<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-7901359081638881807</id><updated>2011-08-02T19:43:10.046-03:00</updated><title type='text'>J.T DE CARVALHO</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7901359081638881807/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>NETFLUBLOGS</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00877928506777997493</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_rSeQPHUphds/TFR6wOKOA9I/AAAAAAAAAEg/LLWtApMwTHc/S220/foto+nova+-+comunidade.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>44</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7901359081638881807.post-6833309029948065457</id><published>2010-10-27T15:47:00.004-02:00</published><updated>2010-10-28T14:36:14.271-02:00</updated><title type='text'>De Vicentino a Simoni</title><content type='html'>Tricolores,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa semana, encontrei meus amigos em grande agitação e o motivo prontamente esclarecido foi a notícia de que o admirado Dr. Michael Simoni passou a ser nosso companheiro na bancada de blogueiros do NETFLU. Grande honra, muito justa a alegria, quase tudo perfeito...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Digo "quase" e já explico. Os tricolores aqui da minha turma julgaram que, ao ter tão eminente ortopedista quase como um vizinho de porta, se poderiam conceder o luxo de importuná-lo com solicitações de exames, indicações terapêuticas etc. Ao consultar o papel que o Adionson tinha em mãos - que eu julgara ser uma saudação de boas vindas -, constatei um impressionante conjunto de problemas osteoarticulares, capaz de não fazer feio frente a qualquer Tratado de Ortopedia. Após certa relutância, todos admitiram que, desse modo, o grande médico tricolor talvez desistisse da função antes mesmo de assumí-la, e concordamos em homenageá-lo ao nosso modo mais característico: recordar fatos da nossa história que, pelo pioneirismo e eficiência, nos reforçam o orgulho de ser tricolor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como talvez saibam, por longos anos, o jogador de futebol não tinha acesso a qualquer tipo de assistência médica. Alguns clubes contavam com um tipo de massagista improvisado, sem qualquer formação técnica. Valendo-se basicamente de seus músculos avantajados, esses curiosos - que, eventualmente, acumulavam a função de roupeiros - adotavam uma solução universal para qualquer lesão que não sangrasse: a fricção local. Tratava-se de uma enérgica intervenção sobre a região contundida, com limitadíssima possibilidade de melhora e grande potencial de agravamento do problema. Em 1917, segundo consta no Relatório da Diretoria, o Fluminense esboçou a criação de um espaço físico para prestar assistência médica aos jogadores, mas a iniciativa não prosperou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1937, sete anos após a fundação da Escola de Educação Física do Exército, o seu Curso de Especialização em Medicina Esportiva formou o primeiro médico nessa especialidade: Vicentino, um atacante do Fluminense. A partir de 1933, e durante cinco anos, Vicentino vestira a camisa tricolor em 98 partidas, fizera 71 gols e fora o nosso principal artilheiro nos campeonatos de 1933, 34 e 35. Convencido da impossibilidade de conciliar indefinidamente os gramados com a Medicina, ele abandonou as chuteiras, mas não o futebol e, menos ainda, o Fluminense. Especializado em Ortopedia, Vicentino - aliás o Dr. Vicente Rondinelli -, se dedicou também à Medicina Esportiva e, em 1937, com o apoio do presidente Alaor Prata, criou a Seção de Serviços Médicos do Fluminense Football Clube. Essa contribuição pioneira do nosso clube para o futebol brasileiro (mais uma!), teve em Vicente Rondinelli seu Patrono e em Michael Simoni um dos nomes que a dignificou.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7901359081638881807-6833309029948065457?l=jtcarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/feeds/6833309029948065457/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/2010/10/de-vicentino-simoni.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7901359081638881807/posts/default/6833309029948065457'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7901359081638881807/posts/default/6833309029948065457'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/2010/10/de-vicentino-simoni.html' title='De Vicentino a Simoni'/><author><name>NETFLUBLOGS</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00877928506777997493</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_rSeQPHUphds/TFR6wOKOA9I/AAAAAAAAAEg/LLWtApMwTHc/S220/foto+nova+-+comunidade.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7901359081638881807.post-4282005529744246247</id><published>2010-10-15T19:33:00.000-03:00</published><updated>2010-10-15T19:36:20.587-03:00</updated><title type='text'>Preto no Branco</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify; font-family: trebuchet ms;"&gt;Tricolores,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na semana passada, lhes contei a conversa de meus amigos sobre as origens do pó-de-arroz, que se estendeu prolongadamente. Em síntese, dois aspectos se destacaram: a estupidez do preconceito de cor e a manipulação de fatos históricos, capaz de transformar o Fluminense em símbolo quase exclusivo de uma distorção presente, naquela época, em toda a vida nacional. Com relação ao primeiro aspecto, o Antonio Carlos – nosso maestro soberano – contou o caso do Sr. Luiz Antônio Feliciano Marcondes, que os cientistas concluiram ser portador de 67% de genes de origem européia. Como se trata do simpático sambista Neguinho da Beija Flor, o resultado produziu enorme surpresa, inclusive nele próprio. A explicação dos pesquisadores foi simples: “Os genes que determinam a cor da pele são uma parte ínfima do conjunto de genes de uma pessoa”. Ou seja: existe uma única raça humana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Angenor e o Adionson – negros com muito orgulho e tricolores de coração – conduziram a conversa para um aspecto que lhes causa especial indignação: por que o Fluminense recebeu, com exclusividade, o rótulo de clube preconceituoso? Por que clubes que se beneficiaram da condição socialmente inferior de negros e mulatos, ficaram com a fama de populares e igualitários? O assunto conduziu ao Clube de Regatas Vasco da Gama, fundado em 1899, por sessenta e dois portugueses, comerciantes em sua maioria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1913, uma seleção portuguêsa veio ao Rio enfrentar o Botafogo, na inauguração do campo de General Severiano. A colônia se animou e, no ano seguinte, fundou o Lusitânia, um clube de futebol exclusivo para os patrícios. Essa discriminação se revelou uma péssima idéia, porque os impediu de atingir seu objetivo maior: disputar o Campeonato Carioca. A solução natural foi unir-se ao Vasco que, embora basicamente português, aceitava brasileiros. Assim, por acaso, meio sem querer, nasceu o futebol vascaíno. Em 1923, apenas sete anos após a estréia na terceira divisão, o clube chegou à divisão principal. Seus jogos no Campeonato repetiam uma rotina invariável: o Vasco começava jogando pior, até perdendo, mas no segundo tempo reagia e vencia. Qual o segredo da fulminante estratégia do “time da virada”?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muito simples. Em plena vigência do amadorismo, enquanto os outros grandes times do Rio eram formados por estudantes, médicos, advogados etc. (que treinavam só às quintas-feiras e jogavam aos domingos), o Vasco tinha um time de verdadeiros jogadores de futebol. Recrutados no imenso contingente de desocupados e trabalhadores de baixa renda, esses homens não faziam outra coisa na vida a não ser treinar e jogar. Para burlar a legislação, o Vasco os empregava nos estabelecimentos comerciais da colônia portuguesa, e ainda lhes dava casa (com a criação de uma moradia coletiva, a concentração), comida (nos restaurantes portugueses) e gratificação por produtividade (o “bicho”, arrecadado entre os comerciantes). Desse modo, montou seu time titular – com três negros, um mulato e sete brancos pobres – e massacrou os adversários. Para ser “contratado”, era preciso já ser bom jogador. O Vasco não formava jogadores negros e mulatos, ele os achava nas peladas e nos clubes pequenos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A experteza vascaína não pode ser confundida com a justa valorização do negro ou com a luta abolicionista no Brasil, na qual brilharam tricolores ilustres, como Coelho Netto. Já implantada na Inglaterra desde 1895 e na Argentina desde 1931, a profissionalização do jogador de futebol chegou ao Brasil em 1933, sob a forte liderança do Fluminense Football Club. Dez anos após a utilização do chamado “amadorismo marrom”, essa conquista criou um importante mercado de trabalho para os mais pobres e uma fabulosa oportunidade de ascenção social.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7901359081638881807-4282005529744246247?l=jtcarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/feeds/4282005529744246247/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/2010/10/preto-no-branco.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7901359081638881807/posts/default/4282005529744246247'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7901359081638881807/posts/default/4282005529744246247'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/2010/10/preto-no-branco.html' title='Preto no Branco'/><author><name>NETFLUBLOGS</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00877928506777997493</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_rSeQPHUphds/TFR6wOKOA9I/AAAAAAAAAEg/LLWtApMwTHc/S220/foto+nova+-+comunidade.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7901359081638881807.post-1647670066445124190</id><published>2010-10-08T15:28:00.004-03:00</published><updated>2010-10-11T18:22:27.368-03:00</updated><title type='text'>A Origem</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_rSeQPHUphds/TK9kv4Hq52I/AAAAAAAAAGU/LGTMeEzAdsg/s1600/po.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 256px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_rSeQPHUphds/TK9kv4Hq52I/AAAAAAAAAGU/LGTMeEzAdsg/s400/po.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5525746041488074594" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Tricolores,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao longo de nossa história, a torcida tricolor tem dado sucessivas demonstrações de criatividade. Embora bem maior do que teimam em registrar pesquisas cujas metodologias nunca são muito claras, com certeza não somos os mais numerosos. Nem poderíamos. Não é simples formar um tricolor. Alguns de nós somos fruto de um longo processo de depuração, coisa de gerações; outros, são o produto de um esforço concentrado, que exigiu firmeza de princípios e convicções inabaláveis. Em suma, não cabe afobação ou improviso. Trata-se de um grupo com características diferenciadas, cuja sensibilidade para apoiar o time nos momentos difíceis - quando outras torcidas teriam aprofundado a crise -, a capacidade de reverter episódios inicialmente negativos, são demonstrações da grandeza da nossa gente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse consenso surgiu aqui na minha turma durante a conversa sobre a manipulação de um episódio menor e de um rótulo inicialmente pejorativo que nos impuseram, e que nossa torcida, em sua vasta sabedoria,  soube reverter por completo. Como perceberam, me refiro à origem do pó-de-arroz. Muitos já ouviram a história, mas talvez não conheçam os detalhes. Em 1914, o America se achava em grave crise, que o levou a perder dezenas de sócios, conselheiros e jogadores. Cerca de doze deles tomaram o caminho do Fluminense, entre os quais, os irmãos Carneiro de Mendonça: Fábio, Luiz Henrique e o grande Marcos! Nesse grupo, achava-se também Carlos Alberto Fonseca Neto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carlos Alberto não era negro, mas um mulato claro, o primeiro a vestir a camisa tricolor. É simplório e equivocado se dizer que, "naquele tempo, havia racismo no Fluminense", quando o problema era muito mais grave. O odioso preconceito de cor permeava toda a sociedade brasileira, de longa tradição escravagista, e se expressava, por exemplo, no comportamento de todos os clubes com sede na zona sul do Rio de Janeiro. Todos, sem exceção. Intimidado por esse ambiente hostil, muito antes de chegar ao Fluminense, Carlos Alberto adotava a prática de passar pó-de-arroz no rosto, antes de entrar em campo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em São Paulo, o famoso Friedenreich - El Tigre, como era chamado -, um mulato bem claro, de olhos verdes, tentava esconder sua etnia alisando o cabelo. Primeiro untava-o com brilhantina; depois, com o pente, puxava-o para trás e, a seguir, amarrava a cabeça com uma toalha, numa espécie de turbante. Toda essa operação precisava ser realizada durante a preliminar, pouco antes do jogo começar ou o resultado se perderia antes do final da partida. Muitas vezes, finalizando seus preparativos, Friedenreich atrasava a entrada do time em campo e, quase sempre, era o último jogador a pisar o gramado. O que parecia uma jogada promocional, era apenas o resultado de suas manobras capilares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas e Carlos Alberto? Se ele já usava pó-de-arroz como jogador do America, por que não havia repercussão? Por que os americanos não foram chamados de "pó-de-arroz"? Cabe recordar dois aspectos: primeiro, ele era um reserva; segundo, jogava no America. Era quase um anônimo, portanto. Tão logo passou a jogar – algumas vezes - no time principal do Fluminense, o antigo hábito ganhou súbita e incontrolável notoriedade. Surgiram versões de que nossa Diretoria teria imposto essa condição para que Carlos Alberto vestisse a camisa tricolor, e as torcidas adversárias passaram a nos chamar de "pó-de-arroz". Toda vez que isso ocorria, ofendiam-se e brigavam tricolores de todas as etnias e condições sociais, ombro-a-ombro, sem distinção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis a verdade: nunca houve qualquer interferência do clube ou ação alheia à vontade do próprio jogador, que já cultivava a exótica maquiagem antes de chegar à rua Álvaro Chaves. Além disso, era uma costumeira provocação entre as maiores torcidas da época, se chamar de “pó-disso” ou "pó-daquilo": os rubro-negros eram "pó-de-mico"; os vascaínos, "pó-da-pérsia", um remédio para vermes muito popular no início do século XX. E quando alguém queria ofender um tricolor, vinha logo com um "pó-de-arroz". Pensando melhor, pó-de-arroz era coisa fina, custava caro, cheirava bem, e a nossa torcida teve mérito de dar a volta por cima e incorporar o simpático e pacífico item à tradição tricolor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7901359081638881807-1647670066445124190?l=jtcarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/feeds/1647670066445124190/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/2010/10/origem.html#comment-form' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7901359081638881807/posts/default/1647670066445124190'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7901359081638881807/posts/default/1647670066445124190'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/2010/10/origem.html' title='A Origem'/><author><name>NETFLUBLOGS</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00877928506777997493</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_rSeQPHUphds/TFR6wOKOA9I/AAAAAAAAAEg/LLWtApMwTHc/S220/foto+nova+-+comunidade.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_rSeQPHUphds/TK9kv4Hq52I/AAAAAAAAAGU/LGTMeEzAdsg/s72-c/po.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7901359081638881807.post-7873849187630249799</id><published>2010-10-04T19:00:00.001-03:00</published><updated>2010-10-04T19:03:53.811-03:00</updated><title type='text'>Nas Ondas do Rádio</title><content type='html'>Tricolores,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqueles que nos dão a honra de acompanhar as conversas e recordações do meu grupo de tricolores desencarnados, já terão se habituado às extravagâncias do Adionson. Seu comparecimento a nossas reuniões é irregular, mas a presença do amigo é garantia de opiniões inusitadas, boas gargalhadas e eventuais confusões. Contribui para esse efeito, um de seus princípios de vida: "Se não puder ajudar, atrapalhe: o importante é participar".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há algum tempo, Adionson se autoconferiu a condição de repórter, de modo que quando tratamos de algum aspecto relacionado à imprensa, ele se sente na obrigação de opinar e nos esclarecer sobre os "colegas". Creio já ter mencionado o nome do Isaac Amar, jornalista da década de 1930, a quem Adionson considera o seu "tipo inesquecível". Além da inegável competência profissional, Isaac não se intimidava com a eventual escassez de fatos relevantes. Se a realidade não tinha muita imaginação, ele tinha de sobra, e a utilizava para divertir seus leitores, em especial os tricolores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O grande ídolo do Adionson é Oduvaldo Cozzi, "o maior locutor esportivo do rádio brasileiro, em todos os tempos". Cozzi construiu sua fama liderando grandes jornadas esportivas, entre as décadas de 1940 e 60. Foi o primeiro diretor artístico da Radio Nacional, trabalhou nas Rádios Mayrink Veiga, Guanabara e Continental, e chegou a atuar na TV Tupi. Oduvaldo Cozzi era considerado um locutor lírico, pela maneira criativa e as variadas metáforas com que descrevia os lances de uma partida de futebol. Tinha pronúncia impecável, um rico vocabulário e absoluto rigor com o uso do nosso idioma, a ponto de corrigir seus repórteres de campo, no ar: "Olha a concordância, rapaz!". Respeitado e querido, seu nome batizou o viaduto localizado na chegada do Maracanã, para quem vem da Zona Sul do Rio de Janeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desculpem, se me perco em divagações e não trato logo do assunto de nossa última reunião. Como de hábito, ao falarmos de transmissões esportivas, o Adionson se propôs a nos contar uma história ocorrida com um outro famoso radialista tricolor: Arnaldo Augusto do Amaral Filho. De imediato, o Angenor se lembrou dele: "Esse cara gravou uma música minha, 'Fita os meus olhos', em 1933". De fato, Arnaldo Amaral iniciou no rádio como cantor, tendo defendido vários sucessos dos principais compositores da época. No entanto, em 1946, resolveu se tornar locutor e produtor de programas da Rádio Clube.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É justamente dessa época, o caso que o Adionson nos contou. Arnaldo Amaral comandava com grande sucesso o programa "Pescador de Estrelas", onde foram revelados Jamelão, Ângela Maria, Dóris Monteiro, Altamiro Carrilho, Alaíde Costa e tantos outros. Apaixonado por futebol e pelo nosso tricolor, resolveu também se dedicar à locução esportiva. Não houve qualquer dificuldade, pois Arnaldo tinha uma voz poderosa e, a essa altura, era um experiente profissional de rádio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ocorre que o ano era 1946, Gentil Cardoso chegara ao Fluminense clamando por Ademir Menezes e prometendo, em troca, o cobiçadíssimo título carioca. De fato, esse foi um dos campeonatos mais emocionantes de toda a história pois, ao término dos dois turnos, quatro equipes estavam rigorosamente empatadas e foi necessário um quadrangular para definir o supercampeão. Na partida final, contra o Botafogo, lá estava Arnaldo Amaral a narrar brilhantemente os lances decisivos. Quem o ouvisse, jamais desconfiaria de sua paixão pelo Fluminense. Até que Ademir aproveitou a distração de um zagueiro botafoguense e marcou o gol do título. Adionson contou que Arnaldo Amaral se despediu da neutralidade forçada e trovejou ao microfone da Rádio Clube: GOOOOOOOOOOL... NOSSO!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7901359081638881807-7873849187630249799?l=jtcarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/feeds/7873849187630249799/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/2010/10/nas-ondas-do-radio.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7901359081638881807/posts/default/7873849187630249799'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7901359081638881807/posts/default/7873849187630249799'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/2010/10/nas-ondas-do-radio.html' title='Nas Ondas do Rádio'/><author><name>NETFLUBLOGS</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00877928506777997493</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_rSeQPHUphds/TFR6wOKOA9I/AAAAAAAAAEg/LLWtApMwTHc/S220/foto+nova+-+comunidade.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7901359081638881807.post-8392944018397990461</id><published>2010-09-24T13:23:00.000-03:00</published><updated>2010-09-24T13:25:04.009-03:00</updated><title type='text'>Os Canhões de Samarone</title><content type='html'>Tricolores,&lt;br /&gt;O aniversário de 40 anos do nosso primeiro título nacional – a Taça de Prata - trouxe de volta às páginas da imprensa diversas figuras memoráveis. Entre tantos heróis tricolores, gostaria de chamar a atenção para o Sr. Wilson Gomes, o Samarone. Quero compartilhar a convicção de que uma nação não vive sem referenciais simbólicos e, portanto, esse universo mágico – misto de calções, chuteiras, suor e lágrimas – conhecido como Fluminense Football Club, é absolutamente dependente da defesa de seus valores fundamentais e da existência de certos personagens que condensam o ideal tricolor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um time pode viver do seu conjunto, do entrosamento, do acerto tático, mas o clube e a torcida não sobrevivem sem o ídolo. Digo isso, para falar do nosso Samarone. Na segunda metade da década de 60, o Samara foi uma figura fundamental, não apenas para a recuperação técnica do Fluminense, mas para manter coesa e motivada a nossa torcida. Samarone nasceu em Santos (SP), começou sua carreira na Portuguesa Santista, onde marcou o gol do título do Campeonato Paulista da 2ª Divisão de 1964.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegou ao Fluminense em 1965 e, apesar de ter transitado por alguns outros clubes, sempre se declarou um tricolor apaixonado. Sua experiência inicial foi difícil, o time era inexperiente, ele foi escalado fora de posição e tinha saudades de casa. Chegou a receber algumas vaias mas, com forte personalidade e confiança no seu futebol, declarou à Revista do Esporte no. 374: A torcida se enganou comigo. De fato, em breve, se tornou a liderança carismática do elenco. Com inteligência e malícia, Samarone dominava as ações de meio-de-campo, com técnica ou com catimba, o que se mostrasse mais útil no momento. Participou de 212 jogos e marcou 52 gols, conquistou os títulos cariocas de 1969 e 1971 e a Taça de Prata – o Campeonato Nacional da época - de 1970, quando foi homenageado com a Bola de Prata da Revista Placar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de ter como principal característica a armação de jogadas para conclusão dos atacantes, também tinha um chute potente que deu origem a um de seus apelidos. Em alusão a um filme de sucesso de 1961, o locutor Waldyr Amaral criou Os Canhões de Samarone; pela fama de conquistador, Nelson Rodrigues o chamou Romeu da Praça Saens Peña e, as torcedoras, de Diabo Louro. Lamentavelmente, sua carreira foi prejudicada por três grandes obstáculos: duas hepatites, uma grave contusão nos ligamentos do joelho esquerdo e as idiossincrasias do Sr. Mario Jorge Lobo Zagallo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1971, com a chegada desse técnico ao Fluminense, Samarone se transferiu para o Corinthians e, a seguir, para o clube de regatas da Gávea. (Detalhe para a história: o Galinho era camisa 9 e Samara o camisa 10). Pouco depois, o mesmo treinador chegou ao clube, e ele foi emprestado à Portuguesa de Desportos. Nascido em família de classe média, formado em Engenharia Civil, Samarone – embora extremamente habilidoso para fugir da perseguição dos adversários - cansou-se de fazê-lo fora dos gramados e decidiu não engolir mais nada: abandonou a carreira e foi cuidar da vida no Paraná.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Este post é baseado em um texto do livro “Memórias Imortais, Glórias e Heróis da Mitologia Tricolor”, publicado por J.T. de Carvalho pela Editora Corifeu, em 2009.&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7901359081638881807-8392944018397990461?l=jtcarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/feeds/8392944018397990461/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/2010/09/os-canhoes-de-samarone.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7901359081638881807/posts/default/8392944018397990461'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7901359081638881807/posts/default/8392944018397990461'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/2010/09/os-canhoes-de-samarone.html' title='Os Canhões de Samarone'/><author><name>NETFLUBLOGS</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00877928506777997493</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_rSeQPHUphds/TFR6wOKOA9I/AAAAAAAAAEg/LLWtApMwTHc/S220/foto+nova+-+comunidade.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7901359081638881807.post-8309219725805462143</id><published>2010-09-17T16:49:00.002-03:00</published><updated>2010-09-17T16:54:01.976-03:00</updated><title type='text'>Futebol não tem lógica</title><content type='html'>Tricolores,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Stanislaw, um amigo aqui da nossa turma, é jornalista, escritor, humorista, compositor e showman, além de um mulherólogo muito respeitado na praça. É um completo apaixonado por futebol – de campo, salão, soçaite, areia ou botão – e, na juventude, foi goleiro de um time de Copacabana, treinado pelo lendário Neném Prancha. Sua paixão acabou virando trabalho, e ele escreveu um antológico livro de crônicas sobre a Copa de 1962: "Bola na rede: a batalha do bi".  Quem o trouxe para o grupo foi o Angenor, que o conheceu em um momento difícil. Imaginem que o grande sambista entrara num desvio, numa fase negra da vida e lavava carros na Zona Sul do Rio. Stanislaw o reconheceu e, de imediato, estendeu a mão para a gloriosa volta por cima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Frasista irreverente, bem ao gosto popular, Stanislaw nos surpreende pela visão original de fatos triviais e a forma criativa como a expressa. Sobre um certo técnico do futebol mineiro, habituado a dar explicações complicadas, ao fim das quais se exime de qualquer responsabilidade pelos maus resultados do seu time, ele é implacável: "É desses que cruzam cabra com periscópio, pra ver se arrumam um bode expiatório". Demoro-me a falar do amigo, porque justamente uma de suas frases originou prolongada conversa aqui no grupo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Explico: lamentávamos alguns vacilos recentes do Fluminense, ao perder pontos para times de pouca expressão, mal situados na tabela, quando pensei dar uma justificativa para todos esses episódios, relacionando-os à reconhecida falta de lógica do futebol. Stanislaw discordou e foi veemente: "Quem diz que futebol não tem lógica, não entende de futebol ou não sabe o que é lógica". Diante de afirmação tão categórica, nos calamos para ouvir os argumentos do amigo. Em síntese, ele nos disse o seguinte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O futebol não tem lógica... tem lógicas, que se cruzam e se complementam. Existe a lógica clássica, representada pelo conjunto das dezessete regras. É fácil entender, porque não há meio termo: é falta ou não é; é gol ou não é. Como sabemos, esse simplismo não sustenta a realidade cotidiana dos nossos clássicos e peladas. A regra é clara, claríssima, mas a sua aplicação depende da interpretação de um sujeito, o árbitro, criando um outro tipo de lógica, que transcende a anterior. Mas a existência das regras e do juiz são apenas pré-condições para o futebol, porque nada disso expressa o essencial: o jogo, os dois times que lutam para predominar sobre o outro. Do embate entre os dois adversários, da relativização das ações, virtudes e limitações de um pelo outro, surge uma outra lógica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essas três lógicas são ainda desafiadas pela ocorrência de fatores aleatórios, de natureza física, emocional ou cultural. Essa quarta lógica envolve tudo o que há no futebol de imprevisível e irracional, em suma, as interferências do Gravatinha ou do Sobrenatural de Almeida, como bem sintetizou o Profeta Tricolor. Essa costuma ser a lógica de muitos torcedores, que se ocupam em rezar, fechar os olhos, desligar o rádio, cruzar os dedos, beijar o santinho, usar a mesma roupa etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em alguma medida, essas quatro lógicas podem ser encontrados em outros esportes ou situações de vida mas, de modo único, o futebol as apresenta com uma inversão da sua hierarquia habitual. Os elementos mais objetivos – a regra e o juiz – ficam em segundo plano, subordinados às relações entre os adversários e à ação dos fatores imponderáveis. Não casualmente, diz-se que o juiz é bom quando sua presença não é notada, e o mesmo se dá com as regras do jogo, que constituem uma espécie de fundo invisível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque o futebol tem várias lógicas, que se organizam de maneira inversa à ânsia moderna por uma objetividade quantitativa, o esforço de patrocinadores e de parte da imprensa esportiva em subordiná-lo à "lógica dos números" e à tutela da tecnologia se deve à pretensão de domá-lo, torná-lo previsível, em geral para fins mercadológicos ou publicitários. No limite, podem roubar-lhe a alma, a própria essência que o torna, em todo o mundo, a paixão de milhões. Assim falou Stanislaw.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7901359081638881807-8309219725805462143?l=jtcarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/feeds/8309219725805462143/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/2010/09/futebol-nao-tem-logica.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7901359081638881807/posts/default/8309219725805462143'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7901359081638881807/posts/default/8309219725805462143'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/2010/09/futebol-nao-tem-logica.html' title='Futebol não tem lógica'/><author><name>NETFLUBLOGS</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00877928506777997493</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_rSeQPHUphds/TFR6wOKOA9I/AAAAAAAAAEg/LLWtApMwTHc/S220/foto+nova+-+comunidade.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7901359081638881807.post-1390565869286108004</id><published>2010-09-10T14:03:00.000-03:00</published><updated>2010-09-10T14:05:03.418-03:00</updated><title type='text'>Eu sou é tricolor, amém!</title><content type='html'>Tricolores,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu amigo João Paulo é um santo homem, uma das figuras mais queridas aqui do nosso pedaço, e desfruta de grande prestígio com a alta hierarquia da casa. Como talvez saibam, ele sequer é brasileiro ou carioca, mas a partir de 1980 - naquela decisão do Campeonato Carioca com o Vasco, quando aproveitamos sua presença na cidade e cantamos sua música -, João Paulo nos tem ajudado em muitos momentos decisivos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já lhes devo ter contado que meu amigo tem absoluta convicção de que o descrente mais empedernido muda radicalmente de atitude, quando está em campo o seu time de coração: "Nas arquibancadas, não existem ateus", ele nos ensina. De temperamento alegre, mas contido, João Paulo costuma ser muito discreto em suas falas e comentários. Em geral, usa parábolas ou faz citações bíblicas para expressar seu pensamento. Por isso, não poderia perder a rara oportunidade de lhes contar uma pequena história que o amigo nos confidenciou. Como se trata de um episódio bem antigo, tomarei a liberdade de manter o nome verdadeiro de seu protagonista: padre Antonio Romualdo da Silva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Disse-nos o João Paulo, que padre Antonio Romualdo era um grande tricolor e não perdia um único jogo do Fluminense. Seguia nosso time a todos os estádios do país, acompanhado de uma inseparável máquina fotográfica, na qual registrava, orgulhoso, as jogadas de nossos craques. Sofria terrivelmente durante as partidas e, se por acaso perdíamos, era acometido por um mau humor profundo e demorado. Entre outras consequências, não concedia absolvição a ninguém. Justamente em uma segunda-feira, após uma decepcionante atuação tricolor, deu-se o fato que o João Paulo nos contou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após a missa da manhã, um rapaz procurou o religioso no confessionário, para aliviar sua alma aflita. Bastante impaciente, nosso padre ouviu o pecaminoso relato, e já preparava uma rigorosíssima penitência, quando o jovem atribuiu sua má conduta da véspera à derrota do Fluminense. João Paulo disse que a revelação inesperada permitiu ao padre Antonio Romualdo reavaliar a situação em outra perspectiva: "O jovem não era de todo mau. Errara, é certo, mas que fazer? São deslizes da juventude, coisa que a maturidade resolverá". Decidiu adverti-lo com severidade, determinou que se recolhesse à sua residência e, após profunda reflexão sobre os seus atos, se prostasse de joelhos e repassasse dez vezes seguidas o Hino do Fluminense. Completo!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7901359081638881807-1390565869286108004?l=jtcarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/feeds/1390565869286108004/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/2010/09/eu-sou-e-tricolor-amem.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7901359081638881807/posts/default/1390565869286108004'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7901359081638881807/posts/default/1390565869286108004'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/2010/09/eu-sou-e-tricolor-amem.html' title='Eu sou é tricolor, amém!'/><author><name>NETFLUBLOGS</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00877928506777997493</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_rSeQPHUphds/TFR6wOKOA9I/AAAAAAAAAEg/LLWtApMwTHc/S220/foto+nova+-+comunidade.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7901359081638881807.post-3853029184636993018</id><published>2010-09-03T17:40:00.001-03:00</published><updated>2010-09-03T17:43:17.833-03:00</updated><title type='text'>"Eu joguei o primeiro Fla-Flu"</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_rSeQPHUphds/TIFd0Jz9UiI/AAAAAAAAAF0/_8xli6yhlwg/s1600/%27Eu+Joguei+o+Primeiro+Fla-Flu%27+(2).jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 372px; height: 400px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_rSeQPHUphds/TIFd0Jz9UiI/AAAAAAAAAF0/_8xli6yhlwg/s400/%27Eu+Joguei+o+Primeiro+Fla-Flu%27+(2).jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5512790569446625826" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7901359081638881807-3853029184636993018?l=jtcarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/feeds/3853029184636993018/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/2010/09/eu-joguei-o-primeiro-fla-flu.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7901359081638881807/posts/default/3853029184636993018'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7901359081638881807/posts/default/3853029184636993018'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/2010/09/eu-joguei-o-primeiro-fla-flu.html' title='&quot;Eu joguei o primeiro Fla-Flu&quot;'/><author><name>NETFLUBLOGS</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00877928506777997493</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_rSeQPHUphds/TFR6wOKOA9I/AAAAAAAAAEg/LLWtApMwTHc/S220/foto+nova+-+comunidade.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_rSeQPHUphds/TIFd0Jz9UiI/AAAAAAAAAF0/_8xli6yhlwg/s72-c/%27Eu+Joguei+o+Primeiro+Fla-Flu%27+(2).jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7901359081638881807.post-1495603860433104741</id><published>2010-08-27T13:17:00.001-03:00</published><updated>2010-08-27T13:19:40.124-03:00</updated><title type='text'>Herói da Resistência</title><content type='html'>Tricolores,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Temos aqui no meu grupo um consenso absoluto e irreversível: um dos maiores patrimônios do Fluminense Football Club são a sua História e as suas tradições. Não reivindicamos para o clube o status de instituição esclerosada e insensível ao passar do tempo, mas acreditamos que, por mais que algumas opções se apresentem atraentes e vitoriosas no curto prazo, não podemos perder de vista nossa predestinação: ao Fluminense cabe ser o Fluminense.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1902, fomos fundados por um grupo de jovens com excelentes intenções, mas que haveriam de passar por crises e momentos de incerteza para demonstrar seu verdadeiro caráter. Como sabem, com apenas nove anos de existência nosso clube foi confrontado por um famoso motim, que reuniu nove titulares do time campeão invicto. A decisão de não ceder à chantagem nos trouxe grande prejuízo imediato, mas foi fundamental para a construção da identidade do Fluminense. Nesse episódio, um nome se impôs: Oswaldo Gomes, o herói da resistência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na memorável tarde de 7 de julho de 1912, nosso capitão comandou uma das mais extraordinárias jornadas tricolores: o primeiro embate contra os amotinados e a vitória no primeiro Fla-Flu. Para quem julga o futebol uma tediosa sucessão de bicos e caneladas, trata-se de um episódio incompreensível, dada a imensa superioridade técnica do time campeão do ano anterior sobre os seus reservas. Mas, naquele jogo, comandado por Oswaldo Gomes, o Fluminense não conquistou mera vitória esportiva: impôs o triunfo dos seus princípios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1915, nosso capitão voltou a proporcionar outro espetáculo admirável, frente ao mesmo adversário. Ausente por vários jogos, afastado até dos treinamentos, Oswaldo foi chamado às pressas para substituir o centromédio titular que, subitamente, adoecera. Atuando fora de posição, nosso meia-direita não conseguiu deter o ataque rubro-negro que, apenas no primeiro tempo, marcou nada menos do que sete gols! No intervalo, ele se desculpou com os companheiros e assumiu a responsabilidade exclusiva pelo placar humilhante. Lembrou ao time que, "naquele momento, eles eram o Fluminense" e propôs um pacto de honra, em defesa da dignidade do clube. No segundo tempo, mais adaptado à nova posição (na qual, mais tarde, se sagraria tricampeão), Oswaldo Gomes protagonizou uma das tantas páginas épicas da Mitologia Tricolor. Resultado final da partida: 7 x 7.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1919, o Campeonato Carioca foi marcado pela inauguração do primeiro estádio de futebol do continente americano: o Estádio das Laranjeiras. O Fluminense, bicampeão em 17 e 18, era o adversário a ser batido. Além de impedir nosso tricampeonato, os adversários queriam desfrutar o prazer de haver o Fluminense construido um palco inédito e magnífico para a festa alheia. No entanto, aos deuses do futebol, não passou despercebida a oportunidade de ser escrita mais uma página imortal da História Tricolor. Providenciaram para que, na reta final da competição, na penúltima rodada do segundo turno, houvesse um Fla-Flu, uma decisão antecipada do campeonato, pois apenas dois pontos separavam os dois times.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os jogadores de ambos os clubes tinham a exata compreensão da importância daquele jogo, mas Oswaldo Gomes sentia o peso maior. Sua carreira estava próxima do fim e, talvez, essa fosse a última oportunidade de conduzir seus companheiros a uma conquista de título. Tinha a consciência limpa, sempre agira com humildade e dedicação, mas seu nome era inseparável da maior crise vivida pelo clube. E, mais uma vez, o destino lhe impunha o mesmo adversário, tão carregado de sentimentos e significados. Nosso time lutou bravamente, Marcos Carneiro de Mendonça fez uma sucessão de defesas que lhe garantiram um capítulo particular na Mitologia Tricolor e, ao final, veio a vitória e o título antecipado: Fluminense  4 x 0.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oswaldo Gomes ainda disputou parte do campeonato seguinte e, finalmente, em setembro de 1921, se retirou dos gramados. Em 15 anos de carreira, se transformara no jogador mais vitorioso de toda a história do futebol brasileiro: tetracampeão carioca, em 1906-09; campeão invicto, sem nenhum ponto perdido, em 1911; tricampeão carioca, em 1917-19. Em 1922, foi eleito presidente da Confederação Brasileira de Desportos, coroando uma carreira única no futebol brasileiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 2012, esse clássico lendário completará 100 anos, mas Borgerth e Oswaldo jamais tiveram descanso. Toda vez que a uma ação desleal, movida pela vaidade e pelo interesse pessoal, se opuser uma reação movida pelo compromisso, pela honradez e a dedicação além do dever, lá estarão Borgerth e Oswaldo. Por isso, o Fla-Flu é eterno, porque simboliza o embate entre alguns elementos essenciais da existência e das relações humanas. A nós, cabe lembrar Oswaldo Gomes, ensinar seu nome e seus feitos às novas gerações. É dever de todo tricolor honrar esse herói da resistência!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7901359081638881807-1495603860433104741?l=jtcarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/feeds/1495603860433104741/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/2010/08/heroi-da-resistencia.html#comment-form' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7901359081638881807/posts/default/1495603860433104741'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7901359081638881807/posts/default/1495603860433104741'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/2010/08/heroi-da-resistencia.html' title='Herói da Resistência'/><author><name>NETFLUBLOGS</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00877928506777997493</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_rSeQPHUphds/TFR6wOKOA9I/AAAAAAAAAEg/LLWtApMwTHc/S220/foto+nova+-+comunidade.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7901359081638881807.post-3176929211155044711</id><published>2010-08-21T11:31:00.002-03:00</published><updated>2010-08-21T11:36:17.504-03:00</updated><title type='text'>Eu joguei o primeiro Fla-Flu</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_rSeQPHUphds/TG_jpZV1niI/AAAAAAAAAFc/cxNxT3bkWn8/s1600/Eu+Joguei+o+Primeiro+Fla-Flu.jpg"&gt;&lt;img style="display: block; 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charset=utf-8"&gt;&lt;meta name="ProgId" content="Word.Document"&gt;&lt;meta name="Generator" content="Microsoft Word 11"&gt;&lt;meta name="Originator" content="Microsoft Word 11"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;link rel="File-List" href="file:///C:%5CDOCUME%7E1%5CPAULOF%7E1%5CCONFIG%7E1%5CTemp%5Cmsohtml1%5C01%5Cclip_filelist.xml"&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:punctuationkerning/&gt;   &lt;w:validateagainstschemas/&gt;   &lt;w:saveifxmlinvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;w:ignoremixedcontent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;   &lt;w:alwaysshowplaceholdertext&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;   &lt;w:compatibility&gt;    &lt;w:breakwrappedtables/&gt;    &lt;w:snaptogridincell/&gt;    &lt;w:wraptextwithpunct/&gt;    &lt;w:useasianbreakrules/&gt;    &lt;w:dontgrowautofit/&gt;   &lt;/w:Compatibility&gt; 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 &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="line-height: 150%; text-align: justify; font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Na semana passada iniciei o relato de uma conversa de meus amigos sobre o tristemente famoso episódio de 1911. Como talvez recordem, nove de nossos jogadores do time campeão daquele ano organizaram um motim em nosso clube. O que pretendiam os desastrados golpistas? Tinham um plano, uma estratégia, um objetivo? Os rebeldes não tinham causa nem tinham nada, exceto vaidade e ressentimento. Não tinham sequer para onde ir. Alberto Borgerth sugeriu ao grupo a adesão ao Botafogo - hipótese absurda, por se tratar do campeão do ano anterior e o adversário a ser batido; outros, pensaram em reforçar o Paysandu – hipótese também afastada, por se tratar de um clube exclusivamente de ingleses.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: trebuchet ms;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="line-height: 150%; text-align: justify; font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Sem qualquer opção, restou-lhes entrar pela porta dos fundos de um grupo de regatas – nome original utilizado na fundação, em 1895 -, cujo único atrativo era, então, situar-se do outro lado da calçada, na Rua Paysandu. Essa agremiação nunca manifestou qualquer desejo ou satisfação em recebê-los e, além disso, havia uma barreira cultural intransponível. Os ex-tricolores se habituaram a bailes elegantes na sede do clube, quando dançavam com as filhas das melhores famílias da cidade. Os remadores costumavam realizar uma festa na garagem dos barcos e, sem a presença feminina, dançavam uns com os outros, em uma celebração denominada reco-reco. Um troço estranho mesmo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: trebuchet ms;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="line-height: 150%; text-align: justify; font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Como demonstrações definitivas de rejeição, o grupo de regatas jamais incluiu a palavra “Futebol” no nome do clube e negou permissão para o uso da camisa oficial do remo. Fruto da humilhação e da necessidade, nasceu de improviso a patética papagaio-de-vintém, pois os quadrados vermelhos e pretos lembravam pipas ou papagaios de empinar, que se compravam por qualquer vintém. A seguir, veio a cobra coral, com listras horizontais pretas e vermelhas, mas com um friso branco a separá-las.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: trebuchet ms;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="line-height: 150%; text-align: justify; font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Foi nesse ponto de nossas recordações que avançamos pelo ilustre terreno da filosofia de botequim, e meus amigos associaram a imprecisão do viver ao indecifrável enigma da alma humana, ao imponderável que determina as reações dos indivíduos e das coletividades. Por vezes, o sujeito sobrevive melhor à bofetada do que à mão estendida. Há quem sinta na solidariedade, humilhação maior e mais indesculpável do que na agressão física.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: trebuchet ms;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="line-height: 150%; text-align: justify; font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;A imaturidade dos amotinados não apenas os conduzira a um clube hostil, sem qualquer tradição ou motivação para o esporte que praticavam, como os impossibilitava de disputar o Campeonato Carioca de 1912, já que não atendiam a duas exigências básicas: oferecer um campo para sediar seus jogos e ter, no mínimo, um ano de filiação à Liga Metropolitana de Sports Athléticos. Alberto Borgerth, conduzira seus oito liderados ao abismo, a um impasse insuperável, a respeito do qual o grupo de regatas que lhes cedera o quarto dos fundos não tinha qualquer interesse em se envolver.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: trebuchet ms;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: trebuchet ms;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="line-height: 150%; text-align: justify; font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;O que fez o Fluminense Football Club diante do infortúnio de seus golpistas? Eles mesmos teriam, talvez, o secreto desejo de experimentar terríveis perseguições e sacrifícios, de viver uma jornada heróica que lhes purgasse as falhas de conduta.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="line-height: 150%; text-align: justify; font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Nada disso se deu. O próprio Alberto Borgerth, em depoimento publicado no Boletim do Fluminense, em junho de 1952, explica que o clube lhes alugou, a preço simbólico, o uso de seu histórico campo e fez valer seu imenso pretígio junto à Liga para obter a alteração do regulamento e a autorização para a participação no Campeonato de 1912 - vencido, na versão da Liga, pelo Paysandu (e pelo Botafogo, na versão da Associação de Football do Rio de Janeiro).&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: trebuchet ms;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="line-height: 150%; text-align: justify; font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Esse terá sido o equívoco fatal, pois a demonstração de fidalguia e solidariedade – ou, quem sabe, mera indiferença - só fez acirrar a fúria dos ressentidos, que ainda se consolidou com a surpreendente derrota no primeiro Fla-Flu, cujas razões constituem o enigma mais claro e evidente do futebol carioca.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: trebuchet ms;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div  style="border-width: medium medium 1.5pt; border-style: none none solid; text-align: justify; font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;"&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; border: medium none; padding: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;A vocação para o ressentimento acompanhou os desertores como uma doença congênita. Ao longo da história, esse grupo de regatas se transformaria no endereço certo dos que não conseguiram ser ou se manter tricolores, como o grande ícone da torcida rubro-negra, o baiano Jaime de Carvalho. Em 1927, tão logo chegou ao Rio, foi assistir a um jogo do Fluminense. Simpatizou com o clube, quis associar-se, mas teve lá algum capricho não atendido. Refém da predeterminação histórica, não lhe restou opção: juntou-se aos remadores.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: trebuchet ms;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"  &gt;&lt;b&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;Este post é baseado em um texto do livro “Memórias Imortais, Glórias e Heróis da Mitologia Tricolor”, publicado por J.T. de Carvalho pela Editora Corifeu.&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-family:&amp;quot;;font-size:10pt;"  &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7901359081638881807-3978439475377993853?l=jtcarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/feeds/3978439475377993853/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/2010/08/rebeliao-dos-ressentidos-final.html#comment-form' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7901359081638881807/posts/default/3978439475377993853'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7901359081638881807/posts/default/3978439475377993853'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/2010/08/rebeliao-dos-ressentidos-final.html' title='A Rebelião dos Ressentidos (Final)'/><author><name>NETFLUBLOGS</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00877928506777997493</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_rSeQPHUphds/TFR6wOKOA9I/AAAAAAAAAEg/LLWtApMwTHc/S220/foto+nova+-+comunidade.jpg'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7901359081638881807.post-4569239342182769198</id><published>2010-08-06T16:03:00.001-03:00</published><updated>2010-08-06T16:05:30.998-03:00</updated><title type='text'>A Rebelião dos Ressentidos</title><content type='html'>Tricolores,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Navegadores antigos tinham uma frase gloriosa: / Navegar é preciso, viver não é preciso". Com esses versos, Fernando Pessoa garantiu imortalidade à frase de Pompeu, pronunciada há cerca de 22 séculos. O que quiseram assim expressar o general romano, o poeta português e os inúmeros outros que os citaram ao longo do tempo? Uma conclamação à coragem e ao sacrifício, dirigida a temerosos marinheiros, às vésperas de uma terrível batalha? Uma declaração de dedicação incondicional à arte e à aventura, sem preocupação com as questões mais banais da existência?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu amigo Antonio Carlos gosta de uma interpretação menos habitual, e não situa a declaração no campo das necessidades, mas no da precisão. Para ele, os mistérios da vida sempre trouxeram maior perplexidade do que qualquer desafio prático, e foi isso que os romanos quiseram expressar na famosa sentença. Mesmo consideradas as precárias condições da época, pareceu-lhes haver mais exatidão - ou precisão - no navegar do que no viver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toda essa sub-filosofia surgiu na conversa do meu grupo à propósito do mais mitológico clássico do futebol brasileiro: o Fla-Flu. Não sei se todos recordam o episódio. Restando poucas rodadas para vencermos o Campeonato de 1911, foram abertas duas vagas no Ground Committee, a comissão técnica que escalava nossa equipe. Um dos indicados foi Oswaldo Gomes, um nome ainda carente do devido reconhecimento em nossa história. Por escolha da diretoria, Oswaldo era o sub-capitão do primeiro quadro, o que o tornava candidato natural a uma das novas vagas ou à de capitão. Por gentileza, ele preferiu se candidatar ao Ground Committee, porque Alberto Borgerth - também membro da diretoria - era o indicado para capitão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia da reunião, de modo inesperado, surgiu um candidato de oposição e a votação terminou empatada em 15 votos para cada um. Os sócios presentes acataram a sugestão do presidente da assembléia, e consideraram vencedor o candidato mais velho - Oswaldo Gomes - que, no entanto, julgou conveniente não aceitar a decisão. Enviou carta à diretoria demitindo-se da função de sub-capitão do primeiro quadro, e propôs a realização de nova assembléia para tratar do assunto das vagas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo inútil, sua vitória já havia ferido vaidades e despertado caprichos incontroláveis. Às vésperas do jogo contra o Rio Cricket, o Comitê divulgou a escalação da equipe mas, de forma inédita, Alberto Borgerth exigiu que os jogadores fossem consultados sobre a escalação, pois desejavam a substituição de Oswaldo Gomes por Arnaldo Guimarães, e de Paranhos pelo próprio Borgerth.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tratava-se de uma evidente tentativa de golpe, uma tola insubordinação fundada no orgulho ferido e no fútil desejo de agredir Oswaldo. Obviamente, o Ground Committee manteve sua escalação e vencemos por 5x0. A vitória não foi suficiente para deter o curso da infâmia. No dia 3 de outubro, Alberto Borgerth e mais oito titulares solicitaram desligamento do Fluminense.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(CONTINUA NA PRÓXIMA 6ª. FEIRA)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Este post é baseado em um texto do livro "Memórias Imortais, Glórias e Heróis da Mitologia Tricolor", publicado por J.T. de Carvalho pela Editora Corifeu.&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7901359081638881807-4569239342182769198?l=jtcarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/feeds/4569239342182769198/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/2010/08/rebeliao-dos-ressentidos.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7901359081638881807/posts/default/4569239342182769198'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7901359081638881807/posts/default/4569239342182769198'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/2010/08/rebeliao-dos-ressentidos.html' title='A Rebelião dos Ressentidos'/><author><name>NETFLUBLOGS</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00877928506777997493</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_rSeQPHUphds/TFR6wOKOA9I/AAAAAAAAAEg/LLWtApMwTHc/S220/foto+nova+-+comunidade.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7901359081638881807.post-1244545143641401664</id><published>2010-07-30T14:31:00.007-03:00</published><updated>2010-07-30T14:36:28.544-03:00</updated><title type='text'>Incompatibilidade de gênios</title><content type='html'>Tricolores,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Waldir Pereira, mundialmente conhecido como Didi, foi bicampeão pela Seleção Brasileira. Na Copa de 1958 - na qual estiveram Pelé, Garrincha, Skoglund, Nestor Rossi, Yashin, Kopa, entre muitas outras lendas do futebol -, ele foi eleito pela imprensa internacional como o melhor jogador da competição, e os europeus passaram a chamá-lo de "Mr. Football". Na Copa de 1962, aos 32 anos de idade, dividiu esse mesmo troféu com o tcheco Masopust. Em 12 de maio de 2001, devido a complicações de um câncer no fígado, Didi entrou definitivamente para a galeria dos imortais. A notícia repercutiu em jornais e revistas espanhóis, argentinos (como El Gráfico), franceses (como L'Equipe) e gerou uma matéria com foto no The New York Times. No dia seguinte, antes de se iniciarem as partidas, várias equipes, em diferentes países, fizeram um minuto de silêncio em sua memória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Didi jogou no Fluminense por quase oito anos, entre 1949 e 1956. Durante esse período, foi campeão carioca (em 1951); campeão mundial interclubes (II Taça Rio) e campeão do Panamericano no Chile, seu primeiro título conquistado fora do território brasileiro (em 1952); disputou cinco das sete partidas do Sulamericano do Chile (em 1953); foi convocado para a Copa do Mundo da Suíça (em 1954) e inventou a folha seca (1956). Didi se destacava pelo estilo preciso e refinado; o "Príncipe Etíope" não apenas via, mas antevia o jogo. No entanto, o craque que passaria para a história e para a lenda do futebol como o fiel praticante das crenças de que  "treino é treino, jogo é jogo" e "quem corre é a bola" não nasceu em Álvaro Chaves.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Fluminense, quando Waldir Pereira começou a ser Didi, ele era uma variação de Telê Santana. Deslocava-se por todo o gramado, apoiava e voltava para marcar. Ao final dos jogos, saía de campo encharcado, exausto, com menos 4 kg. Muitos criticavam Zezé Moreira por exigir tanto de um craque como aquele. Telê desempenhava funções semelhantes, e aceitava-se com naturalidade que um "fiapo humano" fosse um carregador de piano. Mas Didi, com aquela pose de jurisconsulto do futebol, inspirava opiniões de que deveria guardar energias apenas para os momentos decisivos. Uma folha seca ou um passe no buraco já valeriam o seu ordenado, por mais alto que fosse, muitos diziam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Convenhamos, é difícil resistir a uma campanha dessas - revestida com as galas de uma homenagem - e Didi acabou por fazer a vontade dos que o julgavam muito sacrificado. Como agravante da crescente incompatibilidade entre o gênio da folha seca e a tradição tricolor, surgiram questões ligadas à sua vida pessoal. Em 1950, já casado e com filhos, Didi conheceu a atriz Guiomar Batista - musa de Ary Barroso no samba-canção Risque -, com quem passou a viver. Além de algumas situações escandalosas que contrariavam o clube, o Fluminense resolveu destinar parte do salário do jogador à sua primeira esposa. A insatisfação tornou-se mútua e incontornável, a relação entre craque e clube se deteriorou: Didi sempre fazendo das suas, sempre advertido, de vez em quando multado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em março de 1956, a revista Esporte Ilustrado (no. 934), publicou a matéria "Disciplina acima dos Craques": "Parece que os clubes cariocas resolveram tomar um pouco de juízo para dar paradeiro definitivo nesta onda de indisciplina que estava imperando no futebol metropolitano... O Fluminense, por sua vez, fez pé firme em mais um caso criado por Didi. Não jogará sem contrato, nem terá o seu passe vendido. O craque tricolor prefere descalçar as chuteiras e plantar cacau na Bahia". O resultado todos conhecem: ainda em 56, Didi foi vendido ao Botafogo por uma quantia irrisória. A revista Manchete Esportiva (no. 16) estampou sua foto, com a legenda: "Eis aqui o discutido jogador com a nova farda". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E concluiu, irônica: "pelo jeito, desistiu de plantar cacau". Nas páginas centrais, apresentou uma versão humorística da ópera Rigoleto, de Verdi, tendo Didi como protagonista. No último quadro da fotonovela, ele afirma: "Vou para o Botafogo. Às vezes, penso que o meu destino é pecar".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Longe de Zezé Moreira e das pressões de Álvaro Chaves, Didi pode finalmente conduzir sua vida e sua carreira como bem entendeu. Como é costume, as opiniões se inverteram: agora, criticava-se a sua relutância em molhar a camisa; ser pago para ficar parado, olímpico, no meio do campo; em 1958, grande parte da torcida tinha dúvidas se valia a pena mandá-lo à Suécia. Havia quem defendesse a convocação de Moacir ou de Zizinho que, aos 37 anos, corria o jogo todo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Didi jogou até 1963 e, a partir de 1968, iniciou uma carreira igualmente vitoriosa de técnico de futebol. Felizmente, a nova atividade possibilitou uma reconciliação entre Waldir Pereira e o Fluminense. Em 1975, ele voltou a ser Campeão Carioca, agora como treinador da Máquina. Homem maduro, inteligente, profundo conhecedor das coisas da vida e do futebol, Didi aconselhava a seus jogadores: "Façam o que lhes digo, não tentem fazer o que eu fiz".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7901359081638881807-1244545143641401664?l=jtcarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/feeds/1244545143641401664/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/2010/07/incompatibilidade-de-genios.html#comment-form' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7901359081638881807/posts/default/1244545143641401664'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7901359081638881807/posts/default/1244545143641401664'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/2010/07/incompatibilidade-de-genios.html' title='Incompatibilidade de gênios'/><author><name>NETFLUBLOGS</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00877928506777997493</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_rSeQPHUphds/TFR6wOKOA9I/AAAAAAAAAEg/LLWtApMwTHc/S220/foto+nova+-+comunidade.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7901359081638881807.post-114566729793312014</id><published>2010-07-26T12:39:00.002-03:00</published><updated>2010-07-26T12:41:47.983-03:00</updated><title type='text'>Um Homem de Moral</title><content type='html'>Tricolores,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Brasil, no início do século XX, o futebol era um esporte amplamente discriminado. Muitos o acusavam de ser uma prática bárbara e violenta, um estrangeirismo inoportuno e intelectuais - ditos "populares" – o rotulavam como elitista e segregador. Com genial clarividência, o tricolor Coelho Neto acolheu e incentivou a nova prática, não apenas por suas características esportivas, mas por antever seu imenso potencial na educação de jovens e na construção de exemplos positivos para a população. A necessidade do esforço coletivo, a vitória como produto do talento e do trabalho exaustivo, enfim, vários aspectos do futebol se apresentavam como oportunos elementos para a pedagogia de uma ética popular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao longo do século passado, todos testemunhamos os usos e abusos ocorridos. Para tomar apenas um caso mais notório, há muito a seleção brasileira declinou da honrosa posição de "pátria de chuteiras" para se transformar em uma trupe mambembe, que disputa patrocínios e cachês milionários no mercado internacional. Um marco inicial dessa nova tendência pode ser encontrado na Copa de 1974, na Alemanha. Naquela competição, ao marcar um gol, os principais jogadores brasileiros corriam em direções divergentes, a fim de comemorá-lo à frente das placas de propaganda de seus respectivos patrocinadores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No histórico dia de 23 de julho de 2010, a reunião do meu grupo retomou essas lembranças lamentáveis em função de um episódio singelo e exemplar, que determinou, ainda que provisoriamente, a vitória da ética sobre a arrogância. Acostumado aos paparicos interesseiros de certa parte da imprensa esportiva e ao beija-mão dos arrivistas costumeiros, a CBF protagonizou uma ligeira peça em dois atos, que deveria ser melhor explorada em todo o seu potencial revelador do que é e do que poderia ser o ambiente esportivo no Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na primeira parte dessa tragicomédia, um profissional respeitado e vitorioso é chamado às escondidas, à revelia do seu empregador, para ser aliciado com uma proposta supostamente irrecusável, à qual todos se curvariam, pela qual vários venderiam a alma. Previamente a qualquer análise ou avaliação mais ampla, o resultado da conversa é divulgado de forma unilateral. De imediato, sem qualquer outra consideração, a imprensa alardeia a versão, como se fosse um fato. No segundo ato, vem o moral da história e, para a surpresa e incompreensão de muitos, os valores predominam sobre o preço. Para consagrar e resumir tudo o que o mundo do futebol e a sociedade brasileira têm a aprender com o episódio, talvez baste enunciar a única declaração do herói do dia: "Se o Flu não me liberar, o papo vai ser encerrado. Eu tenho que dar exemplo para os meus filhos".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com perdão do simplismo, sugiro a possibilidade de substituirmos a Constituição Federal, o Código Civil e todo o nosso moroso e ineficiente aparato legal pela nova Lei de Muricy: "Eu tenho que dar exemplo para os meus filhos". Ao invés de consultar complexos artigos e parágrafos, talvez bastasse a qualquer cidadão fazer essa singela reflexão: "essa minha decisão, esse meu gesto, será um exemplo para os meus filhos ou para os jovens, em geral?". No conto "Insônia", Graciliano Ramos relata a angústia de um sujeito que acorda, no meio da madrugada, atormentado pela seguinte questão: "Sim ou não?". Não há contexto, não há informações externas, e ele precisa ansiosamente decidir: "sim ou não?". Foi também baseado exclusivamente em seu referencial ético, que Muricy Ramalho decidiu. Aqui, à distância, Telê Santana há de ter sorrido, discretamente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7901359081638881807-114566729793312014?l=jtcarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/feeds/114566729793312014/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/2010/07/um-homem-de-moral.html#comment-form' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7901359081638881807/posts/default/114566729793312014'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7901359081638881807/posts/default/114566729793312014'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/2010/07/um-homem-de-moral.html' title='Um Homem de Moral'/><author><name>NETFLUBLOGS</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00877928506777997493</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_rSeQPHUphds/TFR6wOKOA9I/AAAAAAAAAEg/LLWtApMwTHc/S220/foto+nova+-+comunidade.jpg'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7901359081638881807.post-8358779941572744730</id><published>2010-07-16T18:54:00.002-03:00</published><updated>2010-07-16T18:56:47.188-03:00</updated><title type='text'>O Gênio da Folha Seca</title><content type='html'>Tricolores,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confesso uma certa desmotivação do meu grupo com relação à recente Copa do Mundo. Acompanhamos os jogos na África do Sul, mas nossas preocupações não puderam se afastar de Álvaro Chaves. O João Paulo nos dispensou da tentativa de compreender o fenômeno: "Irmãos, no mundo, há coisas para entender e coisas para decorar. O Fluminense é nossa paixão maior e incontrastável. Esse fato dispensa explicações: eis o mistério da fé!". Nas raras vezes em que conversamos sobre o torneio mundial, surgiram lembranças sobre os grandes craques de antigas seleções e, dentre eles, Didi. Como devem estar a par, Waldir Pereira nasceu em Campos dos Goytacazes (RJ) - cidade que também nos deu Pinheiro, Evaldo e Denílson -, em 8 de outubro de 1928. Talvez poucos se recordem do início de sua carreira, em 1944, nos juvenis do São Cristóvão. Em 1945, voltou a Campos para jogar pelo Industrial e, a seguir, pelo Rio Branco, clube no qual se tornou jogador profissional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1948, se destacou atuando pelo Madureira e, no ano seguinte, já estava no Fluminense, onde se afirmou como um dos maiores craques do futebol brasileiro. Com a camisa tricolor, Didi foi Campeão Carioca em 1951, liderando o "timinho" de Zezé Moreira, ao lado de Castilho, Pinheiro e Telê. Na quinta rodada do turno desse campeonato, ganhamos do Bangu por 5 x 3 e Didi marcou o último gol da partida, segundo ele, o mais bonito de sua carreira. Em 1950, atuando pela seleção carioca fez o primeiro gol da história do Maracanã e, em 1952, ano do nosso Cinquentenário, nos ajudou a conquistar o título mundial interclubes, a II Taça Rio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1956, em um jogo contra o América, Didi lançou uma técnica inédita de cobrar faltas, sua contribuição mais original para o universo do futebol: a folha seca. O chute nasceu após uma contusão no pé direito, da qual custava a se recuperar. Diante da necessidade de permanecer no time, Didi criou um modo engenhoso de chutar, preservando a região machucada. Após ultrapassar a barreira, a bola descrevia uma curva e, de súbito, descaía nas redes adversárias. Ao perceber sua semelhança com uma folha de outono, vagando incerta ao sabor do vento, o tricolor Oduvaldo Cozzi - o maior locutor da época -, criou a poética expressão e ajudou a popularizar a jogada. A consagração internacional da folha seca ocorreu nas eliminatórias para a Copa do Mundo de 1958, contra a Seleção do Peru, quando Didi marcou um gol de falta nesse estilo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O "Príncipe Etíope", como Nelson Rodrigues o denominou, era um negro esguio, de passadas largas, cabeça erguida, estilo clássico e elegante. Tratava a bola – a quem se referia como "a criança" – com carinho e precisão. Em retribuição, ela o seguia docilmente, "quase a lhe lamber as chuteiras, como uma cadelinha amestrada", em mais uma citação do Profeta Tricolor. Porém, mais que tudo, Waldir Pereira mudou a história do futebol mundial pois, até a sua época, os grandes meias abasteciam os atacantes com passes em linha reta, à média e curta distâncias. Valendo-se de uma balística original, Didi vinculou o passe longo à essência do jogo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recordamos que Didi jogou 298 partidas pelo Fluminense e marcou 91 gols mas, em 1956, se transferiu para o Botafogo. Nesse ponto, fomos tomados por total perplexidade. Por que o gênio da folha seca nunca foi identificado como um herói tricolor? Por que nos desfizemos de um craque tão espetacular? A oferta foi irrecusável? Nosso adversário tinha uma situação financeira melhor do que a nossa? Houve algum problema entre o clube e o jogador? Nossa conversa ainda continuou por bastante tempo e prometo esclarecê-los desses detalhes na próxima semana.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7901359081638881807-8358779941572744730?l=jtcarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/feeds/8358779941572744730/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/2010/07/o-genio-da-folha-seca.html#comment-form' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7901359081638881807/posts/default/8358779941572744730'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7901359081638881807/posts/default/8358779941572744730'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/2010/07/o-genio-da-folha-seca.html' title='O Gênio da Folha Seca'/><author><name>NETFLUBLOGS</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00877928506777997493</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_rSeQPHUphds/TFR6wOKOA9I/AAAAAAAAAEg/LLWtApMwTHc/S220/foto+nova+-+comunidade.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7901359081638881807.post-6230832593368418608</id><published>2010-07-09T15:21:00.002-03:00</published><updated>2010-07-09T15:24:09.125-03:00</updated><title type='text'>Para uma galeria de Fla-Flus imortais (IV)</title><content type='html'>Tricolores,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Convenhamos, para tudo há um limite. Em que pese seu inesgotável potencial de glórias e emoções, já tinha encerrado nossa série sobre os Fla-Flus Imortais, mas precisei abrir uma exceção. Meu grupo conversava sobre a estranha fatalidade que faz todos os erros de arbitragem se voltarem contra nós, quando nos apareceu o João Paulo. Grande figura, tem muito prestígio por aqui. Embora não seja carioca, nem sequer brasileiro (mas seu patrão o é, e isso já nos foi de muita valia), tem demonstrado ser um tricolor de todos os momentos, sobretudo das horas mais difíceis. A razão de voltar aos Fla-Flus é que, ao nos ouvir protestar contra as arbitragens e, mais ainda, contra a inconsequência de seus erros, o João Paulo ponderou: "Já foi pior, meus irmãos, bem pior. Ouviram falar no Caixa Econômica?".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trata-se do seguinte: contra toda as recomendações de discrição e conveniência, Caixa Econômica era o apelido de um bandeirinha da nossa Federação, lá pelo final da década de 1950. De antemão, a alusão a transações financeiras, investimentos e poupanças não era uma boa referência para o exercício profissional, mas o verdadeiro agravante eram suas atuações. Obviamente, a consagração definitiva não se poderia dar por um trivial impedimento mal assinalado ou a mera inversão de uma cobrança de lateral. Em abril de 1959, durante o segundo tempo de um Fla-Flu pelo Torneio Rio-São Paulo, o citado bandeirinha irrompeu de sua espessa obscuridade, adentrou as quatro linhas e lançou-se ao estrelato de uma forma original e inusitada: deu um passe para o centro-avante rubro-negro marcar um gol! A ação surpreendente e fulminante lançou a torcida tricolor em tal estupefação que sequer se sabe dizer se, após o passe bem sucedido, o Caixa Econômica também teria corrido para o abraço, beijado a camisa etc. Em resumo, perdemos de 2 a 0.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diante da perplexidade do grupo, nosso João Paulo emendou: "E há pior, muito pior". Em outubro de 1916, o Fla-Flu corria duríssimo. Perdíamos por 2 a 1, mas estávamos à beira do empate, quando o árbitro nos puniu com um pênalti, tão conveniente quanto suspeito. Os rubro-negros desperdiçaram a cobrança. Logo a seguir, sem demonstrar desânimo, o juiz marcou outro pênalti contra o Fluminense. Marcos Carneiro de Mendonça defendeu. Denotando notável perseverança, Sua Senhoria mandou cobrar outra vez, mas novamente Marcos de Mendonça defendeu. Sem se deixar abater pela adversidade, o árbitro mandou cobrar de novo.&lt;br /&gt;Aí foi demais: o escritor tricolor Coelho Neto invadiu o gramado, como um personagem de capa-e-espada, esgrimindo seu inseparável guarda-chuva. Nossa torcida o seguiu, tornando impossível a continuação da partida. Esse Fla-Flu foi a primeira anulação de um jogo de Campeonato Carioca. No dia 8 de dezembro, foi realizada uma nova partida e o Fluminense ganhou por 3x1. Vale registrar que o juiz não foi advertido, afastado dos nossos jogos ou suspenso duas rodadas, como se faz atualmente: ele jamais voltou a apitar uma partida de futebol no Rio de Janeiro. Bons tempos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda comentávamos a punição exemplar, tão em falta nos dias de hoje, quando João Paulo complementou: "E existe o caso da confissão oficial: por escrito e assinada!". Ouvimos, perplexos, o relato de mais esse assalto contra nossas cores. No Campeonato Carioca de 1922, no segundo turno, houve um Fla-Flu em General Severiano. A dois minutos do fim, jogo empatado em 2 x 2, o juiz nos anula o gol da vitória, sob a alegação de impedimento. Dessa vez, não invadimos o campo - talvez, pela ausência da liderança do espadachim Coelho Netto -, mas quase. Sob proteção policial, o juiz se refugiou no vestiário, onde redigiu a súmula histórica, reproduzida em todos os jornais do dia seguinte. Entre lamúrias, ressalvas e alegações atenuantes, reconhecia o seguinte: "Enganei-me ao registrar aquela falta. Fui ladrão, e quase fui feito em pedaços, o que só não se deu porque ajudaram-me alguns amigos. Não me julguem um venal etc. etc." Ouviram bem? Fui ladrão, confessou o gatuno. E não acrescentou um mísero ponto de exclamação, não alegou um constrangimento irresistível, doença na família, nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encerrado o breve capítulo introdutório de uma longa história de infâmias, alguém observou que - nesse universo de Caixa Econômica, Caixa d'Água, caixa dois etc. -, além da paixão, é preciso muita fé para perseverar na torcida pelo Fluminense. João Paulo sentiu que era a sua deixa. Ergueu a fronte, sua face iluminou-se num efeito teatral e encerrou, taxativo: "Queridos irmãos, fé é o que não falta. Nas arquibancadas, não existem ateus".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Este post e baseado em um texto do livro "Memorias Imortais, Glorias e Herois da Mitologia Tricolor", publicado por J.T. de Carvalho pela Editora Corifeu.&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7901359081638881807-6230832593368418608?l=jtcarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/feeds/6230832593368418608/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/2010/07/para-uma-galeria-de-fla-flus-imortais.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7901359081638881807/posts/default/6230832593368418608'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7901359081638881807/posts/default/6230832593368418608'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/2010/07/para-uma-galeria-de-fla-flus-imortais.html' title='Para uma galeria de Fla-Flus imortais (IV)'/><author><name>NETFLUBLOGS</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00877928506777997493</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_rSeQPHUphds/TFR6wOKOA9I/AAAAAAAAAEg/LLWtApMwTHc/S220/foto+nova+-+comunidade.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7901359081638881807.post-3514899693131177823</id><published>2010-07-02T15:03:00.002-03:00</published><updated>2010-07-03T16:43:39.039-03:00</updated><title type='text'>O Homem dos Nove Instrumentos</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Tricolores,&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para lhes poupar tempo e paciência fiz um relato bastante breve da recente conversa do meu grupo sobre um dos grandes intelectuais tricolores, Coelho Neto. As lembranças foram incontáveis: o hino composto para o nosso clube; sua invasão de campo, brandindo o inseparável guarda-chuva para impedir que fôssemos roubados em um Fla-Flu (provocando a primeira anulação de um jogo de Campeonato Carioca), e tantas outras histórias. Deixei para esse novo post as recordações sobre sua maior contribuição para o Fluminense e o esporte brasileiro: seu filho, João Coelho Neto, o Preguinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nascido em 8 de fevereiro de 1905 - portanto, apenas dois anos, seis meses e dezessete dias depois do Fluminense -, ele foi admitido como sócio infantil, sob o número 20. Aos seis anos de idade, quando aprendia natação com seu irmão Emmanuel, o Mano, João foi por ele chamado de Prego. O apelido jamais o abandonou embora, ironicamente, tenha se tornado o mais perfeito atleta de todos os tempos a vestir o uniforme tricolor. Em resumo, praticou nove modalidades esportivas - futebol, basquete, natação, pólo aquático, remo, saltos ornamentais, atletismo, voleibol e hóquei sobre patins – sempre com excelente desempenho. Deu ao clube 387 medalhas, a maioria de ouro, e 55 títulos. Foi campeão carioca de voleibol em 1923; de atletismo em 1925 e basquete em 1924, 25, 26, 27 e 31 sendo, até hoje, nosso segundo maior cestinha, com 711 pontos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como jogador de futebol, Preguinho jamais atuou por outro clube ou aceitou qualquer tipo de remuneração, mesmo após a implantação do profissionalismo. Foi o primeiro capitão e o autor do primeiro gol de uma Seleção Brasileira em Copas do Mundo, no Uruguai, em 1930 - o gol de honra na derrota para a Iugoslávia por 2×1. Na partida seguinte, contra a Bolivia, marcou mais dois gols na vitória brasileira por 4 a 0. O Canal 100 fez um documentário sobre a derrota brasileira de 74 – Futebol Total - no qual ele dá um depoimento sobre sua participação naquela primeira Copa do Mundo.&lt;br /&gt;Pelo Fluminense, Preguinho participou do tricampeonato de 1936, 37 e 38, e por cinco vezes foi o artilheiro tricolor (em 1928 e 32, também do Campeonato Carioca, com 16 e 21 gols, respectivamente), marcando um total de 184 gols, em 174 jogos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Protagonizou vários episódios memoráveis, nos quais demonstrou garra, versatilidade e, sobretudo, seu imenso amor pelo Fluminense. Por exemplo, em 1925, após nadar a prova de 600m (hoje transformada em 800m livre), vestiu um roupão de banho e rumou de táxi para as Laranjeiras, bem a tempo de jogar contra o São Cristóvão e ganhar o Torneio Início.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Felizmente, o Fluminense soube lhe reconhecer os méritos: além do primeiro título de Grande Benemérito Atleta, conferido em 1952, João Coelho Netto tem um busto nas Laranjeiras e deu seu nome ao ginásio do clube. Em nossos dias, depois de tantas mudanças no mundo do futebol, Preguinho não pode mais representar um exemplo a ser seguido. Mas pode, perfeitamente, servir de parâmetro, sobretudo para os torcedores, quando ouvirmos declarações de amor ao clube ou quando tivermos a oportunidade de aclamar um verdadeiro Herói Tricolor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Este post é baseado em um texto do livro "Memorias Imortais, Glórias e Heróis da Mitologia Tricolor", publicado por J.T. de Carvalho pela Editora Corifeu.&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7901359081638881807-3514899693131177823?l=jtcarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/feeds/3514899693131177823/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/2010/07/o-homem-dos-nove-instrumentos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7901359081638881807/posts/default/3514899693131177823'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7901359081638881807/posts/default/3514899693131177823'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/2010/07/o-homem-dos-nove-instrumentos.html' title='O Homem dos Nove Instrumentos'/><author><name>NETFLUBLOGS</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00877928506777997493</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_rSeQPHUphds/TFR6wOKOA9I/AAAAAAAAAEg/LLWtApMwTHc/S220/foto+nova+-+comunidade.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7901359081638881807.post-6552076092753821711</id><published>2010-06-25T11:01:00.004-03:00</published><updated>2010-06-25T11:04:55.631-03:00</updated><title type='text'>Um Intelectual Tricolor</title><content type='html'>Tricolores,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante os encontros mais recentes do meu grupo, volta e meia alguém se refere ao Antonio, o italianinho da Sardenha que, pelo falatório e por nossas cores, nos confundiu com patrícios seus. O Adionson, por exemplo, tem especial predileção pela tese de que "todo homem é um intelectual" e, modestamente, costuma citar o seu próprio caso. Até o momento, não angariou adesões. Impressionou a todos a rápida compreensão do Antonio de que a causa tricolor se deva expressar em um vasto projeto cultural, com visibilidade e capacidade de influência nos espaços estratégicos da sociedade, sobretudo valorizando o nosso incomparável patrimônio histórico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A esse respeito, Antonio Carlos comentou que, com um ano de atraso, o Teatro Municipal do Rio de Janeiro acaba de inaugurar uma grande reforma comemorativa do seu centenário. "Pois ninguém, nem o nosso clube, se lembrou de homenagear o ilustre tricolor que escreveu a primeira peça encenada naquele teatro". Diante da curiosidade sobre esse grande nome, ele nos informou, exaltado: "Coelho Neto!". Acreditem, a reação coletiva foi de aplauso. A simples menção desse nome, por sua biografia e sua obra, esclarece o que é o Fluminense e o significado de ser tricolor.&lt;br /&gt;Henrique Maximiano Coelho Neto nasceu em 1864, no interior do Maranhão, e veio para o Rio de Janeiro com a família aos seis anos de idade. Seu espírito irrequieto e a curiosidade intelectual o conduziram ao jornalismo e à vida literária. Em 1890, casou-se com D. Gabi, com quem teve sete filhos. Para manter a família, escrevia cerca de dez horas por dia, em uma rotina que acabou por lhe prejudicar a saúde. Em 1900, doente, viu-se obrigado a vender em leilão os seus móveis, livros, cristais etc. Em 1905, a família alugou uma casa na Rua do Roso, no. 79, esquina com Pinheiro Machado, bem em frente ao Fluminense F.C., tornando-se um apaixonado tricolor. Após sua morte, essa rua passou a se chamar Coelho Neto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Destemido capoeirista, Coelho Neto encaminhou os filhos para a prática esportiva em nosso clube: Georges e Paulo atuaram no atletismo, Violeta na natação, Emmanuel (o Mano, prematuramente falecido) foi craque no futebol e João, o Preguinho, o maior atleta de toda a História do Fluminense, se destacando na prática de nove modalidades esportivas. A esse respeito, com humildade e bom humor, Coelho Neto dizia: "Já publiquei mais de cem livros, mas sou reconhecido na rua como o pai do Preguinho". Como escritor, seu estilo era criativo e precioso, com o uso frequente de termos raros. Foi convidado por Machado de Assis para ser um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras, da qual viria a ser o nono presidente e pela qual foi indicado ao Premio Nobel de Literatura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Coelho Neto era cortejado pelos principais jornais do país e, em duas ocasiões, o voto popular o elegeu o "Príncipe dos Prosadores Brasileiros". Em 1899, no Maranhão, recebeu uma homenagem inédita: os estudantes desatrelaram os cavalos de sua charrete e o puxaram até seu destino. No entanto, em torno do início da década de 1920, o autor e sua obra passaram a enfrentar ataques injustos e raivosos. Em princípio, de Lima Barreto, o "homem do povo" e, mais tarde, após o sucesso do movimento modernista de São Paulo, a necessidade de combater nossas melhores tradições o tornou o homem mais atacado do Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu amigo Antonio Carlos fica indignado com as críticas a Coelho Neto: "Maranhense do interior, filho de um português e uma índia, trabalhador dedicado, frequentemente às voltas com dificuldades financeiras, defensor apaixonado da libertação dos escravos, da República, do voto feminino e da preservação da natureza, criador da expressão 'Cidade Maravilhosa', capoeirista, primeiro escritor brasileiro a admitir o futebol em seus textos como atividade saudável e educativa, ele era acusado de ser elitista, arrogante e alienado quando, na verdade, era apenas brilhante". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Coelho Neto não se conformou com a arte pela arte. Soube se valer da palavra escrita ou falada para denunciar e combater, mas também para educar, elogiar e construir. Em 28 de novembro de 1934, esse intelectual tricolor, comprometido com as causas populares e com o progresso, partiu para o outro lado do mistério da vida, onde nos encontramos meus amigos e eu.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;J.T de Carvalho escreve todas as sextas&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7901359081638881807-6552076092753821711?l=jtcarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/feeds/6552076092753821711/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/2010/06/um-intelectual-tricolor.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7901359081638881807/posts/default/6552076092753821711'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7901359081638881807/posts/default/6552076092753821711'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/2010/06/um-intelectual-tricolor.html' title='Um Intelectual Tricolor'/><author><name>NETFLUBLOGS</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00877928506777997493</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_rSeQPHUphds/TFR6wOKOA9I/AAAAAAAAAEg/LLWtApMwTHc/S220/foto+nova+-+comunidade.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7901359081638881807.post-1329861688920212991</id><published>2010-06-18T13:14:00.004-03:00</published><updated>2010-06-18T13:21:01.522-03:00</updated><title type='text'>Por uma galeria de Fla-Flus imortais (3)</title><content type='html'>Tricolores,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha turma é totalmente avessa à tecnologia. A consequência é que desejam participar da composição da Galeria de Fla-Flus Imortais, mas alegam não saber "bater à máquina" (que é como denominam a digitação). Faço a justificativa porque o Angenor, notável compositor aqui do grupo, pediu que fizesse o registro de um episódio, para mim, até então desconhecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo os mais jovens já terão ouvido falar de Ary Barroso, mineiro da cidade de Ubá, notório radialista, compositor popular (como o Angenor), mas com uma mancha indelével em sua biografia futebolística. O Ary Barroso era (ou se dizia) tricolor, vivia em Álvaro Chaves, era homenageado, convidado a tocar piano em todas as festas etc. Certo dia, por motivo fútil ou de caso pensado, abandonou o nosso clube e se declarou rubro-negro. A súbita e espantosa conversão contrariou a todos. Outro compositor da época, Haroldo Barbosa, tricolor verdadeiro, nunca aceitou a deserção e não perdia oportunidade para provocar o Ary e aprontar-lhe alguma gozação.&lt;br /&gt;Em um domingo de setembro de 1955, haveria um Fla-Flu que, antecipadamente, Ary Barroso anunciava como ganho pelo rubro-negro. Haroldo, confiante na vitória tricolor, propôs-lhe a aposta, logo aceita: "O seu bigode contra o meu. Quem perder raspa!". Ora, o bigode do Ary era sua marca registrada, havia quem especulasse já haver nascido com ele. Era mais crível vê-lo nu, no Centro da cidade, do que de cara limpa. Resultado do jogo: Fluminense 2x1. Segundo o trato, o encontro seria no Bar Casa Villarino, tradicional templo da boemia intelectual, onde cerca de 30 pessoas aguardavam o cumprimento da aposta. Mas, o Ary não apareceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Iniciaram-se as buscas, até que ele foi descoberto na casa da Linda Batista. Um batalhão de tricolores invadiu o apartamento da cantora disposto a fazê-lo cumprir o trato. De início, Ary alegou compromissos profissionais: precisava conservar o bigode, pelo menos até o sábado seguinte, em função de suas atividades na boate do Hotel Plaza. Diante da resistência geral, apelou para o argumento matrimonial: "A patroa não vai gostar. Isso ainda acaba em separação". Solícitos - e sem especular sobre a relevância conjugal do famoso bigode - os tricolores telefonaram para D. Ivone que deu a sentença inapelável: "Perdeu a aposta? Então, raspa!". Munido de um providencial aparelho de barbear, Haroldo Barbosa pôs abaixo o bigode do rubro-negro. Derrotado, Ary ainda arriscou um final épico: "Espero que o meu clube se inspire no meu sacrifício".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era esse o Fla-Flu escolhido pelo Angenor. Para comprovar o que dizia, me entregou uma foto amarelada - com o Ary sem bigode -, publicada na revista O Cruzeiro, de 1963.Perguntei-lhe se tinha perdido a oportunidade de também gozar o famoso desertor. Ao seu jeito discreto, ele confessou lhe ter apenas cochichado: "Ary, disfarça e chora".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Este post e baseado em um texto do livro “Memorias Imortais, Glorias e Herois da Mitologia Tricolor”, publicado por J.T. de Carvalho pela Editora Corifeu.&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7901359081638881807-1329861688920212991?l=jtcarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/feeds/1329861688920212991/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/2010/06/por-uma-galeria-de-fla-flus-imortais-3.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7901359081638881807/posts/default/1329861688920212991'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7901359081638881807/posts/default/1329861688920212991'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/2010/06/por-uma-galeria-de-fla-flus-imortais-3.html' title='Por uma galeria de Fla-Flus imortais (3)'/><author><name>NETFLUBLOGS</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00877928506777997493</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_rSeQPHUphds/TFR6wOKOA9I/AAAAAAAAAEg/LLWtApMwTHc/S220/foto+nova+-+comunidade.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7901359081638881807.post-3357869787584622462</id><published>2010-06-15T12:18:00.002-03:00</published><updated>2010-06-15T12:20:40.668-03:00</updated><title type='text'>Nelson Rodrigues, fundador do FFC</title><content type='html'>Tricolores,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou ciente de que o Fluminense Football Club foi fundado em 21 de julho de 1902, em reunião com vinte participantes, ocorrida na Rua Marquês de Abrantes, nº 51. A seguir, em 25 de julho, deu-se a eleição da Diretoria, que consagrou Oscar Cox, aos 22 anos de idade, como nosso primeiro Presidente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também estou informado de que Nelson Falcão Rodrigues nasceu em Recife (PE), em 23 de agosto de 1912. Trata-se de evidente impossibilidade cronológica supor que Nelson Rodrigues estivesse reunido na Rua Marquês de Abrantes, com os vinte jovens que tiveram a ousadia e a clarividência histórica de fundar o Fluminense. Sem dúvida, seria essa a análise perfeita e irretocável de um idiota da objetividade. Em contraposição, defendo meu ponto essencial: para a alma tricolor, Nelson Rodrigues e Oscar Cox são parceiros e contemporâneos. Embora nascido a milhares de quilômetros de distância do Rio de Janeiro e dez anos após o ato de fundação, Nelson Rodrigues está legitimamente investido da condição de fundador, criador ou inventor do Fluminense.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se Oscar Cox e os primeiros tricolores nos providenciaram indispensáveis elementos físicos - estatuto, sede, uniforme, bandeira etc.-, Nelson elaborou a metafísica que esclarece a essência e expressa a magia de ser tricolor. Para ele, mais do que fundamentos técnicos ou esquemas táticos, a sustentação do futebol está na epopéia que incendeia paixões, cria mitos, heróis, glórias e tragédias. Como esclareceu, "por tudo que o futebol tem de misterioso e de patético, a mais sórdida pelada de subúrbio é de uma complexidade shakespeareana. Às vezes, num córner mal ou bem batido, há um toque evidentíssimo do sobrenatural." Sua conclusão é que, "no futebol, o pior cego é aquele que só vê a bola". Permanente observador da alma humana, Nelson Rodrigues não subestimava a importância das fantasias na composição de nosso enigma existencial ou a importância dos mitos no complexo enredo das nações. Com essas convicções, se outorgou a missão de traduzir em palavras a dimensão épica da maior paixão popular brasileira do século XX: o futebol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em especial, dedicou-se à Seleção Brasileira – a pátria de chuteiras -, lutando para expurgar-lhe o complexo de vira-latas, que nos impunha derrotas prévias ao apito inicial. Ainda com maior paixão, dedicou-se ao Fluminense, do qual cada partida continha uma revelação mágica e cada craque ou perna-de-pau era um ser mitológico. Morto em dezembro de 1980, seu nome e sua obra têm a atualidade e a concretude de uma presença física. Mesmo para jovens tricolores que jamais o conheceram, Nelson Rodrigues existe, vive!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A crônica esportiva surgiu para Nelson já na maturidade. Na segunda metade da década de 1950, consagrado como dramaturgo e escritor, ele começou a redigir textos semanais para a revista Manchete Esportiva. A partir de 1960, iniciou uma participação na Grande Resenha Esportiva Facit, programa esportivo da TV Rio. Em 1966, se mudou para a TV Globo e, no programa Noite de Gala, apresentava o quadro A Cabra Vadia, no qual entrevistava personalidades do futebol. Nessa época, a TV Globo era a última colocada em audiência, o cenário de terreno baldio fazia juz ao nome, a voz lenta e a dicção de Nelson não atendiam às necessidades da televisão. Surpreendentemente, a repercussão foi imensa: nas esquinas e nos botecos, citava-se com familiaridade seus deliciosos personagens, bordões e frases de efeito. No final de 1967, ele voltou a escrever no jornal O Globo e passou a publicar as crônicas À Sombra das Chuteiras Imortais, que lhe ajudaram a consolidar a obra futebolística.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seduzidos por Nelson, tenho a impressão de que muitos escolheram torcer pelo Fluminense. Mas estou seguro de que – mesmo sem ser possível aumentar em nada a nossa paixão -, todos nos tornamos mais tricolores, porque as palavras do Profeta ampliaram esse significado. Com Nelson, o Fluminense extrapolou as quatro linhas do gramado, saltou os muros das Laranjeiras, transpôs as fronteiras geográficas do Rio de Janeiro e do Brasil e os próprios limites de nossa frágil e transitória existência terrena. Nelson tornou possível ser tricolor para além da vida e da morte.&lt;br /&gt;É só.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Este post é baseado em um texto do livro "Memórias Imortais, Glórias e Heróis da Mitologia Tricolor", publicado por J.T. de Carvalho pela Editora Corifeu.&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7901359081638881807-3357869787584622462?l=jtcarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/feeds/3357869787584622462/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/2010/06/nelson-rodrigues-fundador-do-ffc.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7901359081638881807/posts/default/3357869787584622462'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7901359081638881807/posts/default/3357869787584622462'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/2010/06/nelson-rodrigues-fundador-do-ffc.html' title='Nelson Rodrigues, fundador do FFC'/><author><name>NETFLUBLOGS</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00877928506777997493</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_rSeQPHUphds/TFR6wOKOA9I/AAAAAAAAAEg/LLWtApMwTHc/S220/foto+nova+-+comunidade.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7901359081638881807.post-5699003959227761304</id><published>2010-06-11T08:47:00.001-03:00</published><updated>2010-06-11T08:48:34.146-03:00</updated><title type='text'>A Questão da Hegemonia</title><content type='html'>Tricolores,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como sabem, em qualquer ambiente, um grupo de brasileiros discutindo futebol não consegue passar despercebido. Imaginem o que ocorre neste sítio paradisíaco em que meus amigos e eu nos encontramos para tratar dos memoráveis episódios da Mitologia Tricolor. Volta e meia, atraímos alguns curiosos, às vezes, por um simples mau entendido. Outro dia, comemorávamos o aniversário de oito anos da chegada do Mario Lago. Podem imaginar? Angenor ao violão, Antonio Carlos ao piano, o próprio Mario cantando seus grandes sucessos e, desfraldada por trás do grupo, a bandeira do Fluminense. Confundido por nossas três cores, um italianinho se aproximou para ver do que se tratava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antonio, era o seu nome. Baixinho, oclinhos redondo, nos disse ser natural da Sardenha e ter chegado aqui em 1937. Declarou-se torcedor do Cagliari e, apesar do tipo físico, alegou ter sido um ótimo extrema esquerda. Minto, meia esquerda. Segundo nos contou, sempre teve preocupação com os aspectos estratégicos do jogo e esclareceu alguns pontos do seu pensamento: “Nada de ataques frontais a defesas retrancadas. Tem que ‘comer o mingau quente pelas beiradas’, atacar pelas laterais e, progressivamente, infiltrar gente do seu quadro na área adversária”. Embora tenha ficado preso a uma instituição por dez anos, sua forma de atuar veio a ter grande influência na Europa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antonio ficou muito impressionado com tudo que lhe contamos sobre a trajetória do Fluminense, com os feitos de nossos heróis e, sobretudo, com o fato de os grandes momentos da nossa história sempre coincidirem com períodos de transformação e de progresso do Rio de Janeiro (ou do Distrito Federal) e da sociedade carioca. Como é natural, nos queixamos dos últimos 15 anos e de suas más consequências. O italianinho a tudo ouviu atentamente e, por fim, opinou: “Aparentemente, vocês têm vários problemas mas, a meu ver, todos eles se resumem a um só: mudança de mentalidade. O Fluminense”, disse, “me parece um vasto projeto cultural, no qual o futebol desempenha um papel fundamental. Então, a política do clube não pode ficar restrita a seus muros. Os tricolores precisam ocupar posições estratégicas e influir na formação das opiniões. Ganhar títulos em maior número é uma consequência, a verdadeira hegemonia se conquista fora de campo”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E prosseguiu: “Uma boa gestão dos interesses do clube não se restringe às questões internas, é preciso atuar na sociedade, infuenciar o modo de ver as coisas. O poder se exerce pela força e pela capacidade de convencimento. Funciona assim: alguém pratica uma irregularidade ou inventa uma fantasia sem apoio nos fatos, a seguir, todos (aparentemente) concordam, elogiam. Quem denunciar estará errado, será tachado de “chorão”, mau perdedor etc.”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por longas horas conversamos com Antonio, o italiano. Ouvimos diversos pontos de vista interessantes e alguns surpreendentes. Em certo momento, ele afirmou que “todos os homens são intelectuais”, o que fez o Adionson sorrir, pigarrear e esboçar uma intervenção, mas o olhar severo do Stanislaw o deteve. Por fim, informamos ao inesperado parceiro que, no momento, as esperanças e sobressaltos eram ainda maiores, pois nosso clube se encontra em pleno ano eleitoral. Ele sorriu e finalizou a conversa: “Ah, já entendi. A crise consiste precisamente no fato de que o velho está morrendo e o novo ainda não pode nascer."&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7901359081638881807-5699003959227761304?l=jtcarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/feeds/5699003959227761304/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/2010/06/questao-da-hegemonia.html#comment-form' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7901359081638881807/posts/default/5699003959227761304'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7901359081638881807/posts/default/5699003959227761304'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/2010/06/questao-da-hegemonia.html' title='A Questão da Hegemonia'/><author><name>NETFLUBLOGS</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00877928506777997493</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_rSeQPHUphds/TFR6wOKOA9I/AAAAAAAAAEg/LLWtApMwTHc/S220/foto+nova+-+comunidade.jpg'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7901359081638881807.post-5360217758500056391</id><published>2010-06-08T12:14:00.000-03:00</published><updated>2010-06-08T12:15:57.499-03:00</updated><title type='text'>O Último Grande Goleiro Tricolor</title><content type='html'>Tricolores,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma das repercussões mais frequentes e constrangedoras da aterosclerose sobre a mente humana é a dificuldade em dispor da memória recente. O sujeito é capaz de lembrar da roupa com a qual foi batizado ou do paladar da primeira mamadeira, mas não há como estar seguro se tomou o café da manhã. Esse alarmante quadro clínico se refere a uma discussão do meu grupo sobre a safra mais recente de arqueiros tricolores e à convicção de que o último grande nome terá sido o goleiro do tricampeonato da década de 80, Paulo Victor. Em meio à conversa, surgiram as seguintes questões: “Como o Fluminense descobriu Paulo Victor?”; “Como foi sua trajetória inicial no clube?”. A realidade é que não sabíamos, ou não lembrávamos – o que dava no mesmo. Nossa perplexidade foi resolvida pelo Adionson, o componente mais novo da turma, que orgulhosamente se prontificou a nos minimizar o vexame.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No final de 1980, após conquistarmos o título estadual, houve um jogo amistoso entre as seleções de juniores do Rio de Janeiro e do Espírito Santo, na preliminar do clássico local Desportiva Ferroviária e Rio Branco. Na ponta-esquerda da nossa seleção estava o Paulinho (Carioca), que viria a fazer o gol de falta do título de 1985. Na delegação, seu tio e funcionário do Fluminense, Roberto Alvarenga, cuja presença tinha um caráter mais relevante do que simplesmente acompanhar o sobrinho: avaliar um promissor meia-esquerda do Desportiva Ferroviária, Geovani. Como se sabe, o objetivo inicial não foi bem sucedido, pois o jogador acabou se transferindo para o Vasco da Gama, mas o experiente Roberto Alvarenga voltou encantado com a atuação do goleiro da preliminar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dessa forma, em 1981, Paulo Victor cruzava os portões de Álvaro Chaves. Seu carisma pessoal e o imenso potencial técnico, amadurecido sob a orientação do Prof. João Carlos Travassos, viriam a transformá-lo em digno herdeiro da camisa número 1 e ídolo da torcida tricolor. No entanto, seu início no clube foi bastante difícil, pois passou quase um ano na reserva de Paulo Goulart. Não bastasse a longa espera, sua estréia - no Campeonato Brasileiro de 1982, contra a Portuguesa de Desportos –, envolveu-o em um episódio que poderia lhe marcar a carreira de forma negativa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As intensas chuvas daquele dia deixaram o gramado do Estádio do Canindé cheio de poças, e uma delas deteve uma bola que, normalmente, sairia pela linha de fundos. Certo desse destino, Paulo Victor apenas acompanhava sua trajetória, de costas para o campo. Um atacante adversário antecipou-se e marcou um gol de difícil justificativa. No entanto, qualquer temor da torcida se desfez a partir da estréia no Maracanã, quando tivemos a clara demonstração dele já haver caído nas graças de nosso santo protetor. No jogo contra o Campinense tivemos duas bolas na trave e um pênalti chutado para fora. Não havia dúvida: São Castilho o abençoara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sucessão de atuações seguras, o tricampeonato estadual e o título nacional o levaram, com naturalidade, a ser convocado por Telê Santana para a Seleção Brasileira que disputou a Copa do Mundo de 1986. No ano seguinte, a grande decepção: um desentendimento com o treinador da Seleção Pré-Olímpica, Carlos Alberto Silva, inviabilizou sua permanência entre os convocados.&lt;br /&gt;Entre as tantas alegrias proporcionadas por Paulo Victor, resolvemos registrar apenas uma, escolhida por consenso. O cenário é o seguinte: 1988, Fla- Flu do 1º. turno, 1 x 0 (gol do nosso lateral-direito, Cacau), fim de jogo, pênalti contra nós. A torcida rubro-negra se concentra atrás da baliza, acende uma cascata de fogos de artifício e faz um alarde ensurdecedor. Nosso goleiro demonstra uma concentração imperturbável, como se o estádio estivesse vazio, como se naquele momento só existissem ele, a bola e o cobrador. Andrade chuta forte, rasteiro, no canto esquerdo, Paulo Victor espalma para escanteio e, antes que se faça a cobrança, acena para a torcida adversária, como se agradecesse a comemoração antecipada da grande defesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Felizmente, tivemos a oportunidade de lhe reconhecer os bons serviços e oferecer uma consagração que raros ídolos mereceram. Em 1994, no final da carreira, Paulo Victor jogava pelo Volta Redonda e precisou enfrentar o Fluminense. Em declaração ao jornal Lance, ele mesmo revela o ocorrido: “Implorei para não jogar, não aguentaria. Mas fui obrigado e lá fui eu. Laranjeiras lotada. Pênalti para o Fluminense. Eu não sabia mais o que fazer. O Ézio bateu e eu defendi. Achei que seria linchado, mas ouvi o estádio inteiro gritando: “É Paulo Victor! É Paulo Victor!”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Este post é baseado em um texto do livro "Memórias Imortais, Glórias e Heróis da Mitologia Tricolor", publicado por J.T. de Carvalho pela Editora Corifeu.&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7901359081638881807-5360217758500056391?l=jtcarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/feeds/5360217758500056391/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/2010/06/o-ultimo-grande-goleiro-tricolor.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7901359081638881807/posts/default/5360217758500056391'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7901359081638881807/posts/default/5360217758500056391'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/2010/06/o-ultimo-grande-goleiro-tricolor.html' title='O Último Grande Goleiro Tricolor'/><author><name>NETFLUBLOGS</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00877928506777997493</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_rSeQPHUphds/TFR6wOKOA9I/AAAAAAAAAEg/LLWtApMwTHc/S220/foto+nova+-+comunidade.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7901359081638881807.post-2079958597817369746</id><published>2010-06-05T12:52:00.004-03:00</published><updated>2010-06-05T12:59:07.559-03:00</updated><title type='text'>Mario....que Mario?</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_rSeQPHUphds/TAp0B2Jj9_I/AAAAAAAAADc/vnGPAPfZYRI/s1600/Mario-Lago_Tricolor.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 397px; height: 249px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_rSeQPHUphds/TAp0B2Jj9_I/AAAAAAAAADc/vnGPAPfZYRI/s400/Mario-Lago_Tricolor.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5479319471713941490" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Tricolores,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei se estão todos a par de uma das tantas frases do Adionson (antigo parceiro e neo-repórter aqui do grupo) sobre a vocação tricolor para todas as vitórias: "O Fluminense nunca perde: ganha, empata ou é roubado". Mesmo consideradas as generosas doses de paixão e parcialidade da declaração, as rodadas iniciais do atual Campeonato Brasileiro têm dado repetidas demonstrações da tese do meu controvertido amigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; No domingo passado, após a brilhante virada em Belo Horizonte, João Paulo e eu nosdemoramos a comentar as conveniências de uma arbitragem isenta, a enumerar os "erros" e as "infelicidades" de árbitros e assistentes, notórios e reincidentes, e acabamos por chegar um pouco atrasados à reunião do nosso grupo tricolor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encontramos o ambiente em total animação. A conversa dos amigos oscilava entre a escolha do repertório (a cargo do Angenor), aspectos da decoração, a conveniência de incluir algum discurso ou saudação (o Stanislaw considerava uma chatice) etc. Tratava-se claramente da organização de uma festa, mas não percebíamos porque ou para quem, quando o Antonio Carlos explicou: "Hoje é dia 30 de maio, é o aniversário de oito anos  da chegada do Mario!". Em sua santa ingenuidade, o João Paulo deixou escapar a pergunta descuidada: "Mario... que Mario?". "O Mario da Amélia", esclareceu com educação o próprio Antonio Carlos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De fato, vejam que distração, em 2002, aqui chegava o Mario Lago: advogado, compositor, escritor, poeta, teatrólogo, radialista, ator e, evidentemente, torcedor do Fluminense. Se me permitem, vou resumir o que os amigos comentaram sobre este grande tricolor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mario nasceu em 1911, filho único de um maestro e neto de músicos. Por influência do avô materno,  começou a frequentar os chopes da Lapa , onde conheceu a vida cultural da época. Talvez por isso, tenha abandonado o projeto de se tornar pianista clássico, em troca da música popular e da vida boêmia. "A Lapa foi o chão de todos os meus passos. Na busca de caminhos e no encontro de atalhos... Conheci-a em muitas relidades e em diversos tempos", declarou certa vez. Mário foi sempre um amante das letras e começou sua vida artistica na poesia, com o primeiro poema publicado aos 15 anos. Chegou a se graduar em Direito, mas a música o levou para o ambiente do teatro.&lt;br /&gt;Como radialista trabalhou em várias emissoras e foi responsável por muitos programas e novelas. Suas composições - como a marcha carnavalesca "Aurora" e os sambas "Fracasso", "Ai, que saudades da Amélia" e "Atire a primeira pedra" – consolidaram uma imensa popularidade. Em 1964, foi um dos primeiros nomes da lista de perseguidos pela ditadura militar, sendo cassado e afastado de suas funções na Rádio Nacional. Na televisão, começou na TV Rio, com o programa "Câmera-Um". Em 1966, foi contratado pela TV Globo, onde atuou em dezenas de novelas. Participou de vários filmes e publicou cinco livros. Gilberto Gil lhe dedicou a música "O mar e o lago" e a escola de samba Acadêmicos de Santa Cruz o homenageou no carnaval de 2001.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos 90 anos de idade, na última entrevista ao Jornal do Brasil, Mário Lago revelou estar escrevendo uma autobiografia, e se mostrava confiante em atingir a marca centenária. "Fiz um acordo com o tempo", explicou, "nem ele me persegue, nem eu fujo dele. Um dia a gente se encontra". De modo traiçoeiro, um enfisema pulmonar intrometeu-se neste pacto, promovendo o encontro indesejado e interrompendo sua brilhante e produtiva trajetória. Mario Lago foi a perfeita tradução do que significa a expressão "elite tricolor": boêmio e trabalhador, gentil e combativo, sedutor e ético, elegante e com forte identidade popular. Quando chegou o momento da derradeira viagem, familiares, amigos e incontáveis fãs acorreram ao Teatro João Caetano para se despedir e cantar seus grandes sucessos, acompanhados pela Velha Guarda da Mangueira. Autoridades, partidos políticos e movimentos sociais apresentaram diferentes pavilhões em sua homenagem. Com maior destaque entre todos, Mario Lago partiu envolto na gloriosa bandeira do Fluminense Football Club.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7901359081638881807-2079958597817369746?l=jtcarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/feeds/2079958597817369746/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/2010/06/marioque-mario.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7901359081638881807/posts/default/2079958597817369746'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7901359081638881807/posts/default/2079958597817369746'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/2010/06/marioque-mario.html' title='Mario....que Mario?'/><author><name>NETFLUBLOGS</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00877928506777997493</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_rSeQPHUphds/TFR6wOKOA9I/AAAAAAAAAEg/LLWtApMwTHc/S220/foto+nova+-+comunidade.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_rSeQPHUphds/TAp0B2Jj9_I/AAAAAAAAADc/vnGPAPfZYRI/s72-c/Mario-Lago_Tricolor.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7901359081638881807.post-7968820284888629916</id><published>2010-05-28T14:01:00.002-03:00</published><updated>2010-06-01T17:51:02.324-03:00</updated><title type='text'>Para uma Galeria de Fla-Flus Imortais (2)</title><content type='html'>Tricolores,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em uma de suas frases lapidares, Nélson Rodrigues definiu de modo sintético e definitivo: "Tudo é Fla-Flu, o resto é paisagem". Em apoio a esta verdade incontestável, cito a euforia dos meus  amigos após nossa recente vitória e o consequente entusiasmo para ampliarmos a Galeria de Fla-Flus Imortais. O Antonio Carlos se antecipou aos demais e exigiu: "Precisamos falar da Sacopenapã, relembrar das bolas na Sacopenapã!". Esclareço que era esse o nome da Lagoa Rodrigo de Freitas quando o Antonio Carlos nadava por lá, antes que o progresso nos proporcionasse a poluição e a mortandade de peixes. Penso que os tricolores conhecem bem o episódio mas, para atender ao amigo, rememoro aquele que ficou conhecido como o Fla-Flu da Lagoa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na partida final do Campeonato de 1941, o empate bastava para o Fluminense se sagrar campeão. Começamos melhor e fizemos dois gols mas, antes de terminar o primeiro tempo, os rubro-negros diminuíram e, aos 39 minutos do segundo, empataram a partida. Eis a verdade: o Fla-Flu decisivo do Campeonato de 41 teve 84 minutos absolutamente supérfluos e irrelevantes. Caso a Federação Carioca dispusesse de dotes paranormais, poderia ter orientado previamente a arbitragem para dar apenas os 6 minutos finais do jogo. Nesse escasso período, se desenvolveu o enredo dramático que conduziu esse Fla-Flu a um lugar de honra na Mitologia Tricolor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Extenuados e sob a intensa pressão de decidir o campeonato na casa do adversário, nossos jogadores passaram a chutar a bola sobre os muros do estádio, nas águas da Lagoa Rodrigo de Freitas. Quando todas as bolas disponíveis já boiavam no famoso espelho d'água, os dirigentes adversários mobilizaram seus atletas originais - os remadores - para desempenhar a nobre função de gandulas aquáticos, e garantir sua devolução com maior rapidez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neutralizado o expediente lacustre, providenciamos a cera técnica: nosso ponta-esquerda, Carreiro, infernizou os adversários e foi de tal forma caçado em campo, que acabou com a camisa rasgada dentro da grande área, clamando por pênalti. O juiz não apenas ignorou a penalidade, como o expulsou, não sem antes ouvir uma série de reclamações e apelos que consumiram mais alguns segundos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos 40 minutos, com 10 homens em campo, nosso goleiro Batatais teve a clavícula deslocada, mas permaneceu heroicamente à frente de baliza tricolor. Como o jogo não acabava, o habilidoso Romeu Pelliciari resolveu fazê-lo a seu modo, mantendo a posse da bola. Romeu caminhava, corria, driblava, voltava e não se desfazia da pelota. Em determinado momento, chegou até a linha de fundo adversária e retornou ao nosso campo. Quando perceberam que o tempo passava, começaram a lhe fazer faltas. Inútil: após a cobrança, a ciranda recomeçava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todo esse enredo se desenrolou a partir dos 39 minutos da etapa final! Quanto tempo terão durado esses 6 minutos? Em nosso singelo cotidiano, teriam transcorrido 360 segundos mas, na dimensão metafísica de um Fla-Flu decisivo, as possibilidades são mais amplas: para os rubro-negros, um breve instante; para nós, uma eternidade. Na fria lógica do cronometrista (sim, havia essa figura no futebol de 41) foram exatos 12 minutos. Decorrido esse tempo, o juiz encerrou a partida, as garças e os frangos-d’água retomaram sua pacífica rotina na Lagoa Rodrigo de Freitas e o Fluminense era o Campeão Carioca de 1941.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao final dessas lembranças, Antonio Carlos afastou-se com um aceno solene do costumeiro chapéu, tomado por um transe de paixão tricolor. Se não me engano, levitava ligeiramente. Já ao longe, nos gritou uma variação da sentença rodrigueana: "O Fla-Flu da Lagoa é tudo... e mais a paisagem".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Este post é baseado em um texto publicado no livro "Memórias Imortais, Glórias e Heróis da Mitologia Tricolor", publicado por J.T. de Carvalho pela Editora Corifeu.&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7901359081638881807-7968820284888629916?l=jtcarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/feeds/7968820284888629916/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/2010/05/para-uma-galeria-de-fla-flus-imortais-2.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7901359081638881807/posts/default/7968820284888629916'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7901359081638881807/posts/default/7968820284888629916'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/2010/05/para-uma-galeria-de-fla-flus-imortais-2.html' title='Para uma Galeria de Fla-Flus Imortais (2)'/><author><name>NETFLUBLOGS</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00877928506777997493</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_rSeQPHUphds/TFR6wOKOA9I/AAAAAAAAAEg/LLWtApMwTHc/S220/foto+nova+-+comunidade.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7901359081638881807.post-6779364815742710198</id><published>2010-05-25T10:00:00.002-03:00</published><updated>2010-05-25T10:39:48.737-03:00</updated><title type='text'>Hércules, um herói tricolor</title><content type='html'>Tricolores,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em todas as mitologias, o heroísmo é o caminho pelo qual os seres humanos podem alcançar a vida eterna, mas é pela narração de suas glórias que se concretiza essa imortalidade. De forma exemplar, a Mitologia Tricolor preenche os dois requisitos: tivemos jogadores que maravilharam os gramados com feitos extraordinários; tivemos Paulo Coelho Netto, o maior historiador de um clube de futebol em todos os tempos e tivemos Nelson Rodrigues - o nosso Homero -, um gênio com a sensibilidade para tecer seus enredos fantásticos. Muito modestamente, meus amigos e eu passamos a eternidade a rememorar os primorosos capítulos da nossa Mitologia, com o singelo objetivo de imortalizar seus heróis nos corações e mentes da nossa torcida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo quem tenha pouco interesse por questões mitológicas, já terá percebido o destaque especial atribuído a um herói em particular: Hércules, filho de Zeus. Um campeão, um grande guerreiro, Hércules venceu diversos monstros e alcançou em definitivo sua condição heróica ao realizar 12 trabalhos tidos como impossíveis. Após sua morte, foi conduzido ao Olimpo e, ao longo do tempo, teve seu nome perpetuado em inumeráveis pinturas, estátuas, poemas e filmes. A conversa que, hoje, pretendo reproduzir trata deste assunto. Aliás, não exatamente. A intenção é recordar que também temos nosso Hércules, não menos forte, não menos corajoso, e para quem igualmente reivindicamos a condição de herói. Hércules de Miranda, por muitos considerado o melhor ponta esquerda de toda a História Tricolor, nasceu em Guaxupé (MG), em 1912, começou a carreira na várzea paulista e, em sequência, jogou no Juventus, no São Paulo da Floresta e no Independente. A torcida carioca o viu pela primeira vez em 1934, quando marcou o gol da vitória paulista, na decisão do título brasileiro contra a seleção carioca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Fluminense, Hércules estreou no dia 12 de junho de 1935, na vitória sobre a Portuguesa de Desportos, por 3 X 1. Em 1936, juntou-se a ele o centroavante Romeu – que tinha o hábito de passar meses sem errar um passe - e ganhamos o título carioca em uma melhor de três contra os rubronegros. Em 1937, recebemos mais um grande reforço, o meia esquerda da Portuguesa Santista, Elba de Pádua Lima, o Tim, com quem Hércules formou uma das mais famosas alas esquerdas do futebol brasileiro. Passamos a ter um ataque devastador e fizemos uma campanha irrepreensível: 17 vitórias, 4 empates, uma única derrota e o saldo de 43 gols. Em 1938, fomos tri-campeões. Em 39, nosso clube se envolveu em diversas atividades de apoio à entrada do Brasil na II Guerra Mundial e perdeu o foco da competição, mas nos dois anos seguintes voltamos a vencer o Campeonato Carioca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre 1935 e 1942, o nosso Hércules fez 164 gols em 176 jogos (com a impressionante média de quase um gol por partida) e, até hoje, é o quarto maior artilheiro da História do Fluminense. No tricampeonato de 36–37-38, foi o artilheiro absoluto, com o total de 56 gols. Em 1940, foi de novo o artilheiro do time, com 12 gols. Pela Seleção Brasileira, fez seis partidas e três gols, tendo atuado duas vezes na Copa do Mundo de 1938, na França. Segundo o cronista esportivo Geraldo Romualdo da Silva, Hércules tinha “um canhão no pé esquerdo e um míssil no direito”, o que justificava seu apelido de “Dinamitador”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todo herói é um ser singular, com virtudes e habilidades que o diferenciam dos demais mortais. No entanto, ainda maior é a glória dos que combateram as forças das trevas e do caos. O Hércules grego exterminou monstros que ameaçavam seus contemporâneos e executou 12 trabalhos impossíveis. O Hércules tricolor, entre diversas façanhas, executou 15 gols contra o clube de regatas da Gávea. Ainda hoje, em quase cem anos de confrontos, considerados todos os jogadores de ambos os clubes, ele se mantém como o maior artilheiro deste clássico. Eis um herói a quem devemos render homenagens especiais: Hércules, o “Dinamitador” de Fla-Flus.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7901359081638881807-6779364815742710198?l=jtcarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/feeds/6779364815742710198/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/2010/05/hercules-um-heroi-tricolor.html#comment-form' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7901359081638881807/posts/default/6779364815742710198'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7901359081638881807/posts/default/6779364815742710198'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/2010/05/hercules-um-heroi-tricolor.html' title='Hércules, um herói tricolor'/><author><name>NETFLUBLOGS</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00877928506777997493</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_rSeQPHUphds/TFR6wOKOA9I/AAAAAAAAAEg/LLWtApMwTHc/S220/foto+nova+-+comunidade.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7901359081638881807.post-5988028907257811703</id><published>2010-05-21T14:18:00.000-03:00</published><updated>2010-05-21T14:19:39.590-03:00</updated><title type='text'>Na ponta-esquerda, Rui Barbosa (final)</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;;"&gt;Tricolores,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.45pt; line-height: 115%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;;"&gt;Como talvez tenham lido, iniciamos a semana com um indecifrável mistério ou simples confusão mental do meu amigo Stanislaw. Conversávamos sobre os ponteiros esquerdos que já haviam sido honrados com o privilégio de vestir a camisa tricolor, quando o&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Stan lançou um nome inesperado: Rui Barbosa! Prontamente, o Antonio Carlos nos proporcionou uma síntese biográfica e citou alguns depoimentos de brasileiros ilustres sobre o intelectual baiano. Tudo muito instrutivo, mas nossa curiosidade era só uma: teria a “Águia de Haia” superado seu preconceito contra o futebol e sobrevoado a ponta esquerda de Álvaro Chaves? Stanislaw se deliciou com a nossa perplexidade e, a cada hipótese despropositada, aumentava o prazer de suas gargalhadas. Acusou-nos de amnésia, ingratidão e, finalmente, de tomarmos tudo ao pé da letra. “É claro que eu não me referia ao ilustre baiano”, começou a nos explicar, “eu falava do ‘Rui Barbosa do futebol’, o nosso genial ponta esquerda”. E contou o seguinte.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.45pt; line-height: 115%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;;"&gt;João Batista Siqueira Lima, mais conhecido como Carreiro, jogou no São Cristóvão entre 1935 e 39 e chegou às Laranjeiras no ano seguinte. Fez 127 jogos, 66 gols e foi bicampeão em 1940/41. Era um ponta esquerda arisco, debochado, que irritava os adversários com seus dribles desconcertantes. O curioso é que Carreiro era pequeno, tinha o pescoço fino, ombros estreitos e sua cabeça grande parecia ainda maior, tendo em vista a fragilidade do corpo. Além do tipo físico peculiar, ele tinha uma característica que, vez por outra, acomete os jogadores de futebol: a inteligência. A velha máxima atribuída a Didi teve em Carreiro seu verdadeiro autor e mais fervoroso praticante: a bola corria; seu corpo, não. Ou por outra, seus braços e pernas eram avidamente poupados, pois seu grande desgaste se dava no nível mental. Carreiro carregava consigo o recorte de um jornal inglês para mostrar a quem se insurgisse contra sua tese. Segundo lhe traduziram, lá estava escrito o seguinte: “quem corre é a bola”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.45pt; line-height: 115%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;;"&gt;Em um jogo importante, um de seus passes geniais deixou nosso centroavante na cara do gol. Depois de concluir para as redes com facilidade, o artilheiro correu para abraçar o autor intelectual da jogada. Carreiro o deteve e, apontando para a própria testa, orientou: “Abraço não, velho. Se quiser agradecer o passe, beija aqui”. Aquele mulato franzino e cabeçudo, a esbanjar malícia e a inventar coisas nunca vistas em um gramado (como uma “poderosa máquina cerebral”), recebeu da torcida um título honorífico que lhe caiu com perfeição: “o Rui Babosa do futebol!”. E nosso Rui Barbosa não fazia por menos: “Futebol não se joga com os pés”, dizia ele, “futebol é com a cabeça. Os maus jogadores cansam as pernas; eu, depois de uma partida, só sinto cansaço na cabeça”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.45pt; line-height: 115%; text-align: justify;"&gt;&lt;st1:personname productid="Em um Fla-Flu" st="on"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;;"&gt;Em um Fla-Flu&lt;/span&gt;&lt;/st1:personname&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;;"&gt;, na Gávea, Carreiro tentava alcançar um passe longo, próximo à área rubronegra, quando o truculento Yustrich – uma de suas vítimas prediletas - veio ao seu encontro. Já bem próximo do nosso ponta, ao se perceber fora da área - e, portanto, sem poder usar as mãos para fazer a defesa -, o goleiro desferiu um pontapé com tal força e elevando tão exageradamente a perna, que se temeu o pior. As senhoras presentes desviaram o olhar, alguns já definiam quem daria a notícia à família, mas nada ocorreu: o Davi tricolor passou com bola e tudo por entre as pernas do Golias rubronegro e fez o gol. Em um jogo contra o São Cristóvão, ao se aproximar da entrada da área, nosso Rui Barbosa recebeu o combate de um brutamontes que, pelo simples deslocamento de ar, já poderia jogá-lo no chão. Não se intimidou: valentemente, de boca fechada, por entre os dentes, ele assoviou como se fora o apito do juiz marcando o impedimento dele mesmo. Ao ouvir a suposta marcação, o adversário parou, mas Carreiro invadiu a área e fez o gol. O beque inconformado tanto reclamou que acabou expulso. Após episódios como este, para coroar sua obra,ele não se vangloriava. Exibia uma fisionomia inocente, de eterna vítima da violência: o rosto parado, pálido, os olhos fundos. A imagem da modéstia e do gênio, como o verdadeiro Rui Barbosa após um discurso triunfal.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.45pt; line-height: 115%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;;"&gt;Stanislaw contou ainda que, em 1943, Carreiro se transferiu para o Palmeiras e, no ano seguinte, para o Peñarol, onde se sagrou campeão. Meu amigo João Paulo, que ouvia todo o relato maravilhado, pela primeira vez demonstrou contrariedade, por deixarmos ir embora um craque tão especial. Mas Stan justificou: “O Carreiro ficou insatisfeito por não ser mais o titular absoluto da ponta esquerda. Mas não tinha jeito, contratamos para a posição um herói grego. Aliás, um ex-herói grego porque, em pouco tempo, se tornou mais um dos grandes heróis da Mitologia Tricolor”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.45pt; line-height: 115%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;;"&gt;Por Zeus! O Stanislaw já nos aprontara outra armadilha. Mas a identidade e os feitos extraordinários deste novo herói ficam para terça-feira. Aliás, um dia muito adequado, por ser véspera de Fla-Flu.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7901359081638881807-5988028907257811703?l=jtcarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/feeds/5988028907257811703/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/2010/05/na-ponta-esquerda-rui-barbosa-final.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7901359081638881807/posts/default/5988028907257811703'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7901359081638881807/posts/default/5988028907257811703'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/2010/05/na-ponta-esquerda-rui-barbosa-final.html' title='Na ponta-esquerda, Rui Barbosa (final)'/><author><name>NETFLUBLOGS</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00877928506777997493</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_rSeQPHUphds/TFR6wOKOA9I/AAAAAAAAAEg/LLWtApMwTHc/S220/foto+nova+-+comunidade.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7901359081638881807.post-448453822972733326</id><published>2010-05-18T14:34:00.001-03:00</published><updated>2010-05-18T14:36:30.667-03:00</updated><title type='text'>Na ponta esquerda, Rui Barbosa</title><content type='html'>Tricolores,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para os que ainda não estão familiarizados com o meu grupo, devo advertí-los da nossa inesgotável capacidade de discutir temas imprevisíveis, utilizar informações e argumentos pouco convencionais e, por fim, identificar sempre uma maneira de relacioná-los ao Fluminense. Ainda outro dia, falávamos da tensão em torno do programa nuclear do Irã, mas a conversa se deteve sobre a beleza de sua bandeira tricolor! Paciência, somos assim. Ontem, o Antonio Carlos se queixava de que nosso time tem jogado meio torto, de que só é ofensivo pela direita, o que nos trouxe à lembrança os ponteiros esquerdos que já vestiram nossa camisa. Falamos de Tato, Paulinho Carioca, Zezé, Paulo Cesar Caju, Mario Sérgio, Zé Roberto, Lula, Gilson Nunes, Escurinho e tantos outros. Os nomes começavam a escassear, quando o Stanislaw lembrou entusiasmado: "Rui Barbosa!". Perplexidade geral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reconhecidamente, o baiano Rui foi uma das maiores inteligências da história do nosso país. Nascido em 1849, consta que aos cinco anos de idade já tinha seu talento admirado pelos professores. Aos onze anos, o mestre ginasiano mandou chamar seu pai para informar que nada mais lhe tinha a ensinar. Concluído o curso, ainda sem idade para entrar na faculdade, passou o ano estudando alemão. Antonio Carlos nos contou que no auge da campanha abolicionista, José do Patrocínio escreveu: "Deus acendeu um vulcão na cabeça de Rui Barbosa” e, proclamada a República, D. Pedro II teria constatado: "Nas trevas que caíram sobre o Brasil, a única luz que alumia é o talento de Rui Barbosa”. Rui foi membro fundador da Academia Brasileira de Letras, e recebeu de Joaquim Nabuco a seguinte definição: "Rui Barbosa, a mais poderosa máquina cerebral do nosso país". Em 1907, ao representar o Brasil na Conferência de Haia, na Holanda, recebeu a consagração mundial e se tornou a "Águia de Haia".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar destas e de inúmeras outras qualificações, não consta que o baiano jogasse ou sequer apreciasse futebol. Em 1916, quando a seleção brasileira foi disputar o primeiro campeonato sulamericano, em Buenos Aires, havia escassez de navios devido à I Guerra Mundial. A única embarcação disponível era o "Júpiter", fretado para conduzir a delegação brasileira que participaria do Congresso do Centenário de Independência da Argentina. Por se destinar a tão restrito número de passageiros, o “Júpiter” tinha apenas um terço dos seus camarotes ocupados, o que sugeriu ao Ministro do Exterior propiciar uma oportuna carona aos jogadores brasileiros. Rui Barbosa, chefe da comitiva diplomática, vetou a idéia de modo categórico: "Eu, minha família e meus auxiliares não viajamos com essa corja de malandros". Que diferença, hein? Com o tempo, a “corja de malandros" se transformaria na "pátria de chuteiras". Mas o fato é que a recusa de Rui obrigou nossa seleção a viajar de trem e a chegar em Buenos Aires apenas cinco dias antes da abertura do campeonato, vencido pelo Uruguai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Feita a síntese da imensa capacidade intelectual de Rui Barbosa - e o registro do preconceito então predominante com relação ao futebol e a seus praticantes -, restava entre nós a questão fundamental, a pergunta intrigante: "Mas e a ponta-esquerda? Rui Barbosa vestiu mesmo a camisa 11 tricolor?". O Stanislaw nos explicou tudo mas, para não cansá-los, contarei na próxima sexta-feira.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7901359081638881807-448453822972733326?l=jtcarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/feeds/448453822972733326/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/2010/05/na-ponta-esquerda-rui-barbosa.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7901359081638881807/posts/default/448453822972733326'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7901359081638881807/posts/default/448453822972733326'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/2010/05/na-ponta-esquerda-rui-barbosa.html' title='Na ponta esquerda, Rui Barbosa'/><author><name>NETFLUBLOGS</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00877928506777997493</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_rSeQPHUphds/TFR6wOKOA9I/AAAAAAAAAEg/LLWtApMwTHc/S220/foto+nova+-+comunidade.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7901359081638881807.post-1286131040313137820</id><published>2010-05-15T12:15:00.000-03:00</published><updated>2010-05-15T12:16:24.584-03:00</updated><title type='text'>Para uma Galeria de Fla-Flus Imortais</title><content type='html'>Tricolores,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para os amantes do futebol, uma precária linha-de-passe ou uma pelada improvisada - mesmo repleta de furiosas caneladas - têm o seu encanto e o seu interesse. Partidas oficiais, nem se fala, ainda mais quando está em campo o Fluminense. Para muitos de nós, entre todos os confrontos possíveis, as derrotas mais sofridas e as vitórias mais comemoradas ocorrem nos Fla-Flus. Proponho então elaborarmos uma galeria de Fla-Flus imortais, reunindo os jogos mais memoráveis, dramáticos ou gloriosos de todos os tempos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os critérios para a escolha são rigorosamente informais. Pode se tratar de uma decisão de campeonato ou de um aspecto sentimental, pessoal ou familiar. Não importa a razão, o fundamental é que na nossa biografia de tricolor esse Fla-Flu ocupe um lugar de honra, uma posição de destaque especial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui no meu grupo, já existem opiniões variadas. Os mais jovens, ou com menos disposição para um esforço de memória, citam a barriga de Renato, em 95. Os mais cerebrais, lembram da cabeça de Assis, em 84; os cínicos, preferem a mão de Wilton, em 68. Há os que defendam o primeiro confronto de 1912, a primeira vez em que enfrentamos os nove amotinados que se abrigaram no clube de regatas. Esse foi o pai de todos os Fla-Flus, marcado pelo primeiro frango de um goleiro rubro-negro e também pela primeira vitória tricolor: 3 a 2.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para dar início à série, registro meu voto: o Fla-Flu de 1919! Naquela época, Mario Filho ainda não havia inventado o Fla-Flu, mas já se tratava de um clássico eletrizante. Em 21 de dezembro, o Fluminense jogava sua penúltima partida no returno e estava dois pontos à frente do adversário. Em uma época em que era essa a pontuação por vitória, o empate já nos daria o campeonato. Estavam presentes o Presidente da República, sua esposa, diversas autoridades, mas tudo isso é irrelevante. Vencemos a partida por 4 a 0, fomos tricampeões mas, nem aí, reside a importância maior deste jogo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Explico. Aos oito minutos, o juiz apita pênalti contra nós. A torcida não acredita, há um momento de pânico mas, de repente, tudo parece se apequenar ou desaparecer, enquanto um homem se agiganta: Marcos Carneiro de Mendonça. O jogador rubro-negro cobra a penalidade e Marcos espalma; o rebote retorna caprichosamente aos pés do mesmo jogador que, diante do goleiro caído, desfere o tiro inapelável. Marcos ressurge, de forma surpreendente, e faz nova defesa parcial. Houve esse rebote e mais outro, um total de quatro chutes à queima-roupa e Marcos a todos defendeu. A multidão, que assistia em suspense, quase sem respirar, em assombrado silêncio, finalmente põe-se de pé e explode em delírio. Alí estava mais que um ídolo. Para a história e para a lenda, nascia o mito fundador da tradição de grandes goleiros tricolores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este post é baseado em um texto publicado no livro "Memórias Imortais, Glórias e Heróis da Mitologia Tricolor", Editora Corifeu.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7901359081638881807-1286131040313137820?l=jtcarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/feeds/1286131040313137820/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/2010/05/para-uma-galeria-de-fla-flus-imortais.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7901359081638881807/posts/default/1286131040313137820'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7901359081638881807/posts/default/1286131040313137820'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/2010/05/para-uma-galeria-de-fla-flus-imortais.html' title='Para uma Galeria de Fla-Flus Imortais'/><author><name>NETFLUBLOGS</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00877928506777997493</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_rSeQPHUphds/TFR6wOKOA9I/AAAAAAAAAEg/LLWtApMwTHc/S220/foto+nova+-+comunidade.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7901359081638881807.post-5938963757984568273</id><published>2010-05-11T15:03:00.000-03:00</published><updated>2010-05-11T15:04:39.217-03:00</updated><title type='text'>Seleção: escolha o seu monstro</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_rSeQPHUphds/S-mcIfnbx-I/AAAAAAAAADM/KDOJOnT9UUc/s1600/Sele%C3%A7%C3%A3o_escolha+o+seu+Monstro.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 386px; DISPLAY: block; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5470074892157962210" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_rSeQPHUphds/S-mcIfnbx-I/AAAAAAAAADM/KDOJOnT9UUc/s400/Sele%C3%A7%C3%A3o_escolha+o+seu+Monstro.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7901359081638881807-5938963757984568273?l=jtcarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/feeds/5938963757984568273/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/2010/05/selecao-escolha-o-seu-monstro.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7901359081638881807/posts/default/5938963757984568273'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7901359081638881807/posts/default/5938963757984568273'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/2010/05/selecao-escolha-o-seu-monstro.html' title='Seleção: escolha o seu monstro'/><author><name>NETFLUBLOGS</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00877928506777997493</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_rSeQPHUphds/TFR6wOKOA9I/AAAAAAAAAEg/LLWtApMwTHc/S220/foto+nova+-+comunidade.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_rSeQPHUphds/S-mcIfnbx-I/AAAAAAAAADM/KDOJOnT9UUc/s72-c/Sele%C3%A7%C3%A3o_escolha+o+seu+Monstro.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7901359081638881807.post-6927212481159666303</id><published>2010-05-07T11:52:00.003-03:00</published><updated>2010-05-07T11:54:07.497-03:00</updated><title type='text'>Meu tipo inesquecível</title><content type='html'>Tricolores,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqueles que nos dão a honra de desperdiçar seu precioso tempo com a leitura das lembranças e obsessões deste bando de tricolores desencarnados já terão ciência de que, há pouco tempo, nosso amigo Adionson se investiu da condição de repórter. Que até o momento ainda não lhe tenham processado, só a nossa condição sobrenatural pode explicar. Esta semana, surgiu nova polêmica sobre o assunto, quando o Stanislaw se pôs a criticar um personagem a quem denomina "Alberto Roberto Prado". Atribuía-lhe qualidades pouco lisonjeiras, quando o João Paulo, em sua santa inocência, ponderou que várias de suas revelações acabavam por se confirmar. "É claro", retrucou Stan, "escrevendo e falando em veículos tão poderosos, ele tem a capacidade de induzir a ocorrência de alguns fatos. Se der certo, é um furo; se der errado, ele não toca mais no assunto e ninguém se atreve a lhe cobrar uma explicação". Os ânimos andavam meio exaltados quando o Adionson pediu a palavra para nos revelar o alvo maior de sua admiração, o seu tipo inesquecível na crônica esportiva carioca: Isaac Amar. O nome nos pareceu estranho, mas meu amigo defendeu-o com entusiasmo e resolveu nos apresentar melhor o seu ídolo. Vou tentar resumir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Médico obstetra e professor da Escola de Medicina e Cirurgia, Isaac José Amar - por amor ao futebol e, particularmente, ao Fluminense -, associava a estas atividades uma participação regular no jornal "O Radical". Quando o panorama esportivo lhe parecia monótono ou pelo simples prazer de gozar nossos adversários, Isaac não hesitava: inventava uma bomba. Por exemplo, pelos idos de 1936, dois jogadores de muito prestígio no futebol carioca eram o goleiro Batatais e o ponta-esquerda Hércules, grandes ídolos da torcida tricolor. No dia 31 de março, no fechamento da edição do dia seguinte, não havia na redação uma única nota interessante. Isaac Amar resolveu o problema com a seguinte manchete: "Batatais e Hércules raptados!". Naquele ano havia uma cisão no futebol carioca e a nota de Isaac insinuava que os autores do sensacional rapto teriam sido agentes do Vasco da Gama. A cidade pegou fogo e durante algumas horas o ambiente esportivo se tranformou em caos absoluto. Na edição seguinte, veio o esclarecimento: 1º. de abril!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1937, Isaac aprontou outra peça com consequências ainda mais profundas e duradouras. Em certa noite chuvosa, o Andaraí aguardava pelo Vasco, no campo do Fluminense, mas o time de São Januário se atrasou exageradamente. O juiz considerava a hipótese da vitória por W.O., mas o Andaraí julgou tratar-se de uma indelicadeza e permaneceu à espera do adversário. Resultado: o Vasco chegou e venceu por 12 x 0. Isaac considerou o placar de extremo mau gosto e vingou os derrotados alardeando a informação de que o ponta-esquerda Arubinha enterrara um sapo no gramado de São Januário. A falsa notícia talvez não tivesse maior consequência se a equipe vascaína, então líder e favorita do campeonato, não iniciasse uma série de derrotas coroadas com a perda do título.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Satisfeito com o inesperado sucesso de sua ficção, Issac Amar providenciou os requintes de crueldade. Para começar, descreveu a cena: após a goleada humilhante, Arubinha se ajoelhara no gramado encharcado de Álvaro Chaves, juntara as mãos e, olhos pregados na escuridão, apelara ao Todo Poderoso: "Se há um Deus no céu, o Vasco vai passar 12 anos sem ser campeão". Dias depois do dramático apelo aos céus, entrara incógnito em São Januário e enterrara o sinistro despacho. Os novos detalhes alarmaram ainda mais a torcida cruzmaltina e Isaac acrescentava elementos de suspense: a praga contaria a partir de 1934 - último título oficial do Vasco -, de 1936 – quando o time fora campeão fora da Liga Carioca - ou de 1937, quando o episódio ocorrera? Pânico total: a diretoria mandou escavar vários pontos do gramado, a colônia portuguesa ofereceu dinheiro para que Arubinha desenterrase o sapo, mas o assustado ponta-esquerda alegava não poder desfazer o que não havia feito. Aliás, considerava a si mesmo a principal vítima da confusão, já que em represália o português da venda lhe cortara o fiado. Em resumo, Isaac Amar fez esta história render até 1945, quando finalmente o Vasco voltou a ser campeão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adionson terminou seu relato entusiasmado: "Que criatividade, que gozador!". Às gargalhadas, tivemos que admitir os méritos do Isaac e a ingenuidade daqueles tempos. As mentiras de hoje são bem maiores e tão bem orquestradas que, mesmo desafiando qualquer tipo de lógica, acabam por adquirir status de verdade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7901359081638881807-6927212481159666303?l=jtcarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/feeds/6927212481159666303/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/2010/05/meu-tipo-inesquecivel_07.html#comment-form' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7901359081638881807/posts/default/6927212481159666303'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7901359081638881807/posts/default/6927212481159666303'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/2010/05/meu-tipo-inesquecivel_07.html' title='Meu tipo inesquecível'/><author><name>NETFLUBLOGS</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00877928506777997493</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_rSeQPHUphds/TFR6wOKOA9I/AAAAAAAAAEg/LLWtApMwTHc/S220/foto+nova+-+comunidade.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7901359081638881807.post-4542966875549321785</id><published>2010-05-07T11:52:00.001-03:00</published><updated>2010-05-07T11:52:47.790-03:00</updated><title type='text'>Meu tipo inesquecível</title><content type='html'>Tricolores,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqueles que nos dão a honra de desperdiçar seu precioso tempo com a leitura das lembranças e obsessões deste bando de tricolores desencarnados já terão ciência de que, há pouco tempo, nosso amigo Adionson se investiu da condição de repórter. Que até o momento ainda não lhe tenham processado, só a nossa condição sobrenatural pode explicar. Esta semana, surgiu nova polêmica sobre o assunto, quando o Stanislaw se pôs a criticar um personagem a quem denomina “Alberto Roberto Prado”. Atribuía-lhe qualidades pouco lisonjeiras, quando o João Paulo, em sua santa inocência, ponderou que várias de suas revelações acabavam por se confirmar. “É claro”, retrucou Stan, “escrevendo e falando em veículos tão poderosos, ele tem a capacidade de induzir a ocorrência de alguns fatos. Se der certo, é um furo; se der errado, ele não toca mais no assunto e ninguém se atreve a lhe cobrar uma explicação”. Os ânimos andavam meio exaltados quando o Adionson pediu a palavra para nos revelar o alvo maior de sua admiração, o seu tipo inesquecível na crônica esportiva carioca: Isaac Amar. O nome nos pareceu estranho, mas meu amigo defendeu-o com entusiasmo e resolveu nos apresentar melhor o seu ídolo. Vou tentar resumir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Médico obstetra e professor da Escola de Medicina e Cirurgia, Isaac José Amar - por amor ao futebol e, particularmente, ao Fluminense -, associava a estas atividades uma participação regular no jornal “O Radical”. Quando o panorama esportivo lhe parecia monótono ou pelo simples prazer de gozar nossos adversários, Isaac não hesitava: inventava uma bomba. Por exemplo, pelos idos de 1936, dois jogadores de muito prestígio no futebol carioca eram o goleiro Batatais e o ponta-esquerda Hércules, grandes ídolos da torcida tricolor. No dia 31 de março, no fechamento da edição do dia seguinte, não havia na redação uma única nota interessante. Isaac Amar resolveu o problema com a seguinte manchete: “Batatais e Hércules raptados!”. Naquele ano havia uma cisão no futebol carioca e a nota de Isaac insinuava que os autores do sensacional rapto teriam sido agentes do Vasco da Gama. A cidade pegou fogo e durante algumas horas o ambiente esportivo se tranformou em caos absoluto. Na edição seguinte, veio o esclarecimento: 1º. de abril!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1937, Isaac aprontou outra peça com consequências ainda mais profundas e duradouras. Em certa noite chuvosa, o Andaraí aguardava pelo Vasco, no campo do Fluminense, mas o time de São Januário se atrasou exageradamente. O juiz considerava a hipótese da vitória por W.O., mas o Andaraí julgou tratar-se de uma indelicadeza e permaneceu à espera do adversário. Resultado: o Vasco chegou e venceu por 12 x 0. Isaac considerou o placar de extremo mau gosto e vingou os derrotados alardeando a informação de que o ponta-esquerda Arubinha enterrara um sapo no gramado de São Januário. A falsa notícia talvez não tivesse maior consequência se a equipe vascaína, então líder e favorita do campeonato, não iniciasse uma série de derrotas coroadas com a perda do título.&lt;br /&gt;Satisfeito com o inesperado sucesso de sua ficção, Issac Amar providenciou os requintes de crueldade. Para começar, descreveu a cena: após a goleada humilhante, Arubinha se ajoelhara no gramado encharcado de Álvaro Chaves, juntara as mãos e, olhos pregados na escuridão, apelara ao Todo Poderoso: “Se há um Deus no céu, o Vasco vai passar 12 anos sem ser campeão”. Dias depois do dramático apelo aos céus, entrara incógnito em São Januário e enterrara o sinistro despacho. Os novos detalhes alarmaram ainda mais a torcida cruzmaltina e Isaac acrescentava elementos de suspense: a praga contaria a partir de 1934 - último título oficial do Vasco -, de 1936 – quando o time fora campeão fora da Liga Carioca - ou de 1937, quando o episódio ocorrera? Pânico total: a diretoria mandou escavar vários pontos do gramado, a colônia portuguesa ofereceu dinheiro para que Arubinha desenterrase o sapo, mas o assustado ponta-esquerda alegava não poder desfazer o que não havia feito. Aliás, considerava a si mesmo a principal vítima da confusão, já que em represália o português da venda lhe cortara o fiado. Em resumo, Isaac Amar fez esta história render até 1945, quando finalmente o Vasco voltou a ser campeão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adionson terminou seu relato entusiasmado: “Que criatividade, que gozador!”. Às gargalhadas, tivemos que admitir os méritos do Isaac e a ingenuidade daqueles tempos. 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Será que todos que a ela se referem têm exata consciência do que se trata? Será que todos se referem ao mesmo conjunto de princípios e valores? Meus amigos Stanislaw e Angenor se propuseram a esclarecê-los sobre a visão do nosso grupo sobre alguns fatos, circunstâncias e personagens que contribuíram para esta construção histórica. Trata-se não apenas de destacar sua relevância para o atual momento do clube, mas de reconhecer sua capacidade de expressar várias características do que foi e sempre deveria ser o Fluminense Football Club. Dito isso, passo-lhes a palavra.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;"No final de 1901, Oscar Cox tentou fundar o Rio Football Club, mas não conseguiu reunir entusiastas em número suficiente. Em 1902, quando finalmente obteve êxito na criação de um clube de futebol um outro grupo - apenas nove dias antes! - já havia lhe tomado o nome. Nossos fundadores, firmes na vontade de representar não apenas uma localidade, mas toda a cidade do Rio de Janeiro, se recordaram de que, quando iam disputar partidas amistosas em São Paulo, eram anunciados como "uns jovens fluminenses". E assim tomaram a decisão. Cabe esclarecer quem eram esses "jovens fluminenses": príncipes, condes, barões, herdeiros da elite do Império? Em desacordo com outras agremiações, o Fluminense não era formado pela aristocracia agrária, por ex-proprietários de escravos nem, tampouco, era um clube exclusivo de imigrantes. Os primeiros tricolores integravam um moderno segmento da sociedade, formado por entusiastas do abolicionismo, da industrialização e dos ideais democráticos e republicanos. Compunham um novo conceito de elite, baseado no empreendedorismo e na valorização da cultura.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Por isso, enquanto a elite presa ao passado e ao capital financeiro agrário habitava as extensas chácaras de São Cristóvão, do Andaraí e da Tijuca, esse novo contingente populacional buscou situar-se em uma ampla região denominada Vale do Rio Carioca, que se estendia do Largo do Machado ao Cosme Velho. Nesta região, não casualmente, Oscar Cox e seus companheiros escolheram um local denominado Baixo Laranjeiras para praticar um esporte mal visto pela elite conservadora. Desde o Império, um pouco mais acima da nossa sede, se situavam grandes quilombos, que deram contribuição decisiva para o samba e foram o berço de uma série de iniciativas carnavalescas, como o Rancho Arrepiados, cujas cores se assemelhavam às do Fluminense. Somando-se a esse contexto, a instalação da Fábrica Aliança ajudou a traçar o perfil do bairro, estimulando a abertura de armazéns e botequins para a classe operária.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Em contraste, vizinhos ao campo alugado, estavam a antiga residência da Princesa Isabel e do Conde D'Eu - atual Palácio Guanabara - , e o majestoso Palácio das Laranjeiras, construído pela família Guinle, de importância central para a nossa história. Desse diversificado amálgama social emergiu uma igualmente variada vida cultural. No Club Laranjeiras, encontravam-se poetas e músicos eruditos, enquanto no Restaurante Lamas (onde foi comemorada nossa fundação) juntavam-se literatos, jornalistas e boêmios em geral.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Ao mesmo tempo em que nosso clube era fundado, o Rio de Janeiro passava a ser administrado pelo prefeito Pereira Passos que, em quatro anos, transformou a aparência da cidade: os cortiços e as ruas estreitas e escurasm foram substituídos por largas avenidas. Em 1904, o maranhense Coelho Netto se mudou com a família para a Rua do Roso que, após a sua morte, passaria a ter o seu nome. Era um dos maiores literatos brasileiros, um membro fundador da Academia Brasileira de Letras, e um apaixonado pelo futebol, pelo Fluminense e, já se pode considerar uma redundância, pelo Rio de Janeiro. Em 1908, nas páginas do jornal A Notícia, Coelho Netto cunhou a expressão com a qual o Rio se tornaria mundialmente conhecido: Cidade Maravilhosa. Mais tarde, também se mudaram para a região novos personagens da vanguarda intelectual, como o próprio Pereira Passos, Machado de Assis, as famílias do jurista Sobral Pinto e do arquiteto Oscar Niemeyer que, ainda menino, jogou bola no gramado tricolor.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Ao longo de muitos anos, as histórias do bairro, da cidade e do Fluminense, se confundiram, se entrelaçaram, e não se pode considerar obra do acaso que o clube chamado Fluminense - e que se chamaria Rio - , tivesse sua primeira e única sede na esquina das Ruas Guanabara e Retiro da Guanabara, em pleno Vale do Rio Carioca. No início do século XX, Laranjeiras era a perfeita expressão de uma cidade em profunda transformação política, urbanística e sociocultural, e o Vale do Rio Carioca, berço da cultura tricolor, estava muito à frente do seu tempo, permitindo de forma pioneira a integração de diferentes classes sociais da cidade.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Tais elementos históricos nos pareceram fundamentais para a compreensão do que se pode - verdadeiramente, já que datam de nossa origem - considerar a tradição tricolor: pioneirismo, organização, empreendedorismo, ousadia para correr risco e superar obstáculos. Características iniciais de seus fundadores, progressivamente, esses valores e ideais avançaram sobre as convencionais fronteiras geográficas e se instalaram nos corações e mentes de um imenso contingente de brasileiros, que vibram e sofrem de paixão pelas três cores que traduzem tradição!"&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;                                                                                                                        Stanislaw e Angenor&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;____________________________________________________________________________&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;Este post é baseado em um texto escrito em maio de 2009, publicado no livro "Memórias Imortais, Glórias e Heróis da Mitologia Tricolor", Editora Corifeu.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7901359081638881807-651743087896669323?l=jtcarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/feeds/651743087896669323/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/2010/05/tradicao-tricolor.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7901359081638881807/posts/default/651743087896669323'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7901359081638881807/posts/default/651743087896669323'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/2010/05/tradicao-tricolor.html' title='A Tradição Tricolor'/><author><name>NETFLUBLOGS</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00877928506777997493</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_rSeQPHUphds/TFR6wOKOA9I/AAAAAAAAAEg/LLWtApMwTHc/S220/foto+nova+-+comunidade.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7901359081638881807.post-5840635005498266992</id><published>2010-04-27T14:24:00.001-03:00</published><updated>2010-04-27T14:28:07.727-03:00</updated><title type='text'>O flagrante de um sequestro</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_rSeQPHUphds/S9cecBjSrII/AAAAAAAAAC0/bDMLQt_63v0/s1600/3a.+feira_27_04_Flagrante+de+Sequestro.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 334px; DISPLAY: block; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5464870139639016578" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_rSeQPHUphds/S9cecBjSrII/AAAAAAAAAC0/bDMLQt_63v0/s400/3a.+feira_27_04_Flagrante+de+Sequestro.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7901359081638881807-5840635005498266992?l=jtcarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/feeds/5840635005498266992/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/2010/04/o-flagrante-de-um-sequestro.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7901359081638881807/posts/default/5840635005498266992'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7901359081638881807/posts/default/5840635005498266992'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/2010/04/o-flagrante-de-um-sequestro.html' title='O flagrante de um sequestro'/><author><name>NETFLUBLOGS</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00877928506777997493</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_rSeQPHUphds/TFR6wOKOA9I/AAAAAAAAAEg/LLWtApMwTHc/S220/foto+nova+-+comunidade.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_rSeQPHUphds/S9cecBjSrII/AAAAAAAAAC0/bDMLQt_63v0/s72-c/3a.+feira_27_04_Flagrante+de+Sequestro.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7901359081638881807.post-28976484618530779</id><published>2010-04-23T18:26:00.001-03:00</published><updated>2010-04-23T18:30:54.436-03:00</updated><title type='text'>Stanislaw e Angenor</title><content type='html'>Tricolores,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gostaria de falar sobre dois participantes muito assíduos das reuniões aqui do nosso grupo: Stanislaw e Angenor. Justifico lhes ocupar o tempo com a apresentação destes amigos por considerá-los representantes exemplares da diversidade apenas aparente da imensa torcida tricolor. Se temos a nos separar vastas distâncias geográficas e diferenças de gênero, etnia, opção religiosa, inserção social etc., compartilhamos uma essência comum, uma visão de mundo, uma singular maneira de ser que aproxima, identifica e relaciona brasileiros tão diversos como, por exemplo, esses dois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Angenor chegou aqui ao grupo em 1980. Ele nasceu no Catete, 6 anos e alguns meses depois do Fluminense, aos 11 anos se mudou para a Rua das Laranjeiras e, sempre que podia, assistia aos treinos de um time que tinha Marcos Carneiro de Mendonça, Machado, Mano, Welfare e outros craques. Tempos depois, se mudou para o morro da Mangueira, mas o sentimento tricolor já se tornara indestrutível. Segundo conta, "Os tempos idos / Nunca esquecidos / Trazem saudades ao recordar / É com tristeza que eu relembro / Coisas remotas que não vêm mais".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá pelo início da década de 50, Angenor passou por uma fase difícil. Pouco se sabe dos detalhes, mas o certo é que ficou muito mal após a morte de sua companheira e acabou por brigar com os amigos. Afastou-se de todos, desapareceu, especulava-se que houvesse morrido. De temperamento discreto, ele jamais esclareceu o que se passou. O máximo que já lhe ouví dizer foi: "Lembro dos tempos de outrora /, Que quase me roubam / A esperança e a fé / Não vou culpar os amigos / Fingidos que outrora eu tive / Na vida / Nem vou dizer / Que a razão do fracasso / Se prende a batalhas perdidas".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Stanislaw chegou aqui muito novo, em 1968: coração. Pudera! Este tricolor é jornalista, escritor, radialista, humorista, crítico musical, show man e - o que também lhe consumia muita energia - mulherólogo. Sua tia Zulmira e o primo Altamirando ficaram muito sentidos com a sua partida, mas para nós foi o início de uma festa permanente. Extremamente amável, educado e bem humorado, Stanislaw é inimigo jurado do politicamente correto, da burrice, do autoritarismo e de outras "coisas nossas".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Stanislaw e Angenor já se conheciam – literalmente - de outros carnavais, mas foi em 1956 que se deu o reencontro histórico e definitivo: casualmente, Stanislaw reconheceu Angenor lavando carros, na orla da Zonal Sul do Rio de Janeiro. Alma generosa e extremamente comprometido com a cultura popular, não teve dúvida em promover a volta por cima do amigo. Levou-o a programas de rádio e estimulou-o a compor novos sambas, que lhe proporcionaram a gravação de seu primeiro LP.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1964, Angenor e sua nova companheira abriram um bar-restaurante-casa de espetáculos na rua da Carioca, com um farto cardápio de sambas e comidas de primeira. No final de 1969, o presidente Francisco Laport reuniu toda a diretoria do Fluminense para homenageá-lo com um almoço. Em 1975, para promover a estréia de Rivelino, o presidente Francisco Horta subiu o morro de Mangueira e pediu a ajuda de Angenor para o lançamento da Torcida Manga-Flu. No sábado de carnaval, diante de mais de 70 mil tricolores e 120 ritmistas da Estação Primeira, o Fluminense venceu o Coríntians por 4 x 1, com três gols de Rivelino.&lt;br /&gt;Stanislaw e Angenor: dois brasileiros geniais, imprescindíveis, imortais. Em suma, dois típicos tricolores.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7901359081638881807-28976484618530779?l=jtcarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/feeds/28976484618530779/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/2010/04/stanislaw-e-agenor.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7901359081638881807/posts/default/28976484618530779'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7901359081638881807/posts/default/28976484618530779'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/2010/04/stanislaw-e-agenor.html' title='Stanislaw e Angenor'/><author><name>NETFLUBLOGS</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00877928506777997493</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_rSeQPHUphds/TFR6wOKOA9I/AAAAAAAAAEg/LLWtApMwTHc/S220/foto+nova+-+comunidade.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7901359081638881807.post-3697382953785642904</id><published>2010-04-21T21:33:00.000-03:00</published><updated>2010-04-21T21:34:43.790-03:00</updated><title type='text'>Ele é iluminado</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_rSeQPHUphds/S8-Zj17linI/AAAAAAAAACs/3SZrB2Ojm7U/s1600/3a.+feira_20_04_Ele+%C3%A9+iluminado.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 342px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_rSeQPHUphds/S8-Zj17linI/AAAAAAAAACs/3SZrB2Ojm7U/s400/3a.+feira_20_04_Ele+%C3%A9+iluminado.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5462753714075175538" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7901359081638881807-3697382953785642904?l=jtcarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/feeds/3697382953785642904/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/2010/04/ele-e-iluminado.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7901359081638881807/posts/default/3697382953785642904'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7901359081638881807/posts/default/3697382953785642904'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/2010/04/ele-e-iluminado.html' title='Ele é iluminado'/><author><name>NETFLUBLOGS</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00877928506777997493</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_rSeQPHUphds/TFR6wOKOA9I/AAAAAAAAAEg/LLWtApMwTHc/S220/foto+nova+-+comunidade.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_rSeQPHUphds/S8-Zj17linI/AAAAAAAAACs/3SZrB2Ojm7U/s72-c/3a.+feira_20_04_Ele+%C3%A9+iluminado.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7901359081638881807.post-4727780906924614874</id><published>2010-04-16T11:36:00.000-03:00</published><updated>2010-04-16T11:39:17.490-03:00</updated><title type='text'>Guttenberg traído</title><content type='html'>Tricolores,&lt;br /&gt;Como sabem, a imprensa moderna nasceu por volta de 1540, a partir de uma invenção do alemão Johannes Guttenberg: a composição de palavras com tipos móveis. Sua grande inovação foi descobrir uma forma de produzir uma massa de letras numa liga de metal reutilizável e, assim, publicar mais livros e jornais, com maior agilidade. Esta invenção é considerada o evento mais importante da Idade Moderna, pois foi um instrumento fundamental para o desenvolvimento da Renascença, da Revolução Científica e para a construção de bases objetivas da sociedade moderna: o conhecimento e o ensino de massa. Para não aborrecer o amigo, o Stanislaw começou com este longínquo rodeio histórico para, finalmente, abordar um mistério que nos vinha intrigando: depois que se atribuiu a condição de repórter, o Adionson resolveu alardear uma incondicional admiração pela imprensa esportiva brasileira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desconfiados desta veneração deslumbrada, resolvemos conferir até que ponto ele estava bem informado e pedimos que apontasse o jornal, o programa de televisão ou os jornalistas que justificavam tantos e tão repetidos elogios. A resposta foi imediata e bastante esclarecedora: “A Grande Resenha Esportiva Facit! Adoro o Saldanha e o Scassa. O Nélson - nosso Profeta - é genial!”. Compreendemos que o problema do Adionson não era falta de capacidade crítica, mas uma total desatualização. A ‘Grande Resenha’ era uma mesa-redonda dominical da TV Rio, canal 13, que nos anos 60 do século passado enriquecia o futebol brasileiro com o brilhantismo de seus jornalistas. Todos tinham um assumido clube de coração – “ninguém era filho de chocadeira”, como esclarecia o Saldanha – e, portanto, caminhavam em paralelo a informação, a análise e a paixão clubística. Neste contexto, os eventuais conflitos de interesse não causavam qualquer dano à compreensão do torcedor, porque estavam absolutamente explícitos e equilibrados pelas diferentes opiniões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em épocas recentes - mais fortemente do final da década de 80 em diante -, a imprensa deixou de ser uma analista de futebol e passou a ser parte do negócio. Este movimento chegou a um requinte de perfeição: o monopólio, que tem a possibilidade de substituir a opinião pública pela opinião publicada. Pode parecer inofensivo, mas o repetido endosso a um erro de arbitagem, a legitimação de “vitórias” fora do campo de jogo e até à revelia do regulamento da competição, a orquestração de determinadas versões em diferentes veículos – que, de fato, são um só –, os textos tendenciosos, as declarações pinçadas do contexto (sem que se saiba a que pergunta se referiam), têm a capacidade de influenciar federações e tribunais, intimidar árbitros e, por vezes, acabam por convencer até parte dos próprios prejudicados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nossa conversa foi longa, talvez volte a ela outro dia. Por hora, cito apenas nossa apreensão quando o Stanislaw declarou o seguinte: “Conheço companheiros de rádio e televisão que assumem ser torcedores de clubes pelos quais não torcem realmente. O fazem por conveniência comercial ou, simplesmente, para cortejar a popularidade. Quem ‘correta’ anúncio – a maior fonte para se ganhar dinheiro nas funções de radialista – se disser que é vascaíno, por exemplo, tem meio caminho andado para angariar a publicidade dos comerciantes e industriais da grande colônia portuguesa... Agora, torcer pelo Flamengo, fora de dúvida, é uma perfeita conotação com a maioria dos torcedores... Para os donos de rádio e televisão, o ideal seria que seus narradores e comentaristas puxassem sempre a brasa para o lado do Flamengo. Eles pensam que isso aumenta a audiência e ajuda na tarefa de vender o patrocínio, as cotas de publicidade das transmissões de futebol... No rádio e na televisão, às vezes enfrentamos pressões, visando a favorecer essas questões íntimas”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diante da advertência de que tais afirmações não deveriam ser reproduzidas em qualquer ambiente, o Stanislaw nos tranquilizou: “A única coisa de minha autoria são as aspas. Quem disse isso - aliás, escreveu - há mais de 10 anos, foi o experiente jornalista Luiz Mendes, no livro ‘7 Mil Horas de Futebol’. Podem procurar, está lá na página 83”. Claro, não se pode restringir o futebol a uma visão simplista e conspiratória, restrita aos conchavos empresariais e à manipulação publicitária, mas também não é possível deixar sem constatação o triste momento de uma invenção com vocação revolucionária: a criação da imprensa moderna permitiu a livre circulação de idéias e ajudou a libertar a Humanidade das trevas e do atraso. Hoje, o futebol brasileiro caminha para ser um típico produto do oligopólio TV–rádio–jornal, que determina onde, quando, como se joga e, quem sabe, até quem ganha o jogo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7901359081638881807-4727780906924614874?l=jtcarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/feeds/4727780906924614874/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/2010/04/guttenberg-traido.html#comment-form' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7901359081638881807/posts/default/4727780906924614874'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7901359081638881807/posts/default/4727780906924614874'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/2010/04/guttenberg-traido.html' title='Guttenberg traído'/><author><name>NETFLUBLOGS</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00877928506777997493</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_rSeQPHUphds/TFR6wOKOA9I/AAAAAAAAAEg/LLWtApMwTHc/S220/foto+nova+-+comunidade.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7901359081638881807.post-6740570377414175028</id><published>2010-04-13T19:02:00.001-03:00</published><updated>2010-04-13T19:04:45.491-03:00</updated><title type='text'>O último herói trágico</title><content type='html'>"Sou goleiro há onze anos e tenho dez como titular do Fluminense, mas o curioso é que tenho sofrido acidentes nos treinos. Esse do dedo, para não fugir à regra, sofri quando batia bola há nove anos. Depois de curado, sofri mais três fraturas no mesmo local. O Fluminense promoveu uma junta de cinco médicos... Estudaram o caso e resolveram que um enxerto ou correção do eixo seriam medidas aconselháveis. Mas, o fato concreto é que, no meu entendimento, meu dedo continuaria imóvel, e isso me roubava a autoconfiança. Foi quando pensei na amputação parcial... Ficou então determinado que eu teria de assinar um termo de responsabilidade. Vivi um drama durante 48 horas... Telefonei para o Dr. Paes Barreto e fui franco: se não houver a operação, não poderei mais defender o meu clube, não confio mais em mim. No dia seguinte, dei entrada na Casa de Saúde". (Manchete Esportiva, 1957). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tricolores,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com facilidade, se pode reconhecer o personagem central do longo texto, parcialmente transcrito acima: Carlos José Castilho. O recorte da antiga publicação nos foi trazido pelo Antonio Carlos, e vou relatar, em síntese, o que conversamos sobre o maior goleiro do Período Moderno da História do Fluminense. Castilho nasceu no dia 27 de novembro de 1927 e, aos 11 anos de idade, já frequentava o campo do Bonsucesso, na Rua Teixeira de Castro. Filho de família humilde, aos 12 anos de idade começou a trabalhar em uma carvoaria e, aos 13 anos - irônica premonição?! -, em uma leiteria. Seu primeiro clube foi o Tupã, uma instituição amadora de Brás de Pina, onde atuava como atacante. Casualmente, pela ausência inesperada do titular da posição, Castilho foi improvisado no gol: a opção foi imediata e definitiva. Em 1944, foi levado para os juvenís do Olaria, onde voltaram a escalá-lo no ataque, mas ele insistia em ser goleiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1946, chegou ao Fluminense. Sua estréia ocorreu em 6 de outubro, em um jogo amistoso: vencemos de 4 x 0 e Castilho defendeu um pênalti. Em 1947, estreou na equipe de aspirantes e se sagrou vice-campeão. Em 48, o jovem e desconhecido goleiro foi a grande surpresa do do Torneio Municipal, que abria a temporada de futebol no Rio de Janeiro, e foi vencido pelo Fluminense. Em 49, a renovação do elenco permitiu a formação da Trindade Tricolor, que protegeu nosso gol na década de 50, tornando-a a menos vazada por 5 campeonatos consecutivos: Castilho, Píndaro e Pinheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1950, Castilho teve sua primeira convocação para a Seleção Brasileira. No ano seguinte, sob o comando de Zezé Moreira, junto aos companheiros da nossa Trindade, garantiu as vitórias de 1 x 0 do "timinho". Aos 24 anos, já era considerado o melhor goleiro do Brasil, um paredão intransponível, dando início a sua mística de defesas milagrosas. Em 1952, conquistou dois títulos internacionais muito importantes: pelo Brasil, o Pan-Americano, realizado no Chile – primeiro título de uma Seleção Brasileira no exterior -, pelo Fluminense, a II Copa Rio, torneio que reunia os principais clubes campeões da América e da Europa, o Campeonato Mundial Inter-Clubes da época. Logo na estréia, contra o Sporting de Lisboa, Castilho apresentou suas credenciais: garantiu o empate defendendo um pênalti aos 39 minutos do segundo tempo. A imprensa estrangeira começou a também lhe reconhecer os méritos: os jornais chilenos o chamaram "Cortina Metálica".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A partir de 1954, iniciou-se o drama das frequentes lesões que o perseguiram até o final da carreira. Em 55, teve um longo período de inatividade e, em 57, deu-se o episódio da amputação parcial de um dos dedos. Decisão correta ou não, em duas semanas ele estava de volta aos gramados. Carlos José Castilho vestiu a camisa número 1 do Fluminense por quase vinte anos, disputou 696 partidas e não sofreu gols em 255 delas. Conquistou os Campeonatos Cariocas de 1951, 1959 e 1964 e foi campeão do Torneio Rio-São Paulo, em 1957. Pela Seleção Brasileira foi campeão sul-americano em 1949 e participou de quatro Copas dos Mundo: 1950, 1954, 1958 e 1962, quando se sagrou bi-campeão. Com doses certas de técnica, sorte, coragem e estoicismo, Castilho se tornou um dos ídolos inesquecíveis do futebol brasileiro mas, curiosamente, não fazia defesas acrobáticas, porque estava sempre bem colocado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A crônica esportiva o apelidou de "Rei do Pênalti" - no campeonato carioca de 1952, defendeu seis penalidades máximas -; os tricolores o chamavam de “São Castilho”; os adversários, de "Leiteria", atribuindo-lhe os feitos apenas à sorte, em analogia a um leiteiro da cidade, que se notabilizara por haver ganho duas vezes na loteria federal. Num Fla-Flu de 1953, os rubro-negros acertaram seu travessão por cinco vezes, e vencemos pelo placar mínimo; em 58, o América acertou quatro vezes nossa baliza. Para essa eficiência sobrenatural, Castilho tinha uma explicação tão humilde quanto surpreendente: era daltônico e, as antigas bolas de couro marrons e alaranjadas, para ele eram todas de um vermelho muito vivo. No dia 01 junho de 2002, como parte das comemorações pelo Centenário do Clube – no intervalo de um jogo de veteranos -, o Fluminense inaugurou o vestiário Castilho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabe-se que os deuses enlouquecem os heróis para, só assim, vencê-los. Em 1966, após encerrar a vitoriosa carreira de jogador no Fluminense, Castilho começou a de treinador. Trabalhou na Arábia Saudita, treinou vários clubes brasileiros e foi campeão paulista de 1984, com o Santos. Vítima de crises de depressão, no dia 2 de fevereiro de 1987, pela janela do seu apartamento, Castilho deu seu último salto: para o vazio e a eternidade. Que outros clubes tenham grandes astros e personalidades internacionais; o Fluminense tem heróis de uma dimensão épica e a grandeza do clube e da torcida serão tão maiores quanto sua capacidade de reconhecê-los e honrá-los. Stanislaw que, até então, pouco falara, aproveitou o silêncio que se seguiu e fez uso da sua erudição filosófica: "A tarefa consiste em trazer à luz o que devemos amar sempre e venerar sempre e que não nos pode ser roubado por nenhum conhecimento posterior: o grande homem".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7901359081638881807-6740570377414175028?l=jtcarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/feeds/6740570377414175028/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/2010/04/o-ultimo-heroi-tragico.html#comment-form' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7901359081638881807/posts/default/6740570377414175028'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7901359081638881807/posts/default/6740570377414175028'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/2010/04/o-ultimo-heroi-tragico.html' title='O último herói trágico'/><author><name>NETFLUBLOGS</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00877928506777997493</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_rSeQPHUphds/TFR6wOKOA9I/AAAAAAAAAEg/LLWtApMwTHc/S220/foto+nova+-+comunidade.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7901359081638881807.post-4173241426739768062</id><published>2010-04-09T17:20:00.000-03:00</published><updated>2010-04-09T17:22:00.097-03:00</updated><title type='text'>Meio século de Fair Play</title><content type='html'>Tricolores,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao longo do século passado, o futebol evoluiu de um divertimento entre amigos e familiares para um esporte e, a seguir, uma ferrenha competição. Do amadorismo mais despojado e idealista, jogar bola passou a ser um meio de vida, uma profissão e, depois, um comércio internacional sem muitos escrúpulos. É inevitável que nesta trajetória vários de seus princípios e constrangimentos iniciais se tenham perdido, ou que apenas sejam seguidos às custas da severa aplicação das regras do jogo. O Antonio Carlos, aqui do meu grupo, sempre nos lembra que entre entre 1855 – quando o futebol foi organizado na Inglaterra - e 1891 não existia pênalti, e que houve forte resistência de alguns clubes ingleses à criação de tal punição. Entendiam que alguma irregularidade dentro da grande área apenas ocorreria de maneira involuntária, pois era inconcebível que cavalheiros interceptassem a bola com as mãos ou cometessem faltas propositais para impedir os gols adversários. Em um sábado recente, estávamos relembrando esta época romântica, quando nos ocorreu ser a data exata dos 50 anos da invenção do fair play. Vou tentar resumir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia 27 de março de 1960, Fluminense e Botafogo se enfrentavam no Maracanã pelo Torneio Rio-São Paulo, do qual acabaríamos campeões. Aos 3 minutos do segundo tempo, Pinheiro entra em uma disputa com Quarentinha mas, com um grito, cai ao gramado. A bola sobra limpa nos pés de Garrincha, que tem campo aberto para progredir mas, surpreendentemente, apenas dá um leve toque pela lateral, e possibilita o atendimento médico ao nosso zagueiro. Há meio século, esta atitude era absolutamente original e impensável. As duas torcidas ficam atônitas com a cena que acabam de testemunhar. Alguns consultam o torcedor ao lado, para confirmar a autenticidade do que viram. Na tribuna de imprensa, Mário Filho exalta Garrincha: "É o Gandhi do futebol!". Seu Mané dera um drible desconcertante no senso comum, como se usasse seu improviso genial para abrir um parênteses inédito em uma partida de futebol. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pinheiro foi retirado de campo, mas aos vinte demais jogadores já não seria possível retomar simplesmente a mera sucessão de chutes e caneladas. Haveria que providenciar um gesto de originalidade equivalente ao de Garrincha, capaz de encerrar o episódio e trazer a competição de volta ao seu necessário pragmatismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O juiz ordena o reinício do jogo, Altair se apresenta para a cobrança do lateral. Altair Gomes de Figueiredo chegou às Laranjeiras aos 15 anos de idade, e por 17 anos e 551 jogos defendeu nossas cores. Foi campeão carioca em 1959, 1964 e 1969; campeão da Taça Guanabara em 1966 e 1969; campeão do Rio-São Paulo em 1957 e 1960. Em 1962, foi campeão mundial no Chile e, em 1966, esteve na Copa da Inglaterra. Tendo iniciado e encerrado a carreira na quarta-zaga, durante longos anos atuou na lateral-esquerda, sendo por muitos considerado o melhor jogador desta posição a vestir nossa camisa. À boa técnica, Altair aliava marcação implacável, precisão absoluta no uso do carrinho e, apesar do tipo físico franzino, raramente perdia uma dividida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois coube a um jogador com tal perfil, a sensibilidade, a inspiração para produzir a cena final deste momento histórico: propositadamente, Altair erra o arremeço manual e faz a bola quicar para fora do gramado, devolvendo sua posse ao Botafogo. O círculo se fechava, o enredo estava completo. Garrincha e Altair, protagonistas de duelos que já haviam produzido tantos dribles e desarmes antológicos, eram agora os co-autores de uma tradição que, a seguir, correu o mundo e, progressivamente, sofreu as distorções conhecidas. Os deuses dos gramados perceberam haver um único resultado adequado a uma partida na qual não caberiam perdedores: empate, 2 x 2.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7901359081638881807-4173241426739768062?l=jtcarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/feeds/4173241426739768062/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/2010/04/meio-seculo-de-fair-play.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7901359081638881807/posts/default/4173241426739768062'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7901359081638881807/posts/default/4173241426739768062'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/2010/04/meio-seculo-de-fair-play.html' title='Meio século de Fair Play'/><author><name>NETFLUBLOGS</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00877928506777997493</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_rSeQPHUphds/TFR6wOKOA9I/AAAAAAAAAEg/LLWtApMwTHc/S220/foto+nova+-+comunidade.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7901359081638881807.post-2300626510953735146</id><published>2010-04-06T12:22:00.005-03:00</published><updated>2010-04-06T12:28:32.917-03:00</updated><title type='text'>Muricy não tem mais remédio</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_rSeQPHUphds/S7tSddatspI/AAAAAAAAACk/fKAfaGYq-98/s1600/Muricy+n%C3%A3o+tem+mais+rem%C3%A9dio.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 348px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_rSeQPHUphds/S7tSddatspI/AAAAAAAAACk/fKAfaGYq-98/s400/Muricy+n%C3%A3o+tem+mais+rem%C3%A9dio.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5457046039555846802" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Tricolores,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vocês não podem imaginar a satisfação dos meus amigos com a gentileza do NETFLU em publicar nossas conversas sobre as glórias e os heróis da nossa Mitologia. Avaliem, para eternos torcedores do Fluminense, o que significa estar no mesmo time do Manfrini, do Roger e destes bravos jornalistas tricolores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiz esta introdução, sem dúvida por um dever de educação, mas também para adiar um pouco uma novidade preocupante que preciso lhes dar ciência: empolgadíssimo com a chance de conversarmos com um número maior de tricolores, o Adionson nos disse sentir necessidade de ampliar os temas das nossas conversas, de não confiarmos apenas na memória e sermos um pouco investigativos. Entenderam? A princípio, nós aqui também não. Aí veio a grande bomba. Meu amigo declarou que, de agora em diante, exercerá a função de repórter! "De que tipo?", preocupou-se o Stanislaw. "De todos os tipo", esclareceu o Adionson, para nosso maior espanto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A seguir, esclareceu sua motivação. "Lembram-se do Dragão Negro? Foi uma sociedade rubronegra fundada em meados do século passado, que tinha por objetivo influenciar nas eleições do clube e infiltrar seus militantes nas instituições esportivas e nos grandes órgãos de imprensa. Pois descobri que, há mais de uma década, o Dragão Negro se reorganizou e, a partir daí, o Fluminense vem sendo muito mal tratado pela mídia". Com o temerário propósito de ajudá-lo na nova empreitada, o Antonio Carlos emprestou sua máquina fotográfica, uma rolley flex 6 x 6, que ele não usava desde o tempo da Bossa Nova.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de muitos apelos por uma reflexão mais cuidadosa sobre tão controvertida decisão, ele – "Adionson, o repórter", como decidiu se autodenominar - estréia hoje. Desde já, em nome do Angenor, do Antonio Carlos, do João Paulo, do Stanislaw e no meu próprio, apresento nossas desculpas por qualquer inconveniência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vocês podem observar na foto acima.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7901359081638881807-2300626510953735146?l=jtcarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/feeds/2300626510953735146/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/2010/04/muricy-nao-tem-mais-remedio.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7901359081638881807/posts/default/2300626510953735146'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7901359081638881807/posts/default/2300626510953735146'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/2010/04/muricy-nao-tem-mais-remedio.html' title='Muricy não tem mais remédio'/><author><name>NETFLUBLOGS</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00877928506777997493</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_rSeQPHUphds/TFR6wOKOA9I/AAAAAAAAAEg/LLWtApMwTHc/S220/foto+nova+-+comunidade.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_rSeQPHUphds/S7tSddatspI/AAAAAAAAACk/fKAfaGYq-98/s72-c/Muricy+n%C3%A3o+tem+mais+rem%C3%A9dio.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7901359081638881807.post-7689355590046106810</id><published>2010-04-02T14:05:00.003-03:00</published><updated>2010-04-02T14:09:43.978-03:00</updated><title type='text'>A benção, João Paulo</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_rSeQPHUphds/S7YkgFGaQiI/AAAAAAAAACM/8oVhqhmqdxE/s1600/papa.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 210px; height: 193px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_rSeQPHUphds/S7YkgFGaQiI/AAAAAAAAACM/8oVhqhmqdxE/s320/papa.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5455588132149412386" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Tricolores,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há exatos cinco anos, em um outro dia dois de abril, um mesmo episódio terá entristecido um grande número de pessoas, mas foi motivo de imensa alegria para o meu grupo: a chegada do amigo João Paulo. Em princípio, o Stanislaw – espírito boêmio, livre pensador – lhe fez restrições, por conta de algumas opiniões muito conservadoras. Em pouco tempo, no entanto, sua permanente simpatia e o amor pelo Fluminense contagiaram a todos e, hoje, ele é uma das figuras mais queridas daqui. João Paulo nasceu em 1920, na Polônia, perdeu a família muito cedo, teve uma vida longa e venturosa, mas não vou cansá-los com detalhes biográficos e passo direto ao nosso ponto. Meu amigo fez quatro visitas ao Brasil e estou certo de que, pelo menos em dois sentidos, esta experiência o marcou profundamente. Espírito místico, a religião sempre teve uma importância cardeal em sua vida e o contato com o rico sincretismo brasileiro haveria de influenciá-lo. Com a fama de ter sido um milagroso goleiro no time amador de sua cidade, João Paulo desenvolveu uma paixão correspondida pelo Fluminense e por sua torcida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Suponho que todos estão cientes do ocorrido mas, em homenagem aos 30 anos da conversão deste amigo à causa tricolor, me permito recordá-los. Em 1980, o Fluminense iniciou o Campeonato Carioca como aparente coadjuvante. O Vasco nos havia tirado o técnico Zagallo, contratara Paulo César Caju e recém chegara da Europa com o Troféu Juan Gamper. O clube de regatas da Gávea, o grande favorito, era dirigido pelo tecnocrata Claudio Coutinho e viera da Espanha com Luís Pereira e o Troféu Ramón de Carranza. O Fluminense contava com Nelson Rosa Martins - o Nelsinho, técnico do Madureira na temporada anterior -, o meia Gilberto (uma promessa vinda do Atlético Goianiense), o consagrado centroavante Claudio Adão e mais nove jogadores da nossa base. Apesar disso, decidimos o primeiro turno com o Vasco da Gama: 1 x 1 no tempo normal. Em meio à tensa série de pênaltis, ocorreu à nossa torcida apelar ao personagem ilustre que há poucos meses nos visitara, e cantou a música em homenagem a João Paulo, da autoria de Péricles de Barros. Resultado: Paulo Goulart defendeu duas cobranças; 4 x 1 para nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O segundo turno foi ganho pelo Vasco e a equipe rubronegra se deixou eliminar pelo Serrano: 1 x 0, gol de Anapolina(!). Na decisão do Campeonato, o placar insistia em um teimoso 0 x 0. Quase 110 mil vascaínos e tricolores se mantinham em permanente supense quando, aos 22 minutos do segundo tempo, Guina faz falta em Mário. Enquanto o vascaíno é advertido com cartão amarelo, Edinho pega a bola, ajeita confiante, mas o zagueiro Orlando Lelé faz a provocação: "Essa aí vai na arquibancada". Mais uma vez, a torcida tricolor apela a João Paulo e volta a entoar sua canção. O efeito é fulminante: Edinho desfere um petardo, a bola bate no chão, no peito de Mazaroppi, na trave e vai descansar no fundo das redes. Gol! Fluminense campeão! Claudio Adão é o artilheiro do campeonato; Gilberto, a revelação; Edinho, o herói do título e João Paulo, o herói da torcida. Tempos depois, ainda lhe prestaríamos uma surpreendente homenagem. Após um amistoso beneficente entre as seleções do Brasil e da Itália, realizado na cidade de Udine, a delegação brasileira foi visitá-lo. Na hora da foto, a pronta intervenção do nosso Ximbica possibilitou o registro histórico: João Paulo e a camisa tricolor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de aqui chegar, livre da liturgia de suas funções terrenas, João Paulo assumiu radicalmente o misticismo e a paixão clubística. Meu amigo tem a absoluta convicção de que basta soar o apito inicial de uma partida do clube de coração para que qualquer cético apele às mais variadas forças sobrenaturais: “Nas arquibancadas, não existem ateus”, afirma taxativo. Modesto, ainda recentemente, quando lhe foi atribuído o milagre pela reação do Time de Guerreiros, minimizou: “Dei só uma mãozinha”. Não desejo fazer confidências comprometedoras sobre meu amigo, mas não resisto a revelar apenas uma de suas reações em que a religiosidade e a paixão tricolor se misturam em doses elevadas. Sempre que a nossa defesa está em dificuldades com o ataque adversário, quando a bola ronda perigosamente nossa baliza, João Paulo tem o hábito de se benzer mas, ao invés do tradicional “Em nome do Pai...”, ele apela à Trindade Tricolor: “Castilho, Píndaro e Pinheiro; Castilho, Píndaro e Pinheiro...”, sussurra repetidas vezes. Se confundimos sua nacionalidade e o incluímos entre os brasileiros do grupo, ele se ergue solene e faz a correção: “Brasileiro é o chefe, eu sou polonês; mas o Fluminense é a minha segunda Pátria”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;J.T de Carvalhos escreve às terças e sextas.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7901359081638881807-7689355590046106810?l=jtcarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/feeds/7689355590046106810/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/2010/04/bencao-joao-paulo.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7901359081638881807/posts/default/7689355590046106810'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7901359081638881807/posts/default/7689355590046106810'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/2010/04/bencao-joao-paulo.html' title='A benção, João Paulo'/><author><name>NETFLUBLOGS</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00877928506777997493</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_rSeQPHUphds/TFR6wOKOA9I/AAAAAAAAAEg/LLWtApMwTHc/S220/foto+nova+-+comunidade.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_rSeQPHUphds/S7YkgFGaQiI/AAAAAAAAACM/8oVhqhmqdxE/s72-c/papa.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7901359081638881807.post-1751700509771743880</id><published>2010-03-30T11:23:00.002-03:00</published><updated>2010-03-30T11:31:58.012-03:00</updated><title type='text'>Quem é Adionson?</title><content type='html'>Tricolores,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na semana passada, no relato de uma conversa com meus amigos, mencionei o nome do Adionson. Penso valer a pena ocupar um pouco do nosso espaço para apresentar este desconcertante tricolor. Antes de tudo, cabe esclarecer que uma denominação tão pouco usual não se originou de improviso ou da costumeira combinação entre os nomes dos progenitores. Ainda grávida, sua mãe assistiu à primeira fita falada da história do cinema, o "Cantor de Jazz", estrelada pelo ator Al Johnson. Ainda durante a sessão, teve a inspiração instantânea: seu filho se chamaria Adionson. Nota-se que esse meu amigo trouxe do útero uma predestinação para a criatividade desconcertante, dote que até hoje exercita das maneiras mais imprevistas e se traduz, por exemplo, nas suas frases de efeito. A série é inumerável mas, à propósito da paixão tricolor, cito aquela que traduz sua convicção sobre a permanente vocação de nosso clube para as grandes vitórias:"O Fluminense nunca perde: ganha, empata ou é roubado".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para não me estender em demasia, vou contar o episódio final de sua existência, aquele que antecedeu sua chegada aqui ao grupo. Adionson nunca teve hábitos compatíveis com as melhores recomendações da boa saúde: alimentação irregular, vida sedentária, uma íntima e assumida convivência com bebidas alcóolicas - "Minha vida é um litro aberto",confessava – e acabou por desenvolver um grave problema nas coronárias. Apesar da permanente escassez de dinheiro, sua simpatia e a sem-cerimônia para as solicitações mais absurdas, levou-o a ser tratado pelo Dr. Raul Carlos - um excelente cardiologista tricolor - que acionando cortesias e contribuições dos amigos, permitiu a Adionson ser operado no local mais conveniente da época: os Estados Unidos. O procedimento foi bem sucedido mas, após o retorno ao Brasil, meu amigo não seguiu qualquer uma das orientações médicas, o que levou ao agravamento do caso. Poucos anos depois, impôs-se a necessidade do retorno hospital americano, mas agora com menores chances de sucesso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos ao que interessa. Quando da primeira visita, Adionson notou que à frente da imponente construção perfilavam-se vários pavilhões nacionais e reparou que, após sua chegada, lá estava também a bandeira do Brasil. Seu médico o esclareceu tratar-se de uma gentileza da instituição, além de uma forma de demonstrar a amplitude internacional do seu prestígio: sempre que um novo paciente era admitido, a direção fazia hastear a bandeira do seu país. Para esta segunda visita, possivelmente a última, Adionson veio bem preparado. Valendo-se da constrangida tradução do Dr. Raul, ele explicou aos americanos ser o prefeito de um pequeno município do interior do Brasil. Com certeza, na modesta biografia de sua cidade, o fato de maior destaque seria a sua presença naquela magnífica instituição. Como não trazia ilusões de ainda voltar a fazer algo por seus conterrâneos, seu último desejo era prestar-lhes uma homenagem: trouxera na bagagem a bandeira de sua cidade e pedia que a hasteassem ao lado das demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar do ineditismo da solicitação, sua simplicidade e a forma emocionada como fora feita garantiram o imediato atendimento. O destino seguiu seu curso inexorável e Adionson teve menos de uma semana em terras estrangeiras antes de vir juntar-se a nós. No entanto, em seus últimos momentos de lucidez, pode apreciar pela janela, tremulando orgulhosamente ao lado dos mais variados e importantes pavilhões nacionais, a gloriosa bandeira do Fluminense Football Club.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;J.T de Carvalho escreve às terças e sextas.&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7901359081638881807-1751700509771743880?l=jtcarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/feeds/1751700509771743880/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/2010/03/quem-e-adionson.html#comment-form' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7901359081638881807/posts/default/1751700509771743880'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7901359081638881807/posts/default/1751700509771743880'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/2010/03/quem-e-adionson.html' title='Quem é Adionson?'/><author><name>NETFLUBLOGS</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00877928506777997493</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_rSeQPHUphds/TFR6wOKOA9I/AAAAAAAAAEg/LLWtApMwTHc/S220/foto+nova+-+comunidade.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7901359081638881807.post-9188379361105693074</id><published>2010-03-26T15:35:00.001-03:00</published><updated>2010-03-26T15:37:26.584-03:00</updated><title type='text'>O Expresso, a Bicicleta e o Bonde</title><content type='html'>Tenho aqui um grupo de amigos com os quais compartilho prolongadissimas conversas que, literalmente, podem durar uma eternidade. Nossos temas são os mais diversos e inusitados, recorremos a fatos e argumentos situados nas mais diferentes épocas mas, por fim, com infalível regularidade, somos conduzidos à nossa paixão comum: o Fluminense. Esta semana, por exemplo, discutíamos a situação caótica dos transportes públicos no Rio de Janeiro e a impressionante decadência do metrô, quando Adionson, nosso personal frasista, resumiu o pensamento geral: “E assim, evoluímos do expresso para o bonde”. Prontamente, ocorreu uma curiosa associação de idéias que fez o Stanislaw nos indagar: “Lembram-se do Expresso da Vitória?”. Ora, às vésperas de um clássico com o Vasco da Gama, a recordação pareceu inteiramente inoportuna.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Explico. Em 1945, o Vasco organizou um poderoso time que se sagrou campeão e recebeu o apelido de Expresso da Vitória porque, segundo seus torcedores, atropelava os adversários. Na verdade, a peça mais decisiva desta equipe era o centroavante Ademir Menezes pois, no ano seguinte, quando ele esteve conosco, fomos nós os campeões e o Vasco se resignou a um quinto lugar. A partir de 1947, no entanto, não apenas Ademir retornou a São Januário, como o clube contratou jogadores em número suficiente para montar duas boas equipes: o Expresso e o Expressinho. Eis a razão dos protestos contra a inconveniente lembrança do Stanislaw, justamente a poucos dias de um novo confronto com o Vasco. Mas ele já tinha sua jogada preparada: “Esqueceram-se do Torneio Municipal de 48?”. Satisfeito com o sucesso da estratégia, passou a nos recordar as páginas iniciais de uma das maiores epopéias da História do Fluminense.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1948, o Torneio Municipal (uma espécie de Taça Guanabara, no modelo original) era disputado em turno único, pelos mesmos clubes que, a seguir, jogariam o Campeonato Carioca. O fabuloso Expresso da Vitória exibia-se numa prolongada excursão pela América do Sul, colecionando vitórias e taças. Na avaliação do comando vascaíno, o Expressinho seria suficiente para vencer os adversários locais e, de fato, segundo a imprensa, iniciou o Torneio como franco favorito. Nem mesmo o fato do Fluminense chegar invicto à rodada final e, assim, habilitar-se a uma melhor de três com o Vasco foi suficiente para abalar as previsões unânimes. No primeiro jogo, em General Severiano, surpreendemos o Expressinho por 4 x 0. No segundo jogo, na Gávea, o time vascaíno nos venceu por 2 x 1.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No jogo decisivo, apesar da vitória anterior ter recolocado a disputa em sua “ordem natural”, o Vasco não quis correr o risco de perder o título e mandou a campo sua força máxima: o Expresso da Vitória. A partir deste ponto, Stanislaw aumentou a carga de emoção com que nos relatava suas recordações. O Fluminense venceu a partida por 1 x 0, com um belíssimo gol de bicicleta de Orlando, e tornou-se campeão! Nesta competição, Orlando recebeu o apelido que o acompanharia por toda a carreira. Após a vitória de 4 x 1 sobre o Bonsucesso (com três gols dele), em jogo realizado sob intenso temporal, o jornalista José Araújo escreveu em sua coluna que Orlando - por sua baixa estatura e porque, tal como a chuva, estava em todos os lugares do gramado - mais parecia um pingo d’água. No entanto, pela brilhante atuação, não podia ser considerado um pingo comum, mas um Pingo de Ouro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ocorre que o golaço de Orlando Pingo de Ouro fora marcado logo no início do jogo. O adversário tinha tempo e qualidade técnica suficientes para nos impor a virada no placar. De fato, até o apito final, o Vasco executou um ininterrupto bombardeio contra nossa meta sem, no entanto, obter sucesso. Os anos seguintes trouxeram lógica a este episódio, pois esclareceram que os deuses do futebol o haviam escolhido para inaugurar um dos mais belos capítulos da nossa História. Nas partidas iniciais do Torneio, nosso camisa 1 fora o Tarzan. Para este jogo, optamos por escalar um jovem e inexperiente goleiro, contratado ao Olaria, e que fora vice campeão do ano anterior no time de aspirantes. Tal como na clássica cena em que o Super Homem detém o avanço de uma locomotiva, Carlos José Castilho parou o poderoso Expresso da Vitória e iniciou a gloriosa trajetória que o consagraria como um dos maiores heróis da Mitologia Tricolor e, como tal, o conduziria à imortalidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Stanislaw lembra ainda, divertido, que a torcida vascaína deixou o estádio atônita, sem compreender como perdera um título que esperava ser ganho até por seu time reserva. Ainda por cima, a torcida tricolor ironizava o Expresso da Vitória recordando uma velha paródia carnavalesca: “Lá vai o bonde / de São Januário / levando mais um otário / pra ver o Vasco apanhar”.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;br /&gt;J.T de Carvalho escrever às terças e sextas.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7901359081638881807-9188379361105693074?l=jtcarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/feeds/9188379361105693074/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/2010/03/o-expresso-bicicleta-e-o-bonde.html#comment-form' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7901359081638881807/posts/default/9188379361105693074'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7901359081638881807/posts/default/9188379361105693074'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/2010/03/o-expresso-bicicleta-e-o-bonde.html' title='O Expresso, a Bicicleta e o Bonde'/><author><name>NETFLUBLOGS</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00877928506777997493</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_rSeQPHUphds/TFR6wOKOA9I/AAAAAAAAAEg/LLWtApMwTHc/S220/foto+nova+-+comunidade.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7901359081638881807.post-5533739869794667952</id><published>2010-03-22T11:38:00.005-03:00</published><updated>2010-03-22T12:59:47.208-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Apresentação de J. T. de Carvalho para NETFLU&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;J. T. de Carvalho nasceu em Portugal, em 1902, cinco meses antes da fundação do Fluminense Football Club. Aos oito anos de idade chegou ao Brasil e, algum tempo depois, se tornou tricolor. Tomado por esta paixão, conta se ter incumbido "de uma missão, a um tempo desafiadora e prazerosa: conduzir todos os meus descendentes às fileiras de nossa torcida". Assim, fundou uma tradição familiar organizada em torno de um único conceito: "Acima de leis e mandamentos, uma ética soberana: sou tricolor!".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após sua morte, em 1986, sentiu-se estimulado pela célebre convocação rodriguiana - "A morte não exime ninguém de seus deveres clubísticos -, passou a se reunir com ilustres tricolores também falecidos e a ditar uma síntese dessas conversas, às quais denominou Memórias Imortais. Em 2009, publicou uma coletânea destes textos, que traçam um amplo e variado roteiro das Glórias e dos Heróis que teceram a Mitologia Tricolor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem a pretensão ou o rigor do trabalho de um historiador, J.T. de Carvalho defende a importância de divulgar tais memórias. Segundo ele, não se trata de abrir um "baú da saudade", dar busca a um emaranhado de velhas histórias e divulgá-las como objeto de distração ociosa: "a Mitologia Tricolor fornece a chave para que nos situemos na vasta herança de nosso clube, a partir da qual nos tornamos mais conscientes de nós mesmos e de nossa singular visão do mundo". Em apoio a sua tese, cita a insuspeita opinião de Mario Filho: "Certos exemplos, só o Fluminense poderia dar".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso, jogadas antológicas, gols decisivos, ilustres e venerandas figuras povoam as páginas de suas Memórias Imortais mas, para além de personagens e enredos, seu verdadeiro tema é um só: o orgulho de ser tricolor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7901359081638881807-5533739869794667952?l=jtcarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/feeds/5533739869794667952/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/2010/03/apresentacao-de-j.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7901359081638881807/posts/default/5533739869794667952'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7901359081638881807/posts/default/5533739869794667952'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jtcarvalho.blogspot.com/2010/03/apresentacao-de-j.html' title=''/><author><name>NETFLUBLOGS</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00877928506777997493</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_rSeQPHUphds/TFR6wOKOA9I/AAAAAAAAAEg/LLWtApMwTHc/S220/foto+nova+-+comunidade.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
