sexta-feira, 23 de abril de 2010

Stanislaw e Angenor

Tricolores,

Gostaria de falar sobre dois participantes muito assíduos das reuniões aqui do nosso grupo: Stanislaw e Angenor. Justifico lhes ocupar o tempo com a apresentação destes amigos por considerá-los representantes exemplares da diversidade apenas aparente da imensa torcida tricolor. Se temos a nos separar vastas distâncias geográficas e diferenças de gênero, etnia, opção religiosa, inserção social etc., compartilhamos uma essência comum, uma visão de mundo, uma singular maneira de ser que aproxima, identifica e relaciona brasileiros tão diversos como, por exemplo, esses dois.

Angenor chegou aqui ao grupo em 1980. Ele nasceu no Catete, 6 anos e alguns meses depois do Fluminense, aos 11 anos se mudou para a Rua das Laranjeiras e, sempre que podia, assistia aos treinos de um time que tinha Marcos Carneiro de Mendonça, Machado, Mano, Welfare e outros craques. Tempos depois, se mudou para o morro da Mangueira, mas o sentimento tricolor já se tornara indestrutível. Segundo conta, "Os tempos idos / Nunca esquecidos / Trazem saudades ao recordar / É com tristeza que eu relembro / Coisas remotas que não vêm mais".

Lá pelo início da década de 50, Angenor passou por uma fase difícil. Pouco se sabe dos detalhes, mas o certo é que ficou muito mal após a morte de sua companheira e acabou por brigar com os amigos. Afastou-se de todos, desapareceu, especulava-se que houvesse morrido. De temperamento discreto, ele jamais esclareceu o que se passou. O máximo que já lhe ouví dizer foi: "Lembro dos tempos de outrora /, Que quase me roubam / A esperança e a fé / Não vou culpar os amigos / Fingidos que outrora eu tive / Na vida / Nem vou dizer / Que a razão do fracasso / Se prende a batalhas perdidas".

Stanislaw chegou aqui muito novo, em 1968: coração. Pudera! Este tricolor é jornalista, escritor, radialista, humorista, crítico musical, show man e - o que também lhe consumia muita energia - mulherólogo. Sua tia Zulmira e o primo Altamirando ficaram muito sentidos com a sua partida, mas para nós foi o início de uma festa permanente. Extremamente amável, educado e bem humorado, Stanislaw é inimigo jurado do politicamente correto, da burrice, do autoritarismo e de outras "coisas nossas".

Stanislaw e Angenor já se conheciam – literalmente - de outros carnavais, mas foi em 1956 que se deu o reencontro histórico e definitivo: casualmente, Stanislaw reconheceu Angenor lavando carros, na orla da Zonal Sul do Rio de Janeiro. Alma generosa e extremamente comprometido com a cultura popular, não teve dúvida em promover a volta por cima do amigo. Levou-o a programas de rádio e estimulou-o a compor novos sambas, que lhe proporcionaram a gravação de seu primeiro LP.

Em 1964, Angenor e sua nova companheira abriram um bar-restaurante-casa de espetáculos na rua da Carioca, com um farto cardápio de sambas e comidas de primeira. No final de 1969, o presidente Francisco Laport reuniu toda a diretoria do Fluminense para homenageá-lo com um almoço. Em 1975, para promover a estréia de Rivelino, o presidente Francisco Horta subiu o morro de Mangueira e pediu a ajuda de Angenor para o lançamento da Torcida Manga-Flu. No sábado de carnaval, diante de mais de 70 mil tricolores e 120 ritmistas da Estação Primeira, o Fluminense venceu o Coríntians por 4 x 1, com três gols de Rivelino.
Stanislaw e Angenor: dois brasileiros geniais, imprescindíveis, imortais. Em suma, dois típicos tricolores.

Comentários:
MUITO PRAZER EM CONHECE-LOS...

SAUDAÇÕES TRICOLORES DO CÉU E DA TERRA!

DOUGLAS
 

Postar um comentário

Assinar Postar comentários [Atom]





<< Página inicial

Assinar Comentários [Atom]