sexta-feira, 2 de abril de 2010
A benção, João Paulo

Tricolores,
Há exatos cinco anos, em um outro dia dois de abril, um mesmo episódio terá entristecido um grande número de pessoas, mas foi motivo de imensa alegria para o meu grupo: a chegada do amigo João Paulo. Em princípio, o Stanislaw – espírito boêmio, livre pensador – lhe fez restrições, por conta de algumas opiniões muito conservadoras. Em pouco tempo, no entanto, sua permanente simpatia e o amor pelo Fluminense contagiaram a todos e, hoje, ele é uma das figuras mais queridas daqui. João Paulo nasceu em 1920, na Polônia, perdeu a família muito cedo, teve uma vida longa e venturosa, mas não vou cansá-los com detalhes biográficos e passo direto ao nosso ponto. Meu amigo fez quatro visitas ao Brasil e estou certo de que, pelo menos em dois sentidos, esta experiência o marcou profundamente. Espírito místico, a religião sempre teve uma importância cardeal em sua vida e o contato com o rico sincretismo brasileiro haveria de influenciá-lo. Com a fama de ter sido um milagroso goleiro no time amador de sua cidade, João Paulo desenvolveu uma paixão correspondida pelo Fluminense e por sua torcida.
Suponho que todos estão cientes do ocorrido mas, em homenagem aos 30 anos da conversão deste amigo à causa tricolor, me permito recordá-los. Em 1980, o Fluminense iniciou o Campeonato Carioca como aparente coadjuvante. O Vasco nos havia tirado o técnico Zagallo, contratara Paulo César Caju e recém chegara da Europa com o Troféu Juan Gamper. O clube de regatas da Gávea, o grande favorito, era dirigido pelo tecnocrata Claudio Coutinho e viera da Espanha com Luís Pereira e o Troféu Ramón de Carranza. O Fluminense contava com Nelson Rosa Martins - o Nelsinho, técnico do Madureira na temporada anterior -, o meia Gilberto (uma promessa vinda do Atlético Goianiense), o consagrado centroavante Claudio Adão e mais nove jogadores da nossa base. Apesar disso, decidimos o primeiro turno com o Vasco da Gama: 1 x 1 no tempo normal. Em meio à tensa série de pênaltis, ocorreu à nossa torcida apelar ao personagem ilustre que há poucos meses nos visitara, e cantou a música em homenagem a João Paulo, da autoria de Péricles de Barros. Resultado: Paulo Goulart defendeu duas cobranças; 4 x 1 para nós.
O segundo turno foi ganho pelo Vasco e a equipe rubronegra se deixou eliminar pelo Serrano: 1 x 0, gol de Anapolina(!). Na decisão do Campeonato, o placar insistia em um teimoso 0 x 0. Quase 110 mil vascaínos e tricolores se mantinham em permanente supense quando, aos 22 minutos do segundo tempo, Guina faz falta em Mário. Enquanto o vascaíno é advertido com cartão amarelo, Edinho pega a bola, ajeita confiante, mas o zagueiro Orlando Lelé faz a provocação: "Essa aí vai na arquibancada". Mais uma vez, a torcida tricolor apela a João Paulo e volta a entoar sua canção. O efeito é fulminante: Edinho desfere um petardo, a bola bate no chão, no peito de Mazaroppi, na trave e vai descansar no fundo das redes. Gol! Fluminense campeão! Claudio Adão é o artilheiro do campeonato; Gilberto, a revelação; Edinho, o herói do título e João Paulo, o herói da torcida. Tempos depois, ainda lhe prestaríamos uma surpreendente homenagem. Após um amistoso beneficente entre as seleções do Brasil e da Itália, realizado na cidade de Udine, a delegação brasileira foi visitá-lo. Na hora da foto, a pronta intervenção do nosso Ximbica possibilitou o registro histórico: João Paulo e a camisa tricolor.
Depois de aqui chegar, livre da liturgia de suas funções terrenas, João Paulo assumiu radicalmente o misticismo e a paixão clubística. Meu amigo tem a absoluta convicção de que basta soar o apito inicial de uma partida do clube de coração para que qualquer cético apele às mais variadas forças sobrenaturais: “Nas arquibancadas, não existem ateus”, afirma taxativo. Modesto, ainda recentemente, quando lhe foi atribuído o milagre pela reação do Time de Guerreiros, minimizou: “Dei só uma mãozinha”. Não desejo fazer confidências comprometedoras sobre meu amigo, mas não resisto a revelar apenas uma de suas reações em que a religiosidade e a paixão tricolor se misturam em doses elevadas. Sempre que a nossa defesa está em dificuldades com o ataque adversário, quando a bola ronda perigosamente nossa baliza, João Paulo tem o hábito de se benzer mas, ao invés do tradicional “Em nome do Pai...”, ele apela à Trindade Tricolor: “Castilho, Píndaro e Pinheiro; Castilho, Píndaro e Pinheiro...”, sussurra repetidas vezes. Se confundimos sua nacionalidade e o incluímos entre os brasileiros do grupo, ele se ergue solene e faz a correção: “Brasileiro é o chefe, eu sou polonês; mas o Fluminense é a minha segunda Pátria”.
J.T de Carvalhos escreve às terças e sextas.
Comentários:
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Conheço gente que, em todo jogo, está com uma foto dele nas mãos... quando o Flu perde (ou melhor, é roubado) chega até a se zangar com nosso amigo tricolor!
JT, é bom lembrar que em 1980, a Taça Guanabara foi uma competição à parte. E ficamos em último lugar, comandado pelo Zagalo, que sempre dizia que o time não precisava de reforços. Quando o ganhava o mérito era dele e quando perdia, o time era fraco. No primeiro turno do campeonato o Flu trouxe o Nelsinho, um dos melhores técnicos do futebol brasileiro. E se reforçou com Claudio Adão e Gilberto e nos tornamos campeões sob a benção do Papa. Inesquecível!
Estou maravilhado e honrado de participar, mesmo que ainda de longe, deste fantástico bate-papo divino!
SAUDAÇÕES TRICOLORES DO CÉU E DA TERRA!
Douglas
SAUDAÇÕES TRICOLORES DO CÉU E DA TERRA!
Douglas
Tricolores, obrigado pelos comentários. Escrevam sempre.
O Fernando tem razão, em 1980 a Taça GB foi disputada como um torneio à parte, antes do Campeonato Carioca. E você sabe, Fernando, qual o nome da taça do campeão 1o. turno? João Coelho Netto, o nosso Preguinho! Ou seja, tínhamos a obrigação de ganhar. Nenhum outro clube mereceria ter uma taça com este nome.
Como disse o Douglas: Saudações Tricolores do Céu e da Terra!
O Fernando tem razão, em 1980 a Taça GB foi disputada como um torneio à parte, antes do Campeonato Carioca. E você sabe, Fernando, qual o nome da taça do campeão 1o. turno? João Coelho Netto, o nosso Preguinho! Ou seja, tínhamos a obrigação de ganhar. Nenhum outro clube mereceria ter uma taça com este nome.
Como disse o Douglas: Saudações Tricolores do Céu e da Terra!
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