando a seleção brasileira foi disputar o primeiro campeonato sulamericano, em Buenos Aires, havia escassez de navios devido à I Guerra Mundial. A única embarcação disponível era o "Júpiter", fretado para conduzir a delegação brasileira que participaria do Congresso do Centenário de Independência da Argentina. Por se destinar a tão restrito número de passageiros, o “Júpiter” tinha apenas um terço dos seus camarotes ocupados, o que sugeriu ao Ministro do Exterior propiciar uma oportuna carona aos jogadores brasileiros. Rui Barbosa, chefe da comitiva diplomática, vetou a idéia de modo categórico: "Eu, minha família e meus auxiliares não viajamos com essa corja de malandros". Que diferença, hein? Com o tempo, a “corja de malandros" se transformaria na "pátria de chuteiras". Mas o fato é que a recusa de Rui obrigou nossa seleção a viajar de trem e a chegar em Buenos Aires apenas cinco dias antes da abertura do campeonato, vencido pelo Uruguai.
Feita a síntese da imensa capacidade intelectual de Rui Barbosa - e o registro do preconceito então predominante com relação ao futebol e a seus praticantes -, restava entre nós a questão fundamental, a pergunta intrigante: "Mas e a ponta-esquerda? Rui Barbosa vestiu mesmo a camisa 11 tricolor?". O Stanislaw nos explicou tudo mas, para não cansá-los, contarei na próxima sexta-feira.
Para os que ainda não estão familiarizados com o meu grupo, devo advertí-los da nossa inesgotável capacidade de discutir temas imprevisíveis, utilizar informações e argumentos pouco convencionais e, por fim, identificar sempre uma maneira de relacioná-los ao Fluminense. Ainda outro dia, falávamos da tensão em torno do programa nuclear do Irã, mas a conversa se deteve sobre a beleza de sua bandeira tricolor! Paciência, somos assim. Ontem, o Antonio Carlos se queixava de que nosso time tem jogado meio torto, de que só é ofensivo pela direita, o que nos trouxe à lembrança os ponteiros esquerdos que já vestiram nossa camisa. Falamos de Tato, Paulinho Carioca, Zezé, Paulo Cesar Caju, Mario Sérgio, Zé Roberto, Lula, Gilson Nunes, Escurinho e tantos outros. Os nomes começavam a escassear, quando o Stanislaw lembrou entusiasmado: "Rui Barbosa!". Perplexidade geral.
Reconhecidamente, o baiano Rui foi uma das maiores inteligências da história do nosso país. Nascido em 1849, consta que aos cinco anos de idade já tinha seu talento admirado pelos professores. Aos onze anos, o mestre ginasiano mandou chamar seu pai para informar que nada mais lhe tinha a ensinar. Concluído o curso, ainda sem idade para entrar na faculdade, passou o ano estudando alemão. Antonio Carlos nos contou que no auge da campanha abolicionista, José do Patrocínio escreveu: "Deus acendeu um vulcão na cabeça de Rui Barbosa” e, proclamada a República, D. Pedro II teria constatado: "Nas trevas que caíram sobre o Brasil, a única luz que alumia é o talento de Rui Barbosa”. Rui foi membro fundador da Academia Brasileira de Letras, e recebeu de Joaquim Nabuco a seguinte definição: "Rui Barbosa, a mais poderosa máquina cerebral do nosso país". Em 1907, ao representar o Brasil na Conferência de Haia, na Holanda, recebeu a consagração mundial e se tornou a "Águia de Haia".
Apesar destas e de inúmeras outras qualificações, não consta que o baiano jogasse ou sequer apreciasse futebol. Em 1916, quando a seleção brasileira foi disputar o primeiro campeonato sulamericano, em Buenos Aires, havia escassez de navios devido à I Guerra Mundial. A única embarcação disponível era o "Júpiter", fretado para conduzir a delegação brasileira que participaria do Congresso do Centenário de Independência da Argentina. Por se destinar a tão restrito número de passageiros, o “Júpiter” tinha apenas um terço dos seus camarotes ocupados, o que sugeriu ao Ministro do Exterior propiciar uma oportuna carona aos jogadores brasileiros. Rui Barbosa, chefe da comitiva diplomática, vetou a idéia de modo categórico: "Eu, minha família e meus auxiliares não viajamos com essa corja de malandros". Que diferença, hein? Com o tempo, a “corja de malandros" se transformaria na "pátria de chuteiras". Mas o fato é que a recusa de Rui obrigou nossa seleção a viajar de trem e a chegar em Buenos Aires apenas cinco dias antes da abertura do campeonato, vencido pelo Uruguai.
Feita a síntese da imensa capacidade intelectual de Rui Barbosa - e o registro do preconceito então predominante com relação ao futebol e a seus praticantes -, restava entre nós a questão fundamental, a pergunta intrigante: "Mas e a ponta-esquerda? Rui Barbosa vestiu mesmo a camisa 11 tricolor?". O Stanislaw nos explicou tudo mas, para não cansá-los, contarei na próxima sexta-feira.
Comentários:
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Pois é, Douglas. É que nós aqui temos toda a eternidade para concluir nossas conversas.
"Saudações Tricolores do Céu e da Terra".
"Saudações Tricolores do Céu e da Terra".
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